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sábado, 23 de junho de 2012

Rio+20 e a Nova Ordem Mundial - Parte II

Por uma Nova Ordem MundialPor uma Nova Ordem Mundial (Photo credit: Caetano J.)
Diversos grupos e diversas ONGs que participaram da Rio+20 estão imbuídos da mentalidade da Nova Era e, de forma clara, aderiram à espiritualidade e à educação gaiana. A educação gaiana, a Gaia Education, é um projeto global que tem por escopo capacitar pessoas para a "sustentabilidade".

No artigo anterior afirmei que a Rio+20 é um evento inserido na agenda da Nova Ordem Mundial, a qual propõe uma espiritualidade anticristã, o abortismo, a supressão gradual das liberdades civis e da soberania dos Estados.
 No presente artigo procurarei apresentar mais fatos e informações a respeito.
1. Construindo uma nova espiritualidade 
Os construtores da Nova Ordem Mundial sabem que não podem abolir as religiões da face da Terra. O apelo à transcendência está presente em todas as sociedades humanas. Para contornar essa impossibilidade, os planificadores globais promovem a nova religião, a chamada Nova Era.
A Nova Era não é propriamente uma religião, mas tão somente um simulacro de religião, que se apropria indevidamente de elementos de diversas tradições religiosas e os mistura com um discurso pretensamente “científico” e com técnicas psiquicas, mantras, programação neorolinguística e autoajuda. Trata-se de uma “religião” biônica e universal criada em laboratório com vistas a suprir a demanda religiosa durante a construção da Nova Ordem Mundial. Em tempo hábil, a Nova Era será descartada, mas enquanto isso não acontece, ela servirá como um pano de fundo religioso legitimador da governança global. A Nova Era precede o pesadelo tecnocrático e científico de Aldous Huxley em o Admirável Mundo Novo.


A Nova Era não é uma “religião” institucionalizada, com um corpo coeso de doutrinas e ritos, ela é um movimento e, enquanto tal, já possui - por força dos inúmeros grupos, seitas e submovimentos que para ela concorrem - certa autonomia, ou seja, já se apresenta como um simulacro suficiente de religião nesses tempos de materialismo cafona e conta com número significativo de adeptos.

Contudo, a Nova Era ainda precisa parasitar as grandes tradições religiosas, ou para corroê-las por dentro ou para fisgar novos adeptos à nova espiritualidade global.

Engana-se quem pensa que a Nova Era limita-se a parasitar as filosofias e as religiões orientais e as crenças animistas. Na atual etapa, a Nova Era é usada para forjar a unificação das religiões e para isso se infiltra também nas religiões do ramo semítico, mormente no Cristianismo[1].

A construção de uma “religião” global passa pela promoção de um ecumenismo indecente entre as tradições religiosas e pelo resgate de mitos antigos como o mito de Gaia.

Por meio da Hipótese de Gaia James Lovelock, um dos founding fathers do aquecimentismo antropogênico[2], não apresentou somente uma hipótese científica pela qual se considera a Terra um ser vivo em busca de seu autoequilíbrio, mas também resgatou o mito de Gaia, a Terra, ou Mãe Terra, mito esse que veio a ser usado no bojo da nova espiritualidade da Nova Era.

Na Teogonia de Hesíodo, Gaia é uma divindade, uma potestade ou divindade originária[3].

Pode-se dizer que o culto a Gaia serve a uma concepção panteísta de Deus. No entanto, nesse culto a própria ideia de Deus acaba sendo deixada de lado, pois o que se cultua não é um suposto deus na natureza, imanente, mas a natureza em si: diviniza-se a natureza.  
O culto a Gaia se presta a dois fins imediatos: além de romper com a noção de transcendência, acaba por suprir a demanda feminista por um sagrado feminino. 
A noção de transcendência que se perde é a noção de que existe um Deus criador, que embora também seja imanente, está para além do tempo, além do mundo e de sua criação. Ao se perder essa noção, o homem deixa de se sentir uma criatura que tem sua própria relação com o transcendente. Na linguagem new ager ou somos todos deuses ou somos uma massa celular compactada regida quase que exclusivamente por reações bioquímicas e ou por “energias”[4]. O próprio Deus - quando permitem falar Dele - é reduzido a uma mera energia.
Entretanto, essa perda deixa um vácuo que precisa ser preenchido por uma transcendência artificializada. É por essa razão que os movimentos new agers se valem de correntes místicas e esotéricas ou pseudo-esotéricas das mais diversas com o fito de promover uma suposta “iluminação”.
A Nova Era é tida como a era do “novo tempo”, a Era de Aquários, a Era pós-cristã.
E qual é a relação da Rio+20 com essa história?
Só com uma olhada rápida e descuidada é difícil identificar com clareza a relação da Rio+20 com a Nova Era. No entanto, quando se vai um pouco mais a fundo a relação começa a se tornar evidente.
Diversos grupos e diversas ONGs que participaram da Rio+20 estão imbuídos da mentalidade da Nova Era e, de forma clara, aderiram à espiritualidade e à educação gaiana. A educação gaiana, a Gaia Education, é um projeto global que tem por escopo capacitar pessoas para a "sustentabilidade".  No Brasil, a educação gaiana é promovida pela ONG Terra UNA. A Gaia Education e seus representantes brasileiros estão na Rio+20.
Mas o que mais evidenciou a relação da Rio+20 com a Nova Era foi a Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, que foi

“um evento organizado pela sociedade civil global que acontecerá entre os dias 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro – paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD), a Rio+20”[5].

Na Cúpula dos Povos foi montanda uma Tenda chamada Gaia Home, na qual froam realizados rituais que mostraram bem a nova espiritualidade que orienta a Rio+20.
Dança da Paz na Rio+20
Não se pode dissociar essas iniciativas notoriamente religiosas, ou melhor, pseudo-religiosas, com as atividades da URI (United Religions Initiative), que é hoje um tentáculo da ONU. No entanto, ações as quais dá suporte são observadas desde o século XIX, visando, em nome da tolerância e pluralidade religiosa, neutralizar a influência das grandes religiões; o principal alvo é o cristianismo, bem como fortalecer idéias como o controle populacional, uma “ética global” coletivista, e reduzir as religiões à mera militância em prol “de um mundo melhor”, ao mero ativismo social. 
O livro de Lee Penn, False Dawn, traz praticamente tudo o que é necessário saber a respeito da URI, e logo se percebe porque eventos como a Rio+20 são como são.
A nova espiritualidade global é uma espiritualidade sem Deus; é uma espiritualidade onde não há pecado, nem pecadores, mas tão somente semi-deuses “iluminados” e “libertos”, partícipes da ”nova consciência universal” definida de antemão pelos novos Concílios Ecumênicos, formados pela ONU e pelas ONGs (cujos líderes são como patriarcas que representam a massa dos fiéis da sociedade civil global).
2. Aborto para a sustentabilidade
A legalização do aborto por todos os cantos do mundo é um dos objetivos mais caros da agenda da Nova Ordem Mundial.
O aborto em escala global é defendido e patrocinado por diversos atores da Nova Ordem Mundial (ONU[6], OMS[7], Fundação Ford[8], etc.).  
A Rio+20 – conforme fora destacado no artigo anterior – faz parte da agenda da Nova Ordem Mundial. Por essa razão, as ONGs, as representantes da “sociedade civil global” na Rio+20, defenderam a legalização do aborto como uma medida necessária para a promoção do desenvolvimento sustentável[9].
A defesa do aborto por ONGs visa dar a impressão de que é a sociedade que almeja a prática “sustentável” do aborto.
Essa postura das ONGs na Rio+20 não deve causar espécie. As ONGs globalistas, muito bem financiadas por fundações bilionárias, estão fazendo o que foram pagas para fazer; estão atendendo, pavlovianamente, ao chamado de seus senhores.
Doravante, já se pode falar em “aborto verde”, “aborto sustentável” ou, quiçá, “bioaborto”.
3. “Governança Mundial”   
A soberania dos Estados é um óbice para a construção de uma Nova Ordem Mundial e de um Governo Mundial. Os globalistas não se cansam de criar estratégias para superar o conceito “retrógrado” de soberania. Em novilíngua, é preciso “avançar”...
O globalismo de cepa ocidental é sofisticado, sedutor, e forjado com muita paciência. Esse globalismo não é propriamente uma novidade[10], no entanto, sua efetiva articulação é mais recente.
Da década de 1950 para cá é possível se constatar o fortalecimento e a aceitação do discurso globalista. Contudo, a propositura de um Governo Mundial propriamente dito só surge na década de 1990[11].
Para tornar palatável a ideia de um Governo Mundial os globalistas inventaram a expressão eufemística “Governança Global”.
Como tentáculos da Nova Ordem Mundial, as melancias totalitárias reunidas na Rio+20 promovem abertamente a dita “governança global”.
Os mentores do governo mundial viram na questão ambiental um meio eficaz para legitimar a criação de um poder global centralizado. Para tanto, exploram-se até a exaustão problemas transfronteiriços (p. ex.: chuva ácida, questão dos refugiados ambientais, etc.) e ou regionais com vistas a transformá-los em problemas globais que demandam soluções globais. Assim, foram elaborados uma série de documentos enfatizando a “necessidade” de uma Governança Global para se proteger o meio ambiente e se promover o desenvolvimento sustentável. 

Porém, antes de defenderem enfaticamente um Governo Mundial os planejadores globais destacaram a importância de haver uma Organização Mundial para o desenvolvimento sustentável. Assim, em 2002, o relatório International Sustainable Development Governance.The Question of Reform: Key Issues and Proposals da Universidade das Nações Unidas já defendia a centralização política da questão ambiental na World Environment Organisation (WEO).
Na esteira desse relatório foram elaborados outros relatórios: em 2008, o International Institute for Sustainable Development (IISD) publicou um texto chamado Governança Ambiental Global: Quatro Passos para Coerência segmentada: Uma Abordagem Modular e em 2010, o Instituto Fritjof Nansen publicou o relatório International Environmental Governance; também 2010 o Stakeholder Forum elaborou, já visando a Rio+20, o Artigo de Discussão 1: Governança Internacional para o Desenvolvimento Sustentável e Perspectiva Iniciais para Rio +20.

Superada a fase preparatória, os globalistas já se permitem falar em Governança Global sem, contudo, os usuais e limitantes subtítulos. Nesse sentido, merecem destaque as Propostas Para uma Nova Governança Mundial, as quais foram elaboradas tendo em vista a Conferência Rio+20[12]. Dentre as propostas vale destacar a instituição de um Tribunal Internacional do Meio Ambiente e a constituição de uma força armada mundial independente dos Estados.

Por fim, merece destaque o texto Caminhos e Descaminhos para a Biocivilização  disponibilizado pelo Portal Rio+20. O texto propõe uma transformação no paradigma civilizatório no sentido de se criar uma Biocivilização. O texto fala em “desprivatização da família”, critica uso de carros, manifesta indignação com os sistemas de segurança e vigilância dos prédios e condomínios (vistos como meios de exclusão social), traz a propriedade privada intelectual como um elemento “negador de humanidade”, defende que o “princípio da propriedade individual da terra” deve ser posto radicalmente em questão e, por fim, defende “o diálogo intra e inter movimentos que permita sínteses novas combinando tudo o que significa o bem viver dos povos indígenas,com o cuidado das feministas (???), o conhecimento compartilhado das plataformas do software livre e do copyleft, da agroecologia e economia solidária, sem contar o que vem da ecologia profunda e a ética ecológica”. O diálogo entre os diversos “sujeitos coletivos” é tido como “um novo modo de fazer política”; um “mosaico dinâmico e de múltiplas possibilidades da nascente cidadania planetária”.
4. Declaração final da Rio+20 – “The future we want”
A declaração final da Rio+20, The future we want, por ser uma declaração oficial, adota, ardilosamente, um tom leniente. A Declaração, de forma estratégica e sedutora aponta a necessidade de se erradicar a pobreza, coloca o ser humano no centro do desenvolvimento sustentável e reafirma a importância da liberdade, da segurança, do estado de direito e dos direitos humanos, dando assim, a impressão de que se trata de um evento voltado tão somente para resolução de problemas e para a valorização da vida humana. Isso é só estratégia discursiva.
A Declaração Final da Rio +20 reafirma os princípios da Rio 92 e os planos de ação anteriores, ou seja, reafirma a agenda novordista que a precedeu. Destarte, traz novamente o discurso da necessidade e urgência de se enfrentar as mudanças climáticas e, alinhada com as propostas anteriores de redução da população mundial, enfatiza a promoção do planejamento familiar e dos direitos sexuais e reprodutivos de mulheres e jovens:

Reafirmamos nuestro compromiso con la igualdad entre los géneros y la protección de los derechos de la mujer, los hombres y los jóvenes a tener control sobre las cuestiones relativas a su sexualidad, incluido el acceso a la salud sexual y reproductiva, y decidir libremente respecto de esas cuestiones […].
A defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres é uma forma sofisticada de se promover a agenda abortista.
Quanto à promoção de direitos sexuais aos jovens, vale dizer que há aí a tentativa de retirar a autoridade dos pais sobre seus filhos. O objetivo é fazer com que os jovens exerçam, precocemente e sem quaisquer impedimentos, a sexualidade. Eis aí uma aplicação concreta da “desprivatização” da família.
Ademais, a Declaração reconhece a importância internacional da expressão “Mãe Terra” (“Madre Tierra”).  

 Conclusão:

Tal como Hitler, Stálin e Mao, as melancias totalitárias propõem um novo homem e uma nova civilização.

A Rio+20 não é um evento espiritualmente neutro, afinal a ONU não é, e a existência da URI é prova disso. Ela está alicerçada num projeto que visa construir uma nova espiritualidade global.
Nessa espiritualidade, o ser humano é colocado no mesmo plano das galinhas e das árvores. Na Nova Era, a morte de um ser humano é análoga a uma espinha que estoura, ao furúnculo que é expelido. É por isso que as ONGs defenderam o aborto como uma prática sustentável. Matar bebês no ventre de suas mães, nesses tempos de duplipensar, não é violência é “não violência”, é paz.
Os biocidadãos new agers se postam contra as guerras e promovem uma cultura de “paz” e “não violência”, o que parece ser uma coisa bonita, pois afinal, quem é que gosta de guerra, dor e sofrimento?

Contudo, a sustentabilidade new ager, “gaiana”, não dispensará o uso da força para se impor. Um exército mundial certamente será o braço armado da solução ambiental global que marchará contra os povos, as religiões e os Estados não dispostos a se prostrar perante um poder temporal, global, ilegítimo e antidemocrático.   
A despeito de eventuais propostas bem intencionadas e razoáveis, a Rio+20 é um evento enraizado numa cosmovisão desumanizadora e totalitária.
O espetáculo de bom mocismo e engajamento cidadão da Rio+20 é falsa luz é falsa paz. É a paz sem Deus; é a paz da Nova Ordem Mundial; é a paz do Governo Mundial.  

Notas:



[1] Para se ter uma ideia do grau de infiltração da Nova Era dentro do Cristianismo – e também no Judaísmo, diga-se – basta notar que há uma organização chamada National Religious Partnership for the Environment, uma coalisão inter-religiosa que envolve judeus, católicos, protestantes e ortodoxos em torno da “causa” do meio ambiente. Já há quem denuncie que a organização está tentando inculcar nas pessoas o culto a Gaia. Outro exemplo trágico é a Campanha da Fraternidade de 2011, cujo hino oficial chama a Terra de “Nossa mãe” e, incorporando plenamente o conceito de Gaia trazido por Lovelock, diz que a Terra é uma “criatura viva” que “respira, se alimenta e sofre”. 

[2] Recentemente James Lovelock admitiu que suas projeções alarmistas estavam equivocadas.


[3] Cf. HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. São Paulo: Iluminuras, 2007.


[4] Eric Voegelin provavelmente enxergaria esse processo como um processo de “rebaixamento da substância de ordem do logos, na hierarquia ontológica, para o nível das substâncias orgânicas e dos impulsos” (VOEGELIN, Eric. Bases morais necessárias à comunicação numa democracia. Caderno de Ciências Sociais Aplicadas, Curitiba, n. 5, 2002, p. 09-10). 
[5] Cúpula dos Povos: http://cupuladospovos.org.br/o-que-e/
[6] A título de exemplo, vale a pena conferir o seguinte documento: Human Rights Committe - Second Periodic Report - CCPR/C/BRA/2004/2 - 11 April 2005. Disponível em: http://www.unhchr.ch/tbs/doc.nsf/0/1cfb93fe59fa789ec125703c0046a987/$FILE/G0541019.pdf
[7] Cf. ESSIG, Andrew M. The World Health Organization’s Abortion Agenda. New York: IORG, 2010.
[8] A própria Fundação Ford reconhece seus financiamentos ao movimento pró-aborto. Para conferir isso, basta procurar pelos relatório anuais dessa fundação (Ford Foundation Annual Report) e fazer uma busca com as expressões “abortion” e “reproductive rights”.
[9] Cf.: http://g1.globo.com/natureza/rio20/noticia/2012/06/na-rio20-ongs-estrangeiras-defendem-legalizacao-do-aborto.html

[10] Kant, em seu opúsculo dedicado À Paz Perpétua, já propunha no segundo artigo para a paz perpétua que “o direito internacional deve fundar-se em um federalismo de Estados livres”, o “Estado dos povos, que por fim viria a compreender todos os povos da terra”[11]. Ora, o “Estado dos povos”, de todos eles, reunidos sob um “federalismo de Estados livres”, em uma ordem internacional só pode significar uma Federação Mundial que demanda necessariamente um Governo Mundial (Cf. KANT, Immanuel. À paz perpétua. Porto Alegre, RS: L&PM, 2008, p. 31 e 36).
[11] Um dos primeiros discursos abertos e, por assim dizer, “oficiais” (no âmbito da ONU), no sentido de se construir um Governo Mundial é o texto de Jan Tinbergen encontrado no Human Development Report 1994. Nesse texto Tinbergen diz: “Mankind’s problems can no longer be solved by national governments. What is needed is a World Government. This can best be achieved by strengthening the United Nations system” (UNITED NATIONS DEVELOPMENT PROGRAMME. Human development report 1994. Disponível em: http://hdr.undp.org/en/media/hdr_1994_en_chap4.pdf).
[12] IBASE/FÓRUM PARA UMA NOVA GOVERNANÇA MUNDIAL. Propostas para uma Nova Governança Mundial. Disponível em:  http://rio20.net/wp-content/uploads/2011/07/Propuestas_nueva_Gob_mundial_PT.pdf


Fonte: www.midiasemmascara.org
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Um mundo anticristão

Um mundo anticristão



Enquanto os cristãos são perseguidos implacavelmente nos países muçulmanos e só não são jogados aos leões por falta de leões, no Ocidente supostamente "cristão" também há uma perseguição, só que em nome do secularismo.

Às vezes essa perseguição é realizada em nome da "separação entre Igreja e Estado" e do "respeito às demais religiões". No outro dia, descobriu-se que uma agenda estudantil distribuída para quase quatro milhões de alunos da Comunidade Européia não mencionava os feriados cristãos de Natal e Páscoa, embora mencionasse feriados muçulmanos, judeus, chineses e até hindus. A desculpa do comitê que criou o calendário afirma que foi tudo "um simples engano". A agenda, que é distribuída gratuitamente mas custa bem caro ao contribuinte, é um festival de propaganda da Comunidade Européia. Suas páginas de conteúdo editorial podem ser lidas aqui, mas não consegui ter acesso ao calendário.

Alguns dirão que é um fato sem importância. Pode ser, mas observe que sempre que há críticas à "religião" por secularistas, quase sempre esta religião é a cristã. No outro dia houve até a notícia (depois desmentida) que Dilma teria retirado um crucifixo da sua sala. Várias vezes ocorreram casos similares nos EUA, de símbolos religiosos retirados de espaços públicos. Na arte moderna, então, a crítica aos símbolos religiosos é total. Só que tais símbolos são quase sempre cristãos. Com os muçulmanos, poucos têm coragem de mexer.

Praticantes das outras religiões podem dizer o que quiserem. Os cristãos são vigiados constantemente por qualquer lapso verbal.

Fosse apenas a questão simbólica, nem seria tão grave. Mas atos como a promoção do aborto irrestrito (em alguns casos realizados com tesouradas em bebês vivos de oito meses já saídos do útero), do casamento homossexual e da eutanásia, quando não a insinuação da validade moral do incesto e até da pedofilia, são certamente tentativas de ir contra a antiga moral cristã.

Eu disse pedofilia? Certamente. Embora hoje esta seja chamada mais corretamente de "contato sexual intergeneracional". Eis aqui um "estudioso" afirmando, não apenas que o sexo intergeneracional pode ser positivo, mas argumentando que as próprias crianças estariam sendo vítimas dos malvados antipedófilos ao terem negada a oportunidade de se desenvolver sexualmente... (Artigo publicado em importante periódico de educação sexual.)

Não é preciso ser cristão para horrorizar-se com os arautos "científicos" da pedofilia ou com os métodos abortistas de Kermit Gosnell, é claro. Trata-se de casos extremos. Mas os cristãos são os maiores críticos desse niilismo pós-moderno, e são também suas maiores vítimas.

Enquanto alguns deliram sobre a "opressão papista", o cristianismo é a religião mais perseguida no mundo, dentro e fora de seus países de origem.

(PS: Sou um mau cristão e nem vou à missa. Sou um reles pecador e nem sei se acredito em Deus. Mas, ao ler sobre certos horrores, quase passo a crer na existência do Diabo. No creo en brujas, pero que las hay, las hay.)

Excerpted from Mídia Sem Máscara - Um mundo anticristão

http://www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/perseguicao-anticrista/11794-um-mundo-anticristao.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+midiasemmascara+%28MSM%29

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domingo, 4 de julho de 2010

Avatar e a vindoura religião mundial única

Opening logo to the Avatar filmImage via Wikipedia


Avatar e a vindoura religião mundial única

O filme Avatar*, de James Cameron, é um fascinante e arrebatador sucesso nos cinemas. Seus efeitos especiais são tão tremendos que transportam a audiência vividamente para um outro mundo, no qual adorar uma árvore e ter comunhão com espíritos não são apenas aceitáveis, mas atraentes. Avataré também marcadamente panteísta e essencialmente o evangelho segundo James Cameron. Esse tema panteísta, que iguala Deus às forças e leis do Universo, é apresentado claramente pelos heróis e heroínas do filme: todos adoram Eywa, a deusa “Mãe de Tudo”, que é descrita como “uma rede de energia” que “flui através de todas as coisas viventes”.

Sobretudo, o filme é repleto de mágica ritualística, comunhão com espíritos, xamanismo, e descarada idolatria, de forma que condiciona os espectadores a acreditarem nessas mentiras do ocultismo pagão. Além disso, a platéia é levada a simpatizar com o Avatar e termina torcendo por ele quando é iniciado nos rituais pagãos. No final, até mesmo a cientista-chefe torna-se pagã, proclamando que está “com Eywa, ela é real” e que ficará com Eywa após sua morte.

Enquanto a representação fictícia de James Cameron a respeito da religião da natureza presta-se muito bem à mentira da Nova Era de que as religiões dos nativos americanos [indígenas] eram favoráveis à vida e inofensivas, a representação dos sacerdotes maias em Apocalypto (de Mel Gibson), devedores de divindades sedentas por sangue, que exigiam o sangue de suas vítimas sacrificiais, estava muito mais perto da verdade. A maneira adocicada e romântica com que James Cameron mostra os selvagens e os antigos cultos à natureza em Avatar é oposta aos fatos encontrados em antigos códices e achados arqueológicos: estes revelam que os astecas, os maias e os incas estavam todos envolvidos em sacrifícios humanos em massa, inclusive tomando a vida de criancinhas inocentes para apaziguar seus deuses demoníacos.

O tema panteísta, que iguala Deus às forças e leis do Universo, é apresentado claramente pelos heróis e heroínas De Avatar: todos adoram Eywa, a deusa “Mãe de Tudo”, que é descrita como “uma rede de energia” que “flui através de Todas as coisas viventes”.

Conhecendo o histórico das obras de James Cameron em atacar o cristianismo, e especialmente a ressurreição de Cristo no documentário absolutamente desacreditadoThe Lost Tomb of Jesus[exibido no Brasil como “O Sepulcro Esquecido de Jesus” e lançado em DVD como “O Sepulcro Secreto de Jesus”], não deveria nos surpreender que ele escrevesse e dirigisse uma propaganda de 300 milhões de dólares para promover o culto à natureza e aos espíritos.

Claramente, Hollywood tem tido uma influência persistente em arrancar os EUA [e o Ocidente] de suas raízes cristãs conservadoras e levá-los a crenças e práticas do ocultismo da Nova Era. O panteísmo atrai a turma de Hollywood porque ensina que todos somos Deus e que não precisamos nos preocupar em sermos obedientes ou em prestarmos conta diante de um Deus pessoal que criou o Universo. Entretanto, não são apenas os diretores [de cinema] que rejeitam a Cristo que estão buscando fazer com que o mundo abrace a adoração à Terra sob a máscara de sua imaginária Deusa-Mãe Terra; é também o próprio líder do movimento do aquecimento global, Al Gore.

Em seu livro Earth in the Balance, Gore sugere que voltemos à adoração da natureza e eleva várias seitas de adoradores da natureza e religiões dos nativos americanos ao status de modelo para nós:

Essa perspectiva religiosa pan** poderá mostrar-se especialmente importante no que se refere à nossa responsabilidade pela terra como civilização global. (...) As religiões dos nativos americanos, por exemplo, oferecem um rico conjunto de idéias sobre nosso relacionamento com a terra. (...) Todas as coisas estão interligadas como o sangue que nos une a todos.[1]

Buscando uma síntese da Nova Era que combine várias tradições do ocultismo, Gore cita e favorece o ensinamento hinduísta, dizendo: “A Terra é nossa mãe, e nós todos somos seus filhos”.[2] Incrivelmente, mais adiante Gore afirma que deveríamos buscar novas revelações a partir dessa adoração da deusa do passado e culpa o cristianismo pela quase total eliminação da mesma:

O sentido espiritual de nosso lugar na natureza... pode ser traçado de volta às origens da civilização humana. Um crescente número de antropólogos e de arqueomitólogos... argumenta que a ideologia da crença prevalecente na Europa pré-histórica e em grande parte do mundo estava baseada na adoração de uma única deusa da terra, que se supunha ser a fonte de toda a vida e irradiadora de harmonia em meio a todas as coisas viventes. (...) O último vestígio de culto organizado à deusa foi eliminado pelo cristianismo. (...) Parece óbvio que um melhor entendimento de uma herança religiosa que precede a nossa própria por tantos milhares de anos poderia nos oferecer novas revelações.[3]

Não são apenas os diretores [de cinema] que rejeitam a cristo que estão buscando fazer com que o mundo abrace a adoração à terra sob a máscara de sua imaginária deusa-mãe terra; É também o próprio líder do movimento do aquecimento global, Al Gore [ex-vice-presidente dos EUA].

Gore prossegue declarando que precisamos encontrar uma nova religião baseada na natureza e cita Teilhard de Chardin, o teólogo da Nova Era, em apoio à “nova fé” do futuro:

Esse ponto foi sustentado pelo teólogo católico Teilhard de Chardin, quando ele disse: “O destino da humanidade, assim como o da religião, depende do surgimento de uma nova fé no futuro”. Munidos de tal fé, poderemos achar possível ressantificar a terra.[4]

Com os diretores de vanguarda de Hollywood e as figuras políticas de Washington na liderança, os EUA [e o Ocidente] estão rapidamente voltando ao paganismo que envolveu o mundo em trevas espirituais durante milênios. Que Deus nos ajude a prestar mais atenção à admoestação do apóstolo Paulo, encontrada nas Sagradas Escrituras. Ele nos ensinou que a adoração à natureza nos tempos da Antigüidade era resultado do afastamento da adoração ao único e verdadeiro Deus que, para começar, foi quem criou a natureza:

“Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém” (Rm 1.21-25). (Joe Schimmel –www.goodfight.org - http://www.chamada.com.br)

* Segundo o hinduísmo, avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal. Deriva do sânscrito Avatara, que significa “descida”, normalmente denotando uma encarnação de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade. Por extensão, muitos não-hindus usam o termo para denotar as encarnações de divindades em outras religiões.

** Pan: palavra de origem grega que significa “tudo, todas as coisas”.

Notas:

1. Al Gore, Earth in the Balance – Ecology and the Human Spirit [A Terra em Equilíbrio – A Ecologia e o Espírito Humano], 1992, p. 258-259).
2. Ibid. p. 161.
3. Ibid. p. 260.
4. Ibid. p. 263.

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, março de 2010


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