sábado, 22 de março de 2014

NSA pode interceptar todas as conversas telefônicas em país alvo de espionagem

Segundo 'Washington Post', programa dá acesso retroativo a telefonemas

O presidente americano Barack Obama fala ao telefone na Casa Branca
O presidente americano Barack Obama fala ao telefone na Casa Branca (AFP)
A Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos desenvolveu um programa capaz de armazenar o áudio de "100%" das ligações telefônicas realizadas em um país estrangeiro. A informação foi publicada nesta terça-feira pelo Washington Post, com base em documentos vazados pelo ex-analista de inteligência  Edward Snowden e informações fornecidas por pessoas ligadas ao programa. Uma dessas fontes comparou o programa a uma 'máquina do tempo', que permite à agência revisar conversas até um mês depois de terem sido gravadas.

A operação de interceptação de voz chamada Místico teve início em 2009. Sua ferramenta Retro – de “recuperação retrospectiva” – atingiu plena capacidade contra o primeiro país que foi alvo do programa, em 2011. Documentos de planejamento apontaram operações similares em outros países. No entanto, por solicitação de autoridades americanas, o Washington Post não divulgou detalhes que possam identificar os países que foram alvo da espionagem por meio do Místico.

Todas as ligações telefônicas feitas dentro do país espionado são armazenadas por até 30 dias em um sistema desenvolvido pela NSA. Todo mês, bilhões de gravações são deletadas e substituídas por novas captações de áudio. Os analistas escutam apenas 1% das ligações interceptadas, mas ainda assim enviam milhões de registros de áudios para serem armazenados por mais tempo pela agência. O restante é deletado pelo sistema de forma definitiva.

A existência do programa contradiz mais uma vez os discursos feitos pelo presidente americano Barack Obama sobre os métodos de espionagem empregados pela NSA. O democrata chegou a afirmar que a agência toma todo o cuidado necessário para investigar as comunicações relacionadas apenas a suspeitos e preservar a privacidade de cidadãos comuns. Em outro pronunciamento, o democrata afirmou que "ninguém estava ouvindo" as ligações de cidadãos comuns. O programa, no entanto, intercepta o áudio das ligações “sem usar nenhum fator discriminante”, conforme assinalou o jornal. A publicação afirma que a maioria das conversas interceptadas pelo Retro são irrelevantes para assuntos da segurança nacional.

Outro ponto que contradiz a administração Obama se refere à espionagem de americanos que telefonam, visitam e trabalham no país tido como alvo. Em 17 de janeiro, o mandatário disse que “os Estados Unidos não estão espiando pessoas que não ameaçam a segurança nacional” e prometeu que tomaria medidas para garantir a privacidade de cidadãos estrangeiros.
A NSA não quis comentar “atividades específicas de inteligência”. Segundo a porta-voz Vanee Vines, “reportar de forma contínua e seletiva as técnicas específicas que legitimam a inteligência externa dos Estados Unidos é prejudicial para a segurança nacional americana e de seus aliados”. A porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Caitlin Hayden, afirmou que “novas ameaças costumam se esconder no amplo e complexo sistema de comunicações global, e os Estados Unidos devem coletar sinais para identificar essas ameaças”.

Fonte: www.veja.abril.com.br
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