sábado, 30 de janeiro de 2010

A militarização da ajuda de emergência ao Haiti: É uma operação humanitária ou uma invasão?

MINUTSAH Force Commander and U.S. Lt. General ...Image by United Nations Photo via Flickr

A militarização da ajuda de emergência ao Haiti: É uma operação humanitária ou uma invasão?

Por Michel Chossudovsky

O Haiti tem uma história de intervenção e ocupação militar dos Estados Unidos de longa data, datando do início do século 20. O intervencionismo dos Estados Unidos tem contribuído para a destruição nacional da economia nacional do Haiti e o empobrecimento de sua população.

O terremoto devastador é apresentado a opinião pública mundial como a única causa da situação do país.

Um país foi destruído, sua infraestrutura demolida. Seu povo precipitado em um abismo de pobreza e desespero.

Da história do Haiti, seu passado colonial foi apagado.

Os militares dos Estados Unidos chegaram para resgatar uma nação empobrecida. Mas qual é sua autorização?

É uma operação humanitária ou uma invasão?

Os principais atores na "operação humanitária" da América são o Departamento de Defesa, o Departamento de Estado e a Agência para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (USAID, em inglês). A USAID também tem estado encarregada de canalizar ajuda alimentar para o Haiti, que é distribuída pelo Programa Mundial de Alimentos.

O componente militar da missão americana, contudo, tende a sobrepujar as funções civis de resgatar uma população desesperada e empobrecida. A totalidade da operação humanitária não está sendo conduzida pelas agências governamentais civis tais como a FEMA ou USAID, mas pelo Pentágono.

O papel de tomada de decisão dominante foi confiado ao Comando Militar Americano do Sul (SOUTHCOM).

Uma maciça mobilização de equipamentos e pessoal militar é contemplada. O diretor da junta de chefes da equipe de apoio almirante Mike Mullen confirmou que os Estados Unidos estarão enviando de nove a dez mil soldados para o Haiti, incluindo 2000 fuzileiros. (Serviço de imprensa das forças americanas, 14 de janeiro de 2010)

O porta aviões USS Carl Vinson e seu complemento de navios de apoio já chegaram a Port au Prince. (15 de janeiro de 2010). Os 2000 membros da Unidade Anfíbia da Marinha bem como os soldados 82a. Divisão Aérea do Exército dos Estados Unidos "são treinadas em uma ampla variedade de missões, incluindo segurança e controle de tumultos em adição as tarefas humanitárias."

Em contraste com as equipes de resgate e ajuda despachadas pelas várias equipes civis e organizações, o encargo humanitário dos militares americanos não está claramente definido:

"Os fuzileiros são certamente guerreiros em primeiro lugar, e isso é o que o mundo sabe dos fuzileiros... mas somos igualmente compassivos quando precisamos ser, e esse é o papel que gostaríamos de mostrar -- esse guerreiro compassivo, chegando com uma mão auxiliadora para aqueles que precisam. Estamos bastante entusiasmados com relação a isso." (porta-voz dos fuzileiros, fuzileiros embarcam para o Haiti em missão de sensibilidade, Serviços de Imprensa das Forças Armadas, 14 de janeiro de 2010)

Enquanto os presidentes Obama e Préval falavam ao telefone, não havia relatos de negociações entre os dois governos com relação a entrada e disposição das tropas dos Estados Unidos em solo haitiano. A decisão foi tomada e imposta unilateralmente por Washington. A total ausência do funcionamento de um governo no Haiti foi usada para legitimar, em bases humanitárias, o envio de uma poderosa força militar, que tem de fato tomado diversas funções governamentais.
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Tabela 1

Recursos militares americanos a serem enviados para o Haiti (de acordo com anúncios oficiais)

Navio anfíbio de assalto USS Bataan (LHD) e navio de doca de ancoragem USS Fort McHenry (LSD 43) e USS Carter Hall (LSD 50)

2000 membros da Unidade Anfíbia de Fuzileiros da 22a. Unidade Expedicionária de Fuzileiros e soldados da 82a. Divisão Aérea do Exército dos Estados Unidos. 900 soldados estão escalados para chegar ao Haiti em 15 de janeiro.

Porta aviões USS Carl Vinson e seus navios suplementares de apoio. (Chegaram a Port au Prince em 15 de janeiro de 2010: USS Carl Vinson CVN 70.

Navio Hospital USNS Comfort

Diversos navios da Guarda Costeira e helicópteros

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Papel de liderança do Comando Sul dos Estados Unidos


O Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) com quartel general em Miami é a "agência líder" no Haiti. Seu mandato como comando militar regional é realizar a guerra moderna. Sua missão declarada na América Latina e no Caribe é "conduzir operações militares e promover cooperação de segurança para alcançar os objetivos estratégicos dos Estados Unidos." (Nossa Missão - Comando Militar do Sul (USSOUTHCOM)). Os oficiais comandantes são treinados para inspecionar teatros de operações, policiamento militar bem como "contra-insurgência" na América Latina e no Caribe, incluindo o recente estabelecimento das novas bases militares na Colômbia, nas proximidades da fronteira venezuelana.

O general Douglas Fraser, comandante do Comando Sul dos Estados Unidos definiu a operação de emergência no Haiti como uma operação de comunicações, comando e controle (C3). O Comando Sul dos Estados Unidos vai administrar a maciça mobilização de material militar, incluindo diversos navios de guerra, aviões cargueiros, divisões aéreas de combate, etc:

"Dessa forma estamos focados em obter comando e controle e comunicações lá de forma que possamos realmente conseguir uma melhor compreensão do que está acontecendo. A MINUSTAH [Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti], com o seu quartel general parcialmente destruído, perdeu bastante de sua comunicação, e, portanto estamos procurando robustecer essa comunicação, também.

Estamos também enviando equipes de avaliação em conjunto com a USAID, apoiando os esforços deles, bem como colocando a disposição algum apoio nosso para ajudar seus esforços.

Estamos movendo vários navios que tínhamos na região - são navios pequenos, lanchas da guarda costeira, destróieres - nesta direção, para providenciar qualquer assistência imediata que pudermos em solo.

Nós também temos um porta aviões, o USS Carl Vinson, se deslocando naquela direção. Ele está na área de Norfolk, e, portanto vai levar alguns dias para chegar lá. Precisamos também reabastecê-lo e dá as provisões que ele precisa para apoiar os esforços enquanto vamos para o Haiti. E então nós estamos olhando para as agências internacionais para descobrir como podemos apoiar os esforços delas bem como nossos esforços.

Também estamos enviando um navio anfíbio com um grande deck com uma Unidade Expedicionária de Fuzileiros nela que estará alguns dias atrás do USS Vinson.

E isso nos dá uma maior faixa de capacidade para movimentar suprimentos, para ter capacidade de dar assistência para ajudar a apoiar os esforços lá também.

Assim o resultado final disso é, nós não temos uma avaliação clara nesse momento de qual é a situação no solo, quais são as necessidades dentro de Port-au-Prince, quão extensa a situação é.

Também, finalmente, temos uma equipe que está se dirigindo para o aeroporto. De meu entendimento - porque aconteceu de meu vice comandante estar no Haiti quando esta situação aconteceu, em uma visita anteriormente agendada. Ele esteve no aeroporto. Ele diz que a pista está funcional, mas a torre não tem capacidade de comunicação. O terminal de passageiros - tem danos estruturais nele, assim não sabemos qual é a situação.

Assim temos um grupo indo para ter certeza que podemos ganhar e garantir o espaço aéreo e operar de lá, porque essa é uma daquelas posições que achamos que vamos ter um bocado de esforço imediato das bases internacionais entrando.

E então estamos fora conduzindo todas as outras avaliações que você consideraria apropriadas enquanto entramos e coordenamos esse esforço.

Estamos também coordenando em solo com a MINUSTAH, com o pessoal que está lá. Aconteceu de o comandante da MINUSTAH estar em Miami quando esta situação aconteceu, agora mesmo ele está viajando de volta e deve estar chegando a Port-au-Prince a qualquer momento agora. Assim ele nos ajudará a coordenar nossos esforços lá também, porque de novo, as Nações Unidas obviamente sofreram perdas significativas com o desastre - pelo menos o desastre parcial de seu quartel general.

Assim que - estes são esforços iniciais que nós temos em andamento e quando tivermos as avaliações do que está vindo depois, então faremos os ajustes requeridos.

O secretário de defesa, o presidente, todos estipularam que isso é um esforço significativo, e estamos centralizando todos os recursos no Departamento de Defesa para o suporte desse esforço." (Defense.gov News Transcript: DOD News Briefing with Gen. Fraser from Pentagon, 13 de janeiro de 2010).

Um relatório da Heritage Foundation resume a substância da missão americana no Haiti: "O terremoto tem tanto implicações humanitárias como de segurança nacional dos Estados Unidos [requerendo] uma resposta rápida que seja não somente ousada, mas decisiva, mobilizando militares americanos, o governo, e as habilidades civis tanto para resgate no curto prazo e esforço de ajuda e a recuperação no longo prazo e um programa de reforma no Haiti." (James M. Roberts e Ray Walser, American Leadership Necessary to Assist Haiti After Devastating Earthquake, Heritage Foundation, 14 de janeiro de 2010.

A princípio, a missão militar estará envolvida em primeiros socorros e emergência bem como segurança pública e atividades policiais.

A força aérea dos Estados Unidos controla o aeroporto

A força aérea dos Estados Unidos assumiu o controle das funções de tráfego aéreo bem como do gerenciamento do aeroporto de Port au Prince. Em outras palavras, os militares dos Estados Unidos regulam o fluxo de ajuda de emergência e de suprimentos de socorro que está sendo trazido para o país em aviões civis. A força aérea americana não está trabalhando sob as instruções de funcionários haitianos do aeroporto. Esses funcionários foram destituídos. O aeroporto está sendo administrado pelos militares americanos. (entrevista com o embaixador haitiano nos Estados Unidos R. Joseph, PBS News, 15 de janeiro de 2010)

A equipe da FAA (Agência Federal de Aviação americana) está trabalhando com os controladores de combate do Ministério da Defesa para melhorar o fluxo de tráfego aéreo que está entrando e saindo do aeroporto. A força aérea americana reabriu o aeroporto em 14 de janeiro, e em 15 de janeiro foi garantido a seu grupo de resposta de contingência autoridade sênior no campo de aviação... Autoridade sênior no campo de aviação habilita a força aérea a priorizar, programar e controlar o espaço aéreo no aeroporto,... "(flightglobal.com, 16 de janeiro de 2010, ênfase acrescentada)

O navio hospital de 1.000 leitos da marinha americana, o USNS Comfort, que inclui mais de 1.000 médicos e pessoal de apoio foi enviado para o Haiti sob a jurisdição do Comando Sul. Havia, no momento do terremoto, perto de 7.100 pessoal militar e cerca de 2.000 policiais, ou seja, uma força estrangeira de cerca de 9.000 pessoas. Em contraste, o pessoal civil estrangeiro da MINUSTAH é de menos de 500. (MINUSTAH facts e figures - United Nations Stabilization Mission in Haiti.

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Tabela 2

Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH)

Força Atual (30 de novembro de 2009)

9.065 total de pessoal uniformizado

7.031 militares
2.034 policiais e 488 pessoal civil estrangeiro
1.212 funcionários civis locais
214 Voluntários das Nações Unidas

MINUSTAH Facts and Figures - United Nations Stabilization Mission in Haiti

Forças combinadas estimadas do SOUTHCOM e da MINUSTAH; 19.095*

*Excluindo os compromissos da França (não confirmados) e do Canadá (confirmados 800 militares). Os Estados Unidos, a França e o Canadá foram "parceiros" no golpe de Estado de 29 de fevereiro de 2004.


O Haiti tem estado sob ocupação militar estrangeira desde que os Estados Unidos instigaram o golpe de Estado de fevereiro de 2004. O contingente das forças americanas sob o SOUTHCOM combinadas com aquelas da MINUSTAH traz a presença militar estrangeira no Haiti para perto de 20.000 em um país de 9 milhões de pessoas. Em comparação com o Afeganistão, antes de o aumento militar de Obama, as forças combinadas dos Estados Unidos e da OTAN eram da ordem de 70.000 para uma população de 28 milhões. Em outras palavras, em uma base per capita haverá mais tropas no Haiti do que no Afeganistão.

Intervenções recentes dos Estados Unidos no Haiti

Houve diversas intervenções militares patrocinadas pelos Estados Unidos na história recente. Em 1994, depois de três anos de governo militar, uma força de ocupação de 20.000 soldados e "pacificadores" foi enviada para o Haiti. Em 1994 uma intervenção militar dos Estados Unidos "foi enviada não para restaurar a democracia. Muito pelo contrário: Foi realizada para impedir uma insurreição popular contra a junta militar e seu bando neoliberal." (Michel Chossudovsky, The Destabilization of Haiti, Global Research, 28 de fevereiro de 2004)

Os Estados Unidos e as tropas aliadas permaneceram no país até 1999. As forças armadas do Haiti foram dispersas e o Departamento de Estado dos Estados Unidos contrataram a companhia de mercenários DynCorp para providenciar "conselho técnico" na reestruturação da polícia nacional haitiana (HNP). (Ibid)

O Golpe de Estado de Fevereiro de 2004

Nos meses que levaram ao Golpe de Estado, as forças especiais americanas e a CIA estiveram treinando esquadrões da morte compostos de antigos Tonton Macoute da era Duvalier. O exército paramilitar de rebeldes cruzou a fronteira da República Dominicana no começo de fevereiro de 2004. "Era unidade paramilitar bem armada, treinada e equipada, integrada por ex-membros do Le Front pour l'avancement et le progrès d'Haiti (FRAPH), os esquadrões da morte "plain clothes", envolvidos em matança em massa de civis e assassinatos de políticos durante o golpe patrocinado pela CIA em 1991, que levou a queda do governo democraticamente eleito do presidente Jean Bertrand Aristide." (veja Michel Chossudovsky, The Destabilization of Haiti: Global Research. 28 de fevereiro de 2004)

Tropas estrangeiras foram enviadas ao Haiti. A MINUSTAH foi estabelecida na esteira do Golpe de Estado patrocinado pelos Estados Unidos em fevereiro de 2004 e do rapto e deportação do presidente democraticamente eleito Jean Bertrand Aristide. O golpe foi instigado pelos Estados Unidos com o apoio da França e do Canadá.

As unidades do FRAPH subsequentemente integraram a força policial do país, que estava sob a supervisão da MINUSTAH. Na desorganização política e social disparada pelo terremoto, a antiga milícia armada e os Tonton Macoute estarão desempenhando um novo papel.

A Agenda Escondida

A missão não declarada do Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM) com quartel general em Miami e instalações militares por toda a América Latina é para assegurar a manutenção de regimes nacionais subservientes, ou seja, governos representantes dos Estados Unidos, comprometidos com o Consenso de Washington e a agenda política neoliberal. Enquanto o pessoal militar americano será a princípio usado para estabelecer uma base de operações no país como também buscar os objetivos estratégicos e geopolíticos americanos na enseada do Caribe, que são amplamente dirigidos contra Cuba e Venezuela.

O objetivo não é trabalhar com objetivo de reabilitação do governo nacional, a presidência, o parlamento, ambos dizimados pelo terremoto. Desde a queda da ditadura Duvalier, o plano da América tem sido gradualmente desmantelar o Estado Haitiano, restaurar os modelos coloniais e obstruir o funcionamento de um governo democrático. No presente contexto, o objetivo não é somente livrar-se do governo, mas também tornar mais eficiente o mandato da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), cujo quartel general foi destruído pelo terremoto.
"O papel de encabeçar o esforço de alívio e administrar a crise rapidamente caiu para os Estados Unidos, por falta - no curto prazo, pelo menos - de alguma outra entidade capaz." (US Takes Charge in Haiti _ With Troops, Rescue Aid - NYTimes.com, 14 de janeiro de 2010).

Anterior ao terremoto havia, de acordo com fontes militares, cerca de 60 funcionários militares dos Estados Unidos no Haiti. De um dia para outro, uma completa avalanche ocorreu: 10.000 soldados, fuzileiros, forças especiais, agentes secretos, etc., sem mencionar forças mercenárias particulares com contrato com o Pentágono.

Com toda probabilidade a operação humanitária será usada como pretexto e justificação para estabelecer uma presença militar mais permanente dos Estados Unidos no Haiti.

Estamos lidando com uma preparação maciça, uma "irrupção" de pessoal militar designado para a ajuda de emergência.

A primeira missão do SOUTHCOM será tomar o controle do que resta das comunicações, transportes e infraestrutura de energia do país. O aeroporto já está sob o controle de fato dos Estados Unidos. Com toda probabilidade, as atividades da MINUSTAH que desde o começo em 2004 tem servido aos interesses da política externa dos Estados Unidos, serão coordenadas com aquelas do SOUTHCOM, ou seja, a missão da ONU será posta sob o controle de fato dos militares americanos.

A Militarização das Organizações de Ajuda da Sociedade Civil

Os militares americanos no Haiti procuram inspecionar as atividades das organizações humanitárias aprovadas. Também implica prejudicar as atividades da Venezuela e de Cuba:

"O governo sob o presidente René Préval está fraco e literalmente agora em ruínas. Cuba e Venezuela, já pretendem minimizar a influência dos Estados Unidos na região, é provável que tomem essa oportunidade para aumentar sua visibilidade e influência..." (James M. Roberts and Ray Walser, American Leadership Necessary to Assist Haiti After Devastating Earthquake, Heritage Foundation, 14 de janeiro de 2010).

Nos Estados Unidos, a militarização das operações de ajuda de emergência foi iniciada durante a crise do Katrina, quando os militares foram chamados para desempenhar um papel de liderança.

O modelo de intervenção militar para o SOUTHCOM é imitado do papel do NORTHCOM, que garantiu um mandato de "agência líder" nos procedimentos de emergência doméstica nos Estados Unidos.

Durante o furacão Rita em 2005, o plano detalhado para a "militarização da ajuda de emergência" envolvendo o papel de liderança para o NORTHCOM foi estabelecido. Nesse aspecto, Bush sugeriu para o papel central dos militares na ajuda de emergência: "Há um desastre natural - de certa magnitude - isso então habilitaria o Departamento de Defesa a se tornar a agência líder na coordenação e direção dos esforços de resposta? Isso vai ser uma consideração muito importante para o congresso pensar a respeito." (Statement of President Bush at a press conference, Bush Urges Shift in Relief Responsabilities - Washingtonpost.com, 26 de setembro de 2005).

"A resposta a desastres nacionais não está sendo coordenado pelo governo civil do Texas, mas de uma localidade remota e de acordo com critérios militares. O Quartel General do Comando Norte dos Estados Unidos controlará diretamente o movimento do pessoal militar e máquinas no Golfo do México. Como no caso do Katrina, sobrepujará as ações dos corpos civis. Ainda nesse caso, a operação inteira está sob a jurisdição dos militares mais do que sob daquela da FEMA." (Michel Chossudovsky, US Northern Command and Hurricane Rita, Global Research, 24 de setembro de 2005).

Comentários finais

O Haiti é um país sob ocupação militar desde que os Estados Unidos instigaram o Golpe Militar de fevereiro de 2004.

A entrada de 10 mil soldados americanos pesadamente armados, junto com as atividades da milícia local poderia potencialmente precipitar o país em um caos social.

Estas forças estrangeiras entraram no país para reforçar os "pacificadores" da MINUSTAH e as forças policiais haitianas (integradas pelos antigos Tonton Macoute), que desde 2004 tem sido responsáveis por crimes de guerra direcionados contra o povo haitiano, incluindo a matança indiscriminada de civis.

Estas tropas reforçam as forças existentes de ocupação sob o mandato da ONU.

Vinte mil soldados estrangeiros sob o comando do SOUTHCOM e da MINUSTAH estarão presentes no país. Com toda probabilidade, haverá uma integração ou coordenação das estruturas de comando do SOUTHCOM e da MINUSTAH.

O povo haitiano tem exibido um alto grau de solidariedade, coragem e comprometimento social.

Ajudar um ao outro e agir com consciência: sob condições muito difíceis, na esteira imediata do desastre, as equipes de resgate de cidadãos foram formadas espontaneamente.

A militarização das operações de ajuda enfraquecerá a capacidade organizacional dos haitianos de reconstruir e restabelecer as instituições do governo civil que foram destruídas. Isso também prejudicará os esforços das equipes médicas internacionais e organizações civis de ajuda.

É absolutamente essencial que o povo haitiano continue a se opor vigorosamente a presença de soldados estrangeiros em seu país, particularmente em operações de segurança pública.

É essencial que os americanos por todo o país vigorosamente se oponham a decisão da administração Obama em enviar tropas americanas para combater no Haiti.

Não poderá haver verdadeira reconstrução ou desenvolvimento sob ocupação militar estrangeira.

Global Research Articles by Michel Chossudovsky.

Nota: Há mais mistério entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. Assim também há mais coisa por trás dessa ajuda humanitária dos Estados Unidos ao Haiti do que podemos saber no momento.





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