sábado, 30 de janeiro de 2016

Desmascarando a agenda de controle populacional global


Desmascarando a agenda de controle populacional global

Dr. Brian Clowes
Comentário de Julio Severo: Conheci o Dr. Clowes uns 15 anos atrás num treinamento pró-vida especial em Brasília. Durante alguns dias, aprendi com seu extraordinário conhecimento pró-vida, que todos nós precisamos. Portanto, estou lhes trazendo um pouco de sua sabedoria pró-vida em seu artigo sobre o NSSM 200. Se você não conhece este documento, você deveria conhecer, pois, como diz o Dr. Clowes, o “NSSM 200 é decisivamente importante para todos os líderes pró-vida do mundo inteiro, pois expõe completamente as motivações e métodos repulsivos e antiéticos do movimento de controle populacional.” Todos os líderes pró-vida do mundo precisam conhecê-lo, pois é impossível compreender as atuais campanhas pró-aborto obsessivas sem entender a influência do NSSM 200.
É leitura imprescindível. Para os leitores brasileiros, o que é impressionante nesse documento nefasto é que foi lançado por um governo americano do Partido Republicano, que é visto como de Direita. Todos nós sabemos que os políticos americanos do Partido Democrático são pró-aborto e inconfiáveis quando estão no poder. Veja o exemplo de Barack Obama. Mas será que os republicanos são confiáveis? Eles nunca colaboram em tramas de controle populacional? Lamentavelmente, o NSSM 200 mostra o contrário. Portanto, quer sob os republicanos ou democratas, a máquina de controle populacional do governo dos EUA avança. É claro que Ronald Reagan foi uma exceção maravilhosa. Em 1992 fui convidado por um assessor pró-vida no Senado brasileiro para traduzir do inglês os trechos cruciais, que foram então distribuídos entre os senadores brasileiros. Eis o artigo do Dr. Clowes:
O Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos é o órgão das decisões mais elevadas sobre política externa nos EUA. Em 10 de dezembro de 1974, esse conselho promulgou um documento extremamente secreto intitulado Memorando de Estudo de Segurança Nacional 200 (do original em inglês “National Security Study Memorandum 200,” cuja sigla é NSSM 200), também conhecido como Relatório Kissinger. Seu assunto era “Implicações do Crescimento da População Mundial para a Segurança e Interesses Externos dos EUA.” Esse documento, publicado logo depois da primeira grande conferência internacional de população em Bucareste, foi o resultado da colaboração entre a Agência Central de Inteligência (CIA), a Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID) e o Departamento de Estado, de Defesa e Agricultura dos EUA.

O Propósito do NSSM 200

O propósito principal das campanhas de controle populacional financiadas pelos EUA é manter acesso aos recursos minerais de países menos desenvolvidos, ou PMDs. O NSSM 200 diz que a economia dos EUA precisará de quantidades grandes e crescentes de minérios do exterior, principalmente de países menos desenvolvidos… Esse fato faz com que os EUA tenham interesses avançados na estabilidade política, econômica e social dos países que suprem os minérios. Sempre que a diminuição da população por meio de índices de natalidade reduzidos aumentar as chances de tal estabilidade, as políticas de controle populacional se tornam relevantes para os suprimentos de recursos e para os interesses econômicos dos EUA.
* a legalização do aborto;
* doutrinação de crianças; e
Esse documento, que é completamente desprovido de moralidade ou ética, vem de modo direto e inevitável incentivando atrocidades e violações em massa de direitos humanos em dezenas de países do mundo. Apresento apenas três exemplos:
Peru. Durante os anos de 1995 a 1997, aproximadamente 250.000 mulheres peruanas foram esterilizadas como parte de um plano para cumprir as metas de planejamento familiar do então presidente Alberto Fujimori. Embora essa campanha fosse chamada de “Campanha de Contracepção Cirúrgica Voluntária,” muitos desses procedimentos eram obviamente feitos à força. Aliás, as mulheres cujos filhos abaixo do peso normal estivessem em programas governamentais de alimentação eram ameaçadas com a negação de alimentos se recusassem ser esterilizadas, e outras eram raptadas de suas famílias e esterilizadas à força.
China. Por muitos anos, o governo dos EUA vem financiando o Fundo de População da ONU (FNUAP). Um dos principais objetivos do dinheiro do FNUAP é a República Popular da China e seu programa de planejamento familiar amplamente criticado que inclui aborto forçado. De acordo com seus próprios documentos, o FNUAP doou mais de 100 milhões de dólares para o programa de controle populacional da China; comprou e produziu um complexo de computadores IBM especificamente para monitorar o programa de controle populacional; providenciou a especialização técnica e técnicos que treinaram milhares de autoridades de controle populacional na China; e presentou a China com um prêmio da ONU pelo “programa de controle populacional mais extraordinário” do mundo.
Uganda. Uganda se tornou o primeiro país africano a reduzir seu índice de infecção do HIV na população adulta, de 21 por cento em 1991 para seis por cento em 2004, uma redução de 70 por cento. A nação realizou essa façanha estupenda desestimulando o uso da camisinha e mudando a conduta do povo. As organizações de controle populacional não poderiam permitir que esse sucesso interferisse no seu modelo inflexível, de modo que minaram agressivamente a campanha do presidente Yoweri Museveni. Timothy Wirth, presidente da Fundação Nações Unidas, chamou essa campanha muito eficaz de “negligência grave contra a humanidade.” A Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID), Population Services International, CARE International e outras organizações estão impondo a camisinha com todas as forças em Uganda, e o índice de infecção do HIV está mais uma vez avançando. Esse talvez seja o exemplo mais chocante da ideologia do controle populacional superando a ciência de comprovadas campanhas de prevenção ao HIV.

Resumo da Estratégia de Controle Populacional no NSSM 200

Os Estados Unidos precisam de abundante acesso aos recursos minerais dos países menos desenvolvidos.
O fluxo fácil de recursos para os Estados Unidos poderiam ser colocados em risco por ação de governos de países menos desenvolvidos, conflitos trabalhistas, sabotagem ou agitações civis, que são muito mais prováveis se o crescimento populacional for um fator: “Esses tipos de desapontamentos têm muito menos probabilidade de ocorrer sob condições de crescimento populacional lento ou zero.” Os jovens têm muito mais probabilidade de desafiar o imperialismo e as estruturas de poder do mundo, de modo que é preciso reduzir seus números o máximo possível: “Esses jovens podem ser mais prontamente persuadidos a atacar as instituições legais do governo ou propriedade real das ‘elites,’ dos ‘imperialistas,’ das empresas multinacionais ou outras influências — na maior parte estrangeiras — culpadas por seus problemas.”
Os elementos decisivos da implementação do controle populacional incluem:
Identificar o alvos principais: “Esses países são: Índia, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, México, Indonésia, Brasil, Filipinas, Tailândia, Egito, Turquia, Etiópia e Colômbia.”
Reconhecendo que “Nenhum país reduziu seu crescimento populacional sem recorrer ao aborto.”
Planejando campanhas com incentivos financeiros para países para aumentar seus índices de uso de aborto, esterilização e contracepção: “Pague mulheres nos países menos desenvolvidos para ter abortos como método de planejamento familiar… De forma semelhante, tem havido alguns experimentos polêmicos, mas extraordinariamente bem-sucedidos, na Índia em que incentivos financeiros, junto com outros truques motivacionais, foram usados para levar grande número de homens a aceitar vasectomias.”
Considerando o uso da coerção em outras formas, tais como negar assistência de alimentos e ajuda em tempo de desastre, a menos que um país menos desenvolvido que é alvo implemente campanhas de controle populacional: “Em que base devemos então fornecer tais recursos alimentícios? A comida deveria ser considerada um instrumento de poder nacional? Seremos forçados a fazer escolhas quanto a quem podemos de modo aceitável ajudar, e se ajudarmos, iniciativas de controle populacional deveriam ser um critério para tal assistência?”
O ponto 6 acima tem de ser muito destacado. A motivação para fomentar o controle populacional é egoísmo puro. Portanto, as organizações que promovem o controle populacional têm de se engajar numa campanha em massa para enganar as pessoas. Elas têm de apresentar seus planos como se fossem iniciativas para apoiar a liberdade pessoal, ou uma preocupação com o bem-estar das nações pobres.

A Pergunta Básica: O Controle Populacional é Necessário?

Há uma consciência crescente de que a “explosão populacional” do mundo acabou ou, aliás, que realmente nunca se concretizou. Quando o pânico da explosão populacional começou no final da década de 1960, a população mundial estava aumentando a uma taxa de mais que dois por cento ao ano. Agora, está aumentando menos de um por cento ao ano, e de acordo com as expectativas esse crescimento vai parar no ano 2040, daqui a apenas uma geração.
O NSSM 200 predisse que a população do mundo se estabilizaria em cerca de 10 a 13 bilhões, com alguns demógrafos predizendo que a população mundial incharia para 22 bilhões de pessoas. Hoje sabemos que a população do mundo alcançará oito bilhões e então começará a diminuir.
Desde o início, o conceito de uma “explosão populacional” tinha motivações ideológicas, dando um alarme falso com a intenção específica de permitir que os países ricos pilhassem os recursos dos países mais pobres.As campanhas consequentes de controle populacional nos países menos desenvolvidos não produziram absolutamente nenhum fruto positivo em suas décadas de implementação. Aliás, as ideologias e campanhas de controle populacional dificultam ainda mais o esforço de dar respostas à grave crise iminente que está se aproximando na forma de uma desastrosa “implosão populacional” no mundo inteiro. É hora de começar a insistir para que as famílias tenham mais filhos, não menos, se queremos evitar uma catástrofe demográfica mundial.
O NSSM 200 não enfatiza os direitos e o bem-estar de indivíduos ou nações, apenas o “direito” dos Estados Unidos de ter acesso irrestrito aos recursos naturais dos países em desenvolvimento. Os Estados Unidos e outros países do mundo desenvolvido, assim como ONGs de controle populacional de motivação ideológica, deveriam estar apoiando e orientando autêntico desenvolvimento econômico que permita que as pessoas de cada país usem seus recursos para seu próprio benefício, com isso levando a uma melhoria dos direitos humanos no mundo inteiro e economias mais saudáveis para todos.
Nenhum relacionamento humano é mais chegado ou mais íntimo do que os relacionamentos que vemos na família. Contudo, o mundo “desenvolvido” tem gasto mais de 45 bilhões de dólares desde 1990 apenas tentando controlar o número de crianças que nascem nas famílias dos países em desenvolvimento por meio da imposição generalizada do aborto, esterilização e controle da natalidade sob os termos gerais “serviços de planejamento familiar” e “saúde reprodutiva.”
Tudo o que dezenas de bilhões de dólares de gastos de controle populacional conseguiram fazer foi transformar centenas de milhões de famílias pobres grandes em famílias pobres pequenas. Se essa quantidade colossal de recursos financeiros tivesse em vez disso sido investida em autêntico desenvolvimento econômico — melhores escolas, água de beber, estradas, assistência médica — centenas de milhões de pessoas estariam vivendo melhor agora.
Traduzido por Julio Severo do artigo de Vida Humana Internacional: Exposing the Global Population Control Agenda
Leitura recomendada:
 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O dinheiro em papel não vai existir em 10 anos – o FMI e os grandes banqueiros sabem

Em painel no Fórum Econômico Mundial, líderes discutiram o futuro do universo financeiro. E ele é muito incerto
POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE
Painel sobre o futuro do mundo financeiro, em Davos (Foto: Reprodução/ YouTube)
Uma sala cheia de banqueiros e profissionais do mercado financeiro preocupados com o futuro. Quando Gillian R. Tett, editora do jornal britânico Financial Times, pergunta quem ali dentro acredita que o dinheiro de papel vai acabar, várias mãos se levantam. Mas uma delas chama mais a atenção: é a deChristine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em um painel intitulado "A transformação das finanças", no Fórum Econômico Mundial, em Davos, grandes nomes debateram nesta quarta-feira (20/01) o incerto futuro das transações financeiras.
Fintechs, moeda virtual e novas regulações. Foi um consenso que o setor está em transformação — mas é difícil saber qual é o impacto de tantas mudanças. Lagarde ressaltou que, entre os mais jovens, muitos não têm relação alguma com os bancos tradicionais. Mesmo assim, usam serviços financeiros.

Ela destaca que ainda se sabe pouco sobre moedas virtuais. De um lado, podem ser muito práticas e eficientes para o cliente. Por outro, podem ser "um grande instrumento para o crime" e "uma ameaça à estabilidade financeira e às políticas monetárias". É preciso repensar tudo. Recentemente, o FMI divulgou um documento no qual faz seus primeiros estudos em relação a essas mudanças. Com tantas acontecendo, existe uma urgência para que reguladores e instituições federais enxerguem esse movimento. Mas todos reconhecem o problema: não dá para saber muito bem o que regular. Tudo é novo.

Parcerias entre as instituições financeiras tradicionais e as disruptivas também são importantes, diz Dan Schulman, CEO do PayPal. O executivo aponta que "o maior impedimento do sucesso futuro é o sucesso do passado". Ou seja, é perigoso ficar apegado a antigos modelos. Ele defende a criação de ambientes de teste, em que seja possível "inovar com responsabilidade". Lagarde gostou da ideia: "Muito interessante, sobretudo porque bancos lidam com os bens do público e com a confiança". Ambos, devem ser protegidos, segundo ela.


Para John Cryan, co-CEO do Deutsche Bank, o dinheiro de papel não vai existir daqui 10 anos.

"É terrível e ineficiente", afirma. Segundo ele, o dinheiro é só um meio de troca. Existirão outros — e talvez não seja o Bitcoin. Ele aponta o quanto essa moeda virtual é complicada e não provou ser uma boa alternativa. Cryan diz ainda que bancos não têm aproveitado as possibilidades do big data como poderiam.

Os colegas concordam. "As chances de usar big data são enormes", diz Tom de Swaan, presidente do conselho do Zurich Insurance Group. Muita coisa teria de ser regulada, no entanto, reconhece. Ainda de acordo com ele, é difícil comandar um banco com tanta imprevisibilidade. O banqueiro sabe que algo novo está vindo, mas sem esquecer o que está acontecendo agora.

"Temos que olhar para o futuro", diz James P. Gorman, chairman e CEO do Morgan Stanley. Segundo ele, o banco passa muito tempo se dedicando a isso. Para Gorman, se você não está considerando como essas ferramentas podem mudar o setor, "não está fazendo seu trabalho". Mas faz ressalvas. Não acha que a mudança — principalmente no que se refere à moeda virtual — será imediata. "Não é ignorância, é pragmatismo."

Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa, para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis.
Apocalipse 13:16-18

sábado, 2 de janeiro de 2016

Show desvenda fundo oculto do ambientalismo




Em numerosos posts deste blog temos documentado e comentado a existência de um fundo panteísta e evolucionista que crepita dissimuladamente no ecologismo radical.

Essa visão do mundo afino com o evolucionismo marxista e o de certas escolas teológicas, como a de Teilhard de Chardin ou místicos pagãos islâmicos, por exemplo.

Infelizmente, ela irrompeu num texto de grande repercussão mundial.

Esse texto que se apresenta como uma encíclica embora não pretenda sê-lo e virtualmente ignore o nome de Jesus Cristo é a Laudato Si’.

Também em numerosos posts publicamos autorizados comentários sobre a ausência de fundamentos científicos sólidos e a consonância ideológica desse quilométrico escrito com a teologia da libertação, na sua versão mais atualizada.

A Laudato Si’ versou sobre matéria para a qual – no parecer altamente autorizado do Cardeal Pell – a Igreja Católica não recebeu mandato de Jesus Cristo para pregar.

À luz dessa afirmação, a Laudato Si’ assume o caráter de opinião de um doutor privado falando a título pessoal.

Entretanto, a projeção do show “Fiat Lux” sobre a basílica de São Pedro que pretende ilustrar essa encíclica, estarreceu a um número incontável de romanos, civis e eclesiásticos, que amam entranhadamente o templo máximo do catolicismo.

O show aprovado por autoridades vaticanas e financiado pelo Banco Mundial foi apresentado como uma forma de pressionar a COP21 nesses dias reunida em Paris para tentar aprovar uma governança mundial radical.

No show o ambientalismo mais radical se exprimiu com imagens e sons que revelam essa religiosidade panteísta que propugna um regime anarco-tribalista para a humanidade.

Até admiradores do pontificado atual, como o vaticanista Andrea Tornielli do jornal “La Stampa”, escreveram que se deles dependesse o enviesado show não deveria ter sido projetado de tal maneira desvenda pressupostos para os quais o público comum não estaria preparado.

A continuação oferecemos um comentário do catedrático de História Roberto de Mattei, autor de inúmeros livros e ganhador de alguns dos mais prestigiosos prêmios acadêmicos da Itália.

Ele descreve e comenta com equilíbrio, respeito e competência o revelador espetáculo exibido nessa noite de 8 de dezembro no Vaticano, sob a bandeira da ecologia.



SÃO PEDRO: uma basílica ultrajada
Roberto de Mattei
(1948 - )
professor de História,
especializado nas ideias
religiosas e políticas no
pós-Concilio Vaticano II.


Basilica de Sao Pedro profanada
A imagem que ficará associada à abertura do Jubileu extraordinário da Misericórdia não é a cerimônia antitriunfalista celebrada pelo Papa Francisco na manhã de 8 de dezembro, mas o retumbante espetáculo Fiat lux: Illuminating Our Common Home, que concluiu a referida jornada, inundando de sons e de luzes a fachada e a cúpula de São Pedro.

Ao longo do show, patrocinado pelo Grupo do Banco Mundial, imagens de leões, tigres e leopardos de proporções gigantescas se projetavam sobre a fachada de São Pedro, que se eleva precisamente sobre as ruínas do circo de Nero, onde as feras devoravam os cristãos.

Graças ao jogo de luzes, a basílica dava a impressão de estar de cabeça para baixo, de dissolver-se e submergir-se. Sobre a fachada apareciam peixes-palhaço e tartarugas marinhas, quase evocando a liquefação das estruturas da Igreja, privada de qualquer elemento de solidez.

Uma enorme coruja e estranhos animais voadores sobrevoavam em torno da cúpula, enquanto monges budistas caminhando pareciam indicar uma via de salvação alternativa ao Cristianismo. Nenhum símbolo religioso, nenhuma referência ao Cristianismo; a Igreja cedia lugar à natureza soberana.

Basilica de Sao Pedro profanada
Andrea Tornielli escreveu que não é preciso escandalizar-se porque, como documenta o historiador da arte Sandro Barbagallo em seu livro Gli animali nell’arte religiosa. La Basilica di San Pietro (Libreria Editrice Vaticana, 2008), foram muitos os artistas que no decurso dos séculos representaram uma luxuriante fauna em torno da sepultura de Pedro.

Mas se a Basílica de São Pedro é um “zoo sagrado”, como a define com irreverência o autor dessa obra, não é porque os animais ali representados estejam recluídos num recinto sagrado, mas porque o significado que a arte atribuiu àqueles animais é sagrado, isto é, ordenado a um fim transcendente.

Com efeito, no Cristianismo os animais não são divinizados, mas valorizados em função do fim para o qual foram criados por Deus: o serviço do homem.

Diz o Salmista: “Deste-lhe o mando sobre as obras das tuas mãos, sujeitaste todas as coisas debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e todos os bois e, além destes, os outros animais do campo” (Ps 8, 7-9).

O homem foi posto por Deus como vértice e rei da criação, e tudo deve ser ordenado em função dele, para que, por sua vez, ele ordene tudo a Deus como representante do universo (Gn 1, 26-27).

Deus é o fim último do universo, mas o fim imediato do universo físico é o homem. “De certo modo, nós somos o fim de todas as coisas”, afirma Santo Tomás (In II Sent., d. 1, q. 2, a. 4, sed contra), porque “Deus fez todas as coisas para o homem” (Super Symb. Apostolorum, art. 1).

Por outro lado, a simbologia cristã atribui aos animais um significado emblemático. Não preocupa ao Cristianismo principalmente a extinção dos animais ou o seu bem-estar, mas o significado último e profundo de sua presença.

O leão simboliza a força e o cordeiro a benignidade, para nos lembrar a existência de virtudes e perfeições diversas, que só Deus possui por inteiro.

Na Terra, uma gama prodigiosa de seres criados, da matéria inorgânica até o homem, possui uma essência e uma perfeição íntima, que se expressa mediante a linguagem dos símbolos.

Basilica de Sao Pedro profanadaO ecologismo apresenta-se como uma visão do mundo que transtorna essa escala hierárquica, eliminando Deus e destronando o homem.

Este último é posto em pé de absoluta igualdade com a natureza, numa relação de interdependência não só com os animais, mas também com os componentes inanimados do ambiente que o circunda: montanhas, rios, mares, paisagens, cadeias alimentares, ecossistemas. O pressuposto dessa cosmovisão é a dissolução de toda linha divisória entre o homem e o mundo.

A Terra forma com a sua biosfera uma espécie de entidade cósmica geoecológica unitária. Ela se torna algo mais que uma “casa comum”: representa uma divindade.

Há cinquenta anos, quando se encerrou o Concílio Vaticano II, o tema dominante naquela quadra histórica era um certo “culto ao homem”, contido na fórmula “humanismo integral” de Jacques Maritain.

O livro do filósofo francês, com esse título, é de 1936, mas sua maior influência foi sobretudo quando um leitor entusiasta, Giovanni Battista Montini, eleito Papa com o nome de Paulo VI, quis fazer dele a bússola de seu pontificado.

Na homilia da Missa de 7 de dezembro de 1965, Paulo VI recordou que no Vaticano II se produziu o encontro entre “o culto de Deus que quis ser homem” e “a religião — porque o é — que é o culto do homem que quer ser Deus”.

Cinquenta anos depois, assistimos à passagem do humanismo integral à ecologia integral; da Carta internacional dos direitos do homem à dos direitos da natureza. No século XVI, o humanismo havia recusado a civilização cristã medieval em nome do antropocentrismo. 

A tentativa de construir a Cidade do Homem sobre as ruínas da Cidade de Deus fracassou tragicamente no século XX, e baldas foram as tentativas de cristianizar o antropocentrismo sob o nome de humanismo integral.

A religião do homem é substituída pela da Terra: o antropocentrismo, criticado por seus “desvios”, é substituído por uma nova visão ecocêntrica.

A Ideologia de Gênero, que dissolve toda identidade e toda essência, insere-se nessa perspectiva panteísta e igualitária.

É um conceito radicalmente evolucionista, que coincide em grande medida com o de Teilhard de Chardin. Deus é a “autoconsciência” do universo que, evoluindo, torna-se consciente de sua evolução.

Não é casual a citação de Teilhard no parágrafo 83 da Laudato sì, encíclica do Papa Francesco na qual filósofos como Enrico Maria Radaelli e Arnaldo Xavier da Silveira salientaram pontos em desacordo com a Tradição Católica.

E o espetáculo Fiat Lux foi apresentado como um “manifesto ecologista” que pretende traduzir em imagens a encíclica Laudato sì.

Antonio Socci o definiu no jornal “Libero” como “uma encenação gnóstica e neopagã com uma inequívoca mensagem ideológica anticristã”, observando que “em São Pedro, na festa da Imaculada Conceição, em vez de celebrar a Mãe de Deus, preferiram a celebração da Mãe Terra, para propagar a ideologia dominante, a da ‘religião do clima e da ecologia’, neopagã e neomalthusiana, apoiada pelas potências do mundo. É uma profanação espiritual (porque aquele lugar — lembremo-nos — é um lugar de martírio cristão)”.

Por sua vez, escreveu Alessandro Gnochi em “Riscossa Cristiana”: “Portanto, não foi o ISIS que profanou o coração da Cristandade, nem foram os extremistas do credo laico os que danificaram o credo católico, nem os artistas blasfemos e coprolálicos os que contaminaram a fé de tantos cristãos.

Não era preciso perquisição ou detectador de metal para impedir o ingresso dos vândalos na cidadela de Deus: eles estavam no interior das muralhas e já tinham acionado a sua bomba multicolor de transmissão via satélite no calor da sala de controle.”

Basilica de Sao Pedro profanadaOs fotógrafos, os desenhistas gráficos e os publicitários que realizaram o Fiat Lux sabem o que representa para os católicos a Basílica de São Pedro, imagem material do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja.

Os jogos de luz que iluminaram a Basílica tinham uma meta simbólica, antitética àquela expressa por todas as luzes, lâmpadas e fogos que transmitiram ao longo dos séculos o significado da luz divina. Esta luz estava ausente no dia 8 de dezembro. Entre as imagens e luzes projetadas na Basílica, faltavam as de Nosso Senhor e da Imaculada Conceição, cuja festa se celebrava.

São Pedro foi imersa na falsa luz trazida pelo anjo rebelde, Lúcifer, príncipe deste mundo e rei das trevas.

A palavra “luz divina” não é apenas uma metáfora, mas uma realidade, como realidade são as trevas que envolvem hoje o mundo. E nesta vigília de Natal a humanidade aguarda o momento em que a noite se iluminará como o dia, “nox sicut dies illuminabitur” (Salmo 11), quando se cumprirão as promessas feitas pela Imaculada em Fátima.

(Fonte: Corrispondenza Romana. 11.12.2015. Este texto foi traduzido do original italiano por Hélio Dias Viana.)

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