quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Socialismo: a "economia" do anticristo

Socialismo: a "economia" do anticristo

Marcus Boeira

Para o socialismo, é o Estado e, por sua vez, seus agentes partidários (já que no socialismo há identidade entre Estado e partido) aqueles que definem o que a sociedade pode ou não comprar e vender, tal como fará o anticristo desenhado na Revelação do apóstolo João.

São Paulo define, em sua 2ª Carta aos Coríntios, cap. 6, verso 15, que não existe concórdia entre Cristo e Belial. Ora, se não pode existir comunhão entre o Reino de Deus e o Reino das Trevas, como poderíamos admitir a união entre o cristianismo e o marxismo, já que o último é não só criação de alguém que se colocava como declarado anticristão e satanista - Karl Marx - como ainda promovia a destruição da liberdade, algo caro ao Evangelho de Jesus? Como pode alguém pressupor existir acordo entre a economia (dimensão da existência humana que encontra no cristianismo uma afirmação bastante sólida) e o socialismo (base econômica do reino do anticristo)?

Quando falamos em economia queremos referir algo diametralmente oposto ao que promove o socialismo. A economia de livre mercado implica em uma relação de oferta e demanda cuja dinâmica depende única e exclusivamente da vontade, da necessidade e dos interesses individuais das pessoas. Essa lição não é nova: a Bíblia Sagrada, a tradição patrística, a escolástica nova com os ensinamentos de São Bernardino de Siena, bem como toda a centralidade da economia moderna imaginada por Smith e Ricardo atestam essa verdade.

Assim, qualquer forma de intervenção externa à relação dinâmica de produção na economia é, naturalmente, um fator prejudicial ao próprio cerne da natureza econômica. Para ser mais exato, basta recordar o papel do antigo homo oeconomicus, ser humano dependente do oikos, nas cidades gregas, que mantinha uma área de produção e subsistência separada da ágora, local reservado para o processo político na antiga pólis. A separação entre o público e o privado na antiga cidade-política grega representava de fato uma divisão entre as coisas da comunidade e as coisas dos indivíduos; ou seja, entre a política e a economia.

As relações de produção eram baseadas em "necessidade", para usar um jargão cunhado por Hannah Arendt (in A Condição Humana). Por "necessidade" se entende àquilo que é indispensável. A economia, portanto, é não apenas "ciência", mas expressão da própria realidade humana, de suas aspirações internas, oriunda de elementos volitivos, psíquicos, biológicos e até mesmo químicos. Qualquer interferência nessa relação de oferta e demanda pode comprometer a natureza do processo natural de satisfação dos anseios e necessidades dos homens.

Por outro lado, assistimos na economia moderna a celebração indevida de algo que, sendo artificial, tornou-se um cânone dos atuais sistemas políticos: trata-se da tão festejada intervenção estatal no processo econômico. O socialismo e a social-democracia aceitam como "natural" uma premissa criada por suas próprias idealizações: a de que todo e qualquer processo econômico demanda uma intervenção externa, já que as relações de oferta e demanda necessitam de um "controle" externo. E mais: no socialismo, há que se dizer, nem mesmo há intervenção, pois que todo o "privado" pertence ao "público". Ora, tal coisa se configura num absurdo! Todo sistema de intervenção na economia- o que se convencionou chamar de economia política - é não apenas antinatural como também um fator desestabilizador da natural relação de oferta e demanda.

A oferta e a demanda implicam em algo que expressa a natureza mesma da constituição humana. A economia não começa na sociedade, mas na própria concepção individual, já que as necessidades, vontades e interesses pertencem ao campo do móbil presente na existência histórica de cada ser humano.

O livro do Apocalipse, cap. 13, nos ensina que a Besta do mar - o anticristo -, selará sua marca naqueles que o aceitarem. Tal marca trará a inclusão do sujeito no processo econômico, pois sem a marca ninguém poderá comprar ou vender. Quer dizer: sem a intervenção do anticristo no processo econômico, não há economia. Sem a presença do Estado mundial nas relações de oferta e demanda, não haverá compra ou venda!

A marca da Besta simboliza exatamente o que representa a intervenção externa no processo econômico, seja do Estado ou do Governo mundial: a idealização de uma economia antinatural, em que quem define a oferta e a demanda não são as aspirações individuais de cada homem, mas aquilo que o governo define como comprável ou vendável. É rigorosamente o estado de fato de uma socialização da vontade humana, das necessidades humanas, enfim, dos interesses concretos dos indivíduos.

Há, assim, um hiato entre a economia natural, aquela que verdadeiramente promove o bem comum, isto é, a economia livre, e a economia artificial, de cunho socialista e interventor. De um lado ao outro, também podemos dizer: de uma economia de base essencialmente cristã para uma economia anticristã. Do reino da liberdade econômica para o reino da escravidão. Dos regimes livres para o regime da atomização, em que o ser humano não se utiliza de mercadorias, mas ele mesmo serve de produto para as aspirações do poder. O anticristo imporá sua marca não somente para estabelecer o controle sobre todos aqueles que o admitirem, mas também para definir, ele mesmo, o que toda a gente deve ou não comprar e vender; em suma, o que seus adeptos devem necessitar ou querer.

A política totalitária do anticristo, por assim dizer, absorve o reino das necessidades, transformando-o em um "outro mundo possível", para usar o slogan do Fórum Social Mundial. Não há uma adequação das instituições políticas ao fulcro cultural da sociedade, mas justamente o contrário: a transformação da sociedade para adequá-la na ideologia produzida em laboratório, pelos idealizadores da messiânica nova ordem mundial.

Uma economia antieconômica, voltada para a destruição da liberdade. Por isso, é possível afirmar que a síntese da economia socialista é, de fato, anticristã, justamente porque acaba com o paradigma de que as relações de produção baseiam-se em demandas e necessidades humanas. Para o socialismo, é o Estado e, por sua vez, seus agentes partidários (já que no socialismo há identidade entre Estado e partido) aqueles que definem o que a sociedade pode ou não comprar e vender, tal como fará o anticristo desenhado na Revelação do apóstolo João.

Por isso, não há como falar em socialismo cristão, ou economia socialista cristã. Tais definições só satisfazem aqueles espíritos imbuídos de ideologias marxistas, neo-marxistas ou totalizantes de um modo geral que querem usar do cristianismo para dar argumento de autoridade para suas idéias utópicas, messiânicas e verdadeiramente gnósticas, como é o caso de Frei Betto, Leonardo Boff e outros. Querem criar um "outro mundo possível" harmonizando o socialismo e o cristianismo, como se fosse possível casar o Evangelho do amor com suas aspirações ideológicas baseadas no ódio.

Na verdade, o que eles realmente querem é transformar o mundo em acordo à suas conveniências político-partidárias, pois sabem que, quando a nova era vingar, precisarão de seus cargos estatais para continuar a anunciar suas profecias "antibíblicas". Querem substituir o Reino de Deus pelo reino de suas aspirações patéticas, anticrísticas e revolucionárias. Esses falsos profetas não são cristãos. Se o próprio Senhor disse que os conheceríamos pelos frutos, como não identificar o falso evangelho fabricado em laboratório partidário que cumula o socialismo com o reino de Deus? Ora, se não há acordo entre Cristo e Belial, não pode, da mesma forma, existir comunhão entre o corpo de Jesus, que é sua Igreja, e uma teoria político-econômica cujo centro é o fim da liberdade! Por isso, "acautelai-vos dos falsos profetas".

Onde o Espírito de Deus está, há liberdade. A economia livre é o ponto de partida para regimes em que as aspirações humanas podem coexistir em paz e harmonia. O trabalho e a produção não existem para o Estado ou desde o Estado, mas para a pessoa. A oferta só existe por que há demanda, e o contrário também. Não há como criar demanda sem oferta e sem que as pessoas se estimulem. A riqueza da economia reside justamente nisso: um espaço para que as decisões humanas sejam autônomas, livres de qualquer intervenção. Sim, pois se a demanda é artificialmente produzida pelo poder, é a própria política que cria a demanda, algo antinatural e contrário a verdadeira dignidade da economia. A economia e a política não são idênticas nem tampouco identificáveis. Toda tentativa de formatar a economia pelo poder acaba por transfigurar a verdadeira essência da mesma, fazendo do ser humano individual escravo do poder político.

A destinação universal dos bens não significa a "publicização" geral dos bens, mas a harmonia entre o usufruto dos bens pelos homens com sua correspondência universal. Sinteticamente falando, corresponde a uma comunhão entre o plano de Deus para a história do homem e a submissão do uso dos bens pelos homens à vontade do Criador. Entenda-se: nenhum homem pode substituir a Deus e impor o que os outros homens devem ou não comer, comprar, vender ou produzir.

Fonte: www.midiasemmascara.org







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