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terça-feira, 1 de maio de 2012

CISPA: A internet encontra um novo inimigo

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CISPA: A internet encontra um novo inimigo

Uma parte da legislação de segurança cibernética que passou no comitê de inteligência da câmara durante o clamor anti SOPA em dezembro passado pode em breve se tornar o próximo arqui-inimigo da internet.

Por Jef Boone

A internet começou a emitir um chamado as armas no final de semana enquanto ativistas tiveram notícia da legislação de segurança cibernética agora sendo alardeada por seus oponentes como a mais recente versão de SOPA e mais novo inimigo da web.

The Cyber Intelligence Sharing and Protection Act(Lei de Partilha e Proteção de Informação Cibernética-CISPA, em inglês) silenciosamente escapou do comitê durante o alvoroço sobre SOPA em dezembro passado. Enquanto SOPA se concentrava em permitir que detentores de direitos autorais e o judiciário americano combatessem o que era considerado ser pirataria online, CISPA gira em torno da troca de informações entre empresas privadas e o governo dos Estados Unidos para combater ameaças de segurança cibernética.
"Um projeto de lei que prevê a partilha de certas ameaças de inteligência e de informações cibernéticas entre a comunidade de inteligência e as entidades de segurança cibernética e para outros propósitos", pode-se ler no texto do relativamente breve do projeto de lei.

Tal como está, CISPA emendaria a Lei de Segurança Nacional de 1947 e permitiria ao Diretor Nacional de Inteligência estabelecer parâmetros sobre quais informações confidenciais relativas a ameaças de segurança cibernética seriam partilhadas com o setor público.
Numa enxurrada de tweets, petições, postagens do Reddit, a internet começou a tomar medidas contra a legislação depois que Mike Masnick do Techdirt compôs uma postagem no blog trazendo atenção para o projeto de lei. Na postagem Masnick articulou uma necessidade premente de se levantar contra a legislação antes que ela seja submetida a votação no plenário da câmara, é provável que ocorra no próximo mês.

"O projeto de lei é horrível, e mesmo assim já ganhou mais de 100 patrocinadores. Em uma tentativa de fingir que esse não é um problema como a "SOPA", os apoiadores desse projeto de lei estão destacando o fato de que o Facebook, a Microsoft e a TechAmerica estão apoiando o projeto de lei," escreveu Masnick.

Surpreendendo os ativistas da internet, masnick também chama a atenção para a longa lista de apoiadores corporativos que inclui websites de mídia social, companhias de telecomunicações e fornecedores do governo.

A Electronic Frontiers Foundation saiu em oposição ao projeto de lei no mês passado, argumentando que a legislação visa diretamente denunciantes anti-governistas.

"A linguagem é tão ampla que poderia ser usada como um instrumento contundente para atacar websites como o Pirate Bay ou Wikileaks," escreveu Rainey Reitman da EFF.

Os apoiadores do projeto de lei argumentam que o setor privado americano é muito mais vulnerável a ataques cibernéticos efetuados por criminosos online, grupos hackers e espionagem cibernética realizados por governos estrangeiros.

"Todos os dias os negócios americanos são atacados por atores de estados nação como a China para exploração e roubo cibernético. Esse consistente e sistemático roubo resulta em enormes perdas de valiosa propriedade intelectual, informação sensível e empregos americanos. A ampla base de apoio para este projeto de lei mostra que o congresso reconhece a urgente necessidade de ajudar nosso setor privado a melhor se defender desses ataques insidiosos," disse o patrocinador da CISPA deputado Mike Rogers em uma declaração publicada em seu website.

Mas enquanto os ativistas se preparam para uma luta e os legisladores se preparam para votar, especialistas em segurança cibernética argumentam que a CISPA é, de fato, menos sinistra do que parece e certamente não é a reencarnação da SOPA.
"O risco para a privacidade e a liberdade são muito menores com a CISPA. As intenções, pelo menos, são honestas e todas para o bem, disse Richard Stiennon, analista chefe de pesquisa na IT-Harvest, uma empresa de análise de risco concentrada em tecnologia, e autor do livro "Sobrevivendo a Guerra Cibernética".
Parte das boas intenções da CISPA inclue um esforço para vencer a antiga lacuna de comunicação entre diferentes ramos da comunidade de inteligência, o setor privado e o governo em questões de segurança cibernética. Ainda, Stiennon diz, a CISPA fica muito aquém de resolver uma questão tão importante.
"O maior problema que o governo enfrenta agora é a falta de compartilhamento de informação entre seus vários setores e agências. Compartilhamento de inteligência cibernética entre agências federais e o setor privado é severamente limitada. [CISPA] tenta tratar disso, mas eu acredito que isso não vai ter sucesso por causa dos requerimentos de classificação e certificação. Posso ver ainda outro atoleiro de burocracia sendo construído ao redor desses requerimentos. Se uma agência federal sabe que uma determinada empresa americana está sendo alvo ela apenas deveriam conta a eles?", disse Stiennon.
Com o protesto público crescendo e a internet disparando uma salva de abertura, a CISPA pode enfrentar o mesmo nível de oposição que derrubou a SOPA no ano passado. Uma diferença chave, contudo, é o apoio do setor privado para a CISPA. Sem empresas como Google e Wikipedia apoiando ombro a ombro com ativistas individuais, é menos provável que a CISPA enfrente o mesmo nível de oposição apresentado contra a SOPA, seja ela uma maligna repressão da liberdade de espressão na internet ou apenas uma outra camada benigna de gigantesca burocracia.
Fonte: www.globalpost.com

P.S.: A Microsoft retirou o apoio a essa legislação esta semana, exatamente por temer questões relativas a privacidade.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Projeto de lei Cispa: conheça 5 preocupações de privacidade

2507_facebookspy_1_460x2302507_facebookspy_1_460x230 (Photo credit: Inmediahk)

Projeto de lei Cispa: conheça 5 preocupações de privacidade

A Cyber Intelligence Sharing and Protection Act (Cispa – Lei de proteção e compartilhamento de ciberinteligência) trata a privacidade das pessoas de maneira inaceitável?

Essa é uma crítica feita a Cispa, o projeto de lei de cibersegurança apresentado pelos deputados Mike Rogers (Michigan) e Dutch Ruppersberger (Maryland), em novembro de 2011. Muitos especialistas em privacidade disseram que o projeto de lei, que se foca no monitoramento do governo, sofre de problemas similares ao Stop Online Piracy Act (SOPA), que foi derrotado no começo desse ano após uma onda de protestos. Ou seja, a linguagem da Cispa é tão ampla, que apesar de tentar lidar com um problema real – nesse caso, monitoramento do governo – pode levar a efeitos colaterais indesejados e prejudiciais.


Como resultado, inúmeros grupos de direitos civis – incluindo o American Civil Liberties Union, o Center for Democracy & Technology (CDT), o Electronic Frontier Foundation (EFF), e Reporters Without Borders – anunciaram na segunda-feira (18/04), o lançamento da semana de protestos “Stop Cyber Spying” (Acabem com ciberespionagem) contra a Cispa, antes que os representantes da Câmara votem no projeto lei.


Quais são as preocupações de privacidade relacionadas à CISPA? Os grupos de liberdade civil detalharam cinco preocupações principais.
  1. Ampliar monitoramento de funcionários: o projeto de lei CISPA determina que qualquer empresa pode “usar sistemas de cibersegurança para identificar e obter informação de ameaça cibernética para proteger seus direitos e propriedades” (segundo especialistas de segurança isso inclui conteúdos de mensagens de e-mail ou Facebook) enquanto tem imunidade de processos sob qualquer outra lei. 

    Segundo o EFF, essa disposição subverteria as proteções de privacidade oferecidas pelas atuais leis de escutas telefônicas e comunicações eletrônicas, permitindo que as empresas “ignorem todas as leis existentes, contanto que alegue vagamente propósito de ‘cibersegurança’”, sem ameaça de represálias.

  2. Sem restrição de compartilhamento de informações: outra crítica contra a Cispa é que, da forma que está redigida, não restringe as razões para quais informações podem ser reunidas. “Não tem restrições de uso significativo – deveria deixar claro que as informações compartilhadas para cibersegurança devem ser usadas com esse propósito, e não propósitos não relacionados à segurança nacional ou investigações criminais”, afirmou o conselheiro sênior da CDT, Greg Nojeim. 

  3. As informações podem ser compartilhadas com a NSA (Agência Nacional de Segurança): sob a Cispa, as empresas podem voluntariamente compartilhar qualquer informação com o Departamento de Segurança Interna (DHS). “Após coletar suas comunicações, as empresas podem então voluntariamente entregá-las ao governo, sem nenhuma garantia ou fiscalização judicial, contanto que seja interpretada como ‘informação de ameaça cibernética’”, afirmou a EFF. DHS também pode com isso compartilhar a informação com outras agências governamentais, incluindo a National Security Agency (Agência de Segurança Nacional), sobre a qual há pouca fiscalização, segundo os grupos de direitos civis. 

  4. O projeto lei pode encorajar ampla vigilância: bem como a Sopa e Pipa, muitos especialistas de segurança não estão pedindo por ausência de legislação. Em vez disso, os grupos dizem que querem projetos de lei mais bem-construídos, que levem em conta as liberdades civis existentes e que monitorem o acesso do governo às comunicações pessoais das pessoas. “Precisamos de legislação de cibersegurança, não legislação de vigilância”, afirmou Leslie Harrin, presidente da CDT. 

  5. Existem alternativas à Cispa: por exemplo, o CDT está trabalhando em um projeto lei de cibersegurança, conhecido como lei Precise Act, que foi escrito pelo deputado Dan Lungren (Califórnia). Segundo o CDT, esse projeto lei “possui linguagem de compartilhamento de informação que oferece uma melhor alternativa que a Cispa, balanceando as preocupações com a cibersegurança, indústria, e direitos civis”. A Cispa terá sucesso onde a Sopa e a Pipa falharam? Na semana passada, membros do grupo hacktivista Anonymous, lançaram uma série de ataques distributed denial-of-service (DDoS)  contra a Boeing, bem como as associações comerciais TechAmerica e USTelecom, que apoiam publicamente o projeto de lei.
Em outras palavras, antes da Cispa virar lei, podemos esperar um aumento da guerra.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Thaís Sabatini
Fonte: itweb.com.br
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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tecnologia NFC

Image representing iPhone as depicted in Crunc...Image via CrunchBaseOnde e como a tecnologia NFC está sendo aplicada

Já imaginou fazer compras sem cartão de crédito? Saiba tudo sobre esta tecnologia que vai mudar forma como interagimos com os objetos à nossa volta.

Você já viu aqui no Baixaki como funciona a tecnologia NFC (Near Field Communication). O sistema é bem simples de ser utilizado: apenas com a proximidade de dois aparelhos, você é capaz de realizar a troca de informações de maneira bastante segura.

Com isto, é possível captar informações de qualquer objeto em que a tecnologia fosse aplicada. Por exemplo, você pode obter informações de um cartaz ou de um display em um supermercado. Outras aplicações para a tecnologia seriam a aquisição de produtos e serviços, além de fazer parte de documentos, como a identidade ou o passaporte.

Como isso tudo surgiu?

A NFC é uma tecnologia que surgiu a partir da RFID (Radio Frequency Identification). A RFID permite a comunicação de dois aparelhos à longa distância, por meio de radiofrequência: um deles traz uma fonte de energia e age ativamente, buscando informações no outro dispositivo, que não necessita de uma fonte de energia própria para funcionar.

A Near Field Communication, como o nome sugere, limita o campo de atuação de frequências para uma distancia de até 10 centímetros. Assim, é necessário estar bastante próximo ao objeto para que haja a troca de dados. É importante observar que os dados são obtidos da fonte passiva pela fonte ativa. Assim, as informações contidas em qualquer aparelho que use a tecnologia não podem ser acessadas por outros dispositivos.

A NFC foi criada para transmitir dados de maneira mais segura. Enquanto a RFID é a melhor opção para o rastreamento de animais, por exemplo, a NFC pode ser aplicada para a realização operações bancárias, por exemplo. Isso por que a abrangência da frequência RFID poderia ser utilizada por pessoas com más intenções, para tentar obter dados sem autorização ou clonar aparelhos.

Mas como isso está sendo usado?

Se esta é uma tecnologia que pode trazer tantas facilidades para a vida das pessoas, ela deve estar presente em um gadget que esteja presente, 24 horas por dia na mão dos usuários. Por isso, a melhor aplicação encontrada até agora é a implementação da NFC em aparelhos celulares.


Em países como o Japão, já é possível conferir a tecnologia sendo utilizada no dia a dia: em Tóquio, o sistema de metrô permite que passagens sejam compradas com a aproximação do aparelho de telefone às catracas. Desta forma, objetos comuns do cotidiano transformam-se em “objetos inteligentes”, capazes de armazenar e transmitir informações.

Existem inúmeras formas de usar a NFC. Muitos acreditam que, em poucos anos, ela deve substituir os códigos de barras e até mesmo os cartões de crédito. Assim, o consumidor não precisa mais buscar por maquinas de leitura nas lojas: basta aproximar o celular para conferir o preço do produto. Ao final da compra, para efetuar o pagamento, basta ter a mesma ação em um aparelho instalado no caixa.


 A BMW apresentou um protótipo de chave que utiliza o NFC. Com ela, seria possível realizar várias atividades. Em um breve vídeo, as possibilidades são demonstradas: os usuários seriam capazes de comprar passagens de trem ou metrô usando um sistema exclusivo adaptado ao carro, além de pagar por qualquer outro serviço ou produto em pontos de venda.

Outra facilidade proporcionada por este modelo de chave seria a verificação das condições do carro, apenas com a aproximação a aparelhos com NFC. Segundo engenheiros da empresa, o sistema aplicado à chave seria ainda mais seguro do que em outros aparelhos portáteis.

Além disso, a tecnologia pode estar presente em documentos, facilitando o impedimento de acesso de adolescentes a locais como bares e clubes noturnos. Com a NFC, também seria possível assistir ao trailer de um filme, apenas colocando o aparelho celular próximo ao seu cartaz. Estima-se que a tecnologia NFC faça parte do cotidiano de usuários na América do Norte até o ano de 2015.

Gadgets com NFC

Ampliando os campos da NFC, o novo modelo da Samsung, Nexus S, traz a tecnologia já acoplada ao aparelho. Com o funcionamento no sistema Android, é possível perceber que a Google está disposta a investir nesta nova maneira de transmissão de dados.

Boatos circulam pela internet, com informações de que a Visa estaria testando na Europa um sistema de pagamento de metrô, similar ao de Tóquio, utilizando o último modelo do iPhone. Com isso, espera-se também que a nova geração dos gadgets da Apple – iPhone, iPod Touch e iPad – contem também com o sistema. Entretanto, a informação não é confirmada pela Apple.

Em contrapartida, pesquisas realizadas pela Visa, demonstram que 87% dos usuários do iPhone estariam dispostos a comprar um hardware para ser acoplado em seus aparelhos, possibilitando a realização de pagamentos via NFC.

Isso talvez possa acelerar a inclusão da tecnologia para o uso diário, transformando em poucos meses, a forma como consumimos informações e produtos. O sucesso do NFC é bastante esperado, já que o custo de produção dos dispositivos que enviam dados são relativamente baixo.

Leia mais no Baixaki: http://www.baixaki.com.br/tecnologia/8173-onde-e-como-a-tecnologia-nfc-esta-sendo-aplicada.htm#ixzz1Cu4o3OFv

Nota: Todas essas tecnologias apresentadas como maravilhosas soluções para os problemas do dia a dia estão tornando as pessoas cada vez menos independentes, além de serem altamente invasivas da vida privada de quem usa.

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

O telefone celular pode estar rastreando cada movimento seu e você pode nem mesmo saber

Image representing Google Latitude as depicted...Image via CrunchBaseO Telefone celular pode estar rastreando cada movimento seu e você pode nem mesmo saber

Por Noam Cohen

Um passatempo favorito dos usuários da internet é compartilhar sua localização: serviços como o Google Latitude pode informar aos amigos quando você está por perto; um outro, o Foursquare, transformou as atualizações desses registros em um jogo.

Mas como um político do Partido Verde alemão, Malte Spitz, recentemente aprendeu, nós já estamos sendo continuamente rastreados, quer tenhamos nos voluntariado ou não. As companhias de telefone celular normalmente não divulgam quanta informação elas coletam, assim o Sr. Spitz foi a justiça para descobrir exatamente o que sua companhia de celular, a Deutsche Telecom, sabia sobre o seu paradeiro.

Os resultados foram espantosos. Em um período de seis meses, de 31 de agosto de 2009 a 28 de fevereiro de 2010, a Deutsche Telecom tinha registrado e gravado suas coordenadas de longitude e latitude mais de 35.000 vezes. Ela o rastreou de um trem em seu caminho para Erlangen desde o início até a noite anterior, quando ele já estava em casa em Berlim.

O Sr. Spitz forneceu um raro vislumbre, um sem precedente, dizem os especialistas em privacidade, do que está sendo coletado enquanto andamos por aí com nossos celulares. Diferente de muitos serviços online e web sites que tem de enviar 'cookies' para o computador do usuário para tentar unir o tráfego deles a uma pessoa específica, as companhias de celular simplesmente tem de sentar e apertar 'registrar'.

"Estamos todos andando por aí com pequenas etiquetas, e nossa etiqueta tem um número de telefone associado a ela, registrando para quem nós ligamos e o que nós fazemos com o telefone," disse Sarah E. Williams, uma especialista em informações gráficas na faculdade de arquitetura da Universidade de Columbia. "Nós nem mesmo sabemos que estamos abrindo mão desses dados".

Rastrear o paradeiro dos consumidores é parte integrante do que as companhias de telefone fazem para viver. A cada segundo mais ou menos, a companhia telefônica de alguém com um celular em funcionamento está determinando a torre mais próxima, de forma a encaminhar as chamadas da forma mais eficiente. E por razões de faturamento, elas rastreiam de onde a chamada vem e quanto tempo ela durou.


"Em um dado instante, uma companhia de celular tem de saber onde você está; está constantemente se registrando com a torre com o sinal mais forte," disse Matthew Blaze, um professor de ciência da computação e informação da Universidade da Pennsylvania que testemunhou diante do congresso sobre esse assunto.

A informação do Sr. Spitz, o Sr. Blaze salientou, não foi baseada naquelas atualizações frequentes, mas em quão frequentemente o Sr. Spitz checava seu e-mail.

O Sr. Spitz, um defensor da privacidade, decidiu ser extremamente aberto com suas informações pessoais. No fim do mês passado, ele liberou todas as informações de localização em um documento do Google publicamente acessível, e trabalhou com o Zeit online, uma publicação de um importante jornal alemão, o Die Zeit, para mapear estas coordenadas ao longo do tempo.

"Esta é realmente a mais convincente visualização em fórum público que eu já vi,” disse o sr. Blaze, acrescentando que isso "mostra quão forte uma imagem, mesmo uma de relativamente baixa resolução, pode dar da localização." 

Em uma entrevista em Berlim, o Sr. Spitz explicou suas razões: "Era uma questão importante mostrar que isso não é algum tipo de jogo. Eu pensei sobre isso, se é uma boa ideia publicar todos esses dados, eu também poderia dizer, tudo bem, eu só publicarei isso por 5, talvez 10 dias. Mas então eu disse não, eu realmente quero publicar por seis meses completos."

Nos Estados Unidos, as companhias de telecomunicação não têm de comunicar precisamente qual material elas coletam, disse Kevin Bankston, um advogado da Eletronic Frontier Foundation, especialista em privacidade. Ele acrescentou que baseados em casos da justiça ele poderia dizer que "eles guardam mais disso e está ficando mais preciso."

"Telefones têm se tornado uma parte necessária da vida moderna," ele disse, contestando a ideia de que "você tem de abrir mão de sua privacidade para fazer parte do século 21."

Nos Estados Unidos há razões de cumprimento da lei e de segurança para as companhias telefônicas serem encorajadas a acompanhar seus clientes. Tanto o FBI como a DEA (Drug Enforcement Administration) tem usado registros de telefones celulares para identificar suspeitos e fazer prisões.

Se a informação é valiosa para a aplicação da lei, poderia ser lucrativa para marqueteiros. Os maiores provedores americanos de telefonia celular evitaram explicar o que exatamente eles coletam e para que eles usam.

Verizon, por exemplo, se recusou a falar, além de apontar para sua política de privacidade, que inclui: "Informações tais como registros de chamadas, utilização de serviços, tráfego de dados," a declaração diz em parte, pode ser usada para "fazer propaganda com base no uso de produtos e serviços que você já tem, sujeito a quaisquer restrições exigidas por lei."

Sense Networks, uma empresa que usa dados da AT&T, usa informações de localização anônima "para melhor compreender atividade humana agregada." Um produto, o CitySense, faz recomendações sobre a vida noturna local para os consumidores que escolhem participar, baseado em seu uso de telefone celular. (Muitas apps de smartphones já no mercado são baseadas em localização, mas isso com o consentimento do usuário e através de GPS, não dos registros da companhia de telefone celular.)

Por causa da história da Alemanha, os tribunais colocam uma maior ênfase na privacidade pessoal. O Sr. Spitz primeiro foi a justiça em 2009 para conseguir seu arquivo inteiro, mas a Deustsche Telecom se opôs.     

Por seis meses, ele disse, houve um 'jogo de ping pong' de cartas de advogados indo e vindo até que, isoladamente, a Corte Constitucional de lá decidiu que as regras existentes que governam a retenção de dados, além daqueles requeridos para faturamento e logística, eram ilegais. Logo depois os dois lados alcançaram um acordo: "Eu só obterei as informações relacionadas a mim, e não obterei todas as informações como eu estou pedindo, quem me enviou um SMS e assim por diante," disse o Sr. Spitz, referindo-se as mensagens de texto.

Mesmo assim, 35.831 pedaços de informações foram enviados para ele pela Deutsche Telecom como um arquivo codificado, para proteger a privacidade dele durante a transmissão.

A Deutsche Telecom, que possui a T-Mobile, provedora do Sr. Spitz, escreveu em um e-mail que armazenou seis meses de dados, como requerido pela lei, e que depois da decisão da justiça ela "imediatamente parou" de armazenar dados.

E um ano depois da decisão da justiça proibindo esse tipo de retenção de dados, há um movimento tentando obter que uma nova lei mais limitada passasse. O Sr. Spitz, um dos 26 membros do comitê executivo do Partido Verde, diz que liberou este material para influenciar neste debate.

"Eu quero mostrar a mensagem política de que esse tipo de retenção de dados é realmente muito, muito grande, e que você pode observar a vida da pessoa por seis meses e ver o que elas estão fazendo e onde elas estão."

Embora o potencial de abuso seja fácil de imaginar, no caso do Sr. Spitz, não havia muito revelado.

"Eu realmente gasto a maior parte do meu tempo em minha própria vizinhança, o que foi bastante engraçado para mim," ele disse. "Eu realmente não estou andando muito por aí."

Algum detalhe embaraçoso? "Os dados mostram que eu estou voando às vezes," ele disse, em vez de tomar um trem mais eficiente no uso de combustível. "Às vezes isso não é tão popular para um político Verde."

Fonte: The New York Times         


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sábado, 8 de janeiro de 2011

Governo Obama prepara polêmica lei para grampear Skype e Facebook

The Seal of the United States Federal Bureau o...Image via WikipediaGoverno Obama prepara polêmica lei para grampear Skype e Facebook

Por Redação do IDG Now!
  
Caso o projeto seja concluído e a lei aprovada, medida pode ameaçar à segurança dos internautas, dizem especialistas.

A falta de uma lei para regular serviços de comunicação online, como o Facebook e Skype, pode ser um dos principais confrontos que o governo Obama enfrentará no Congresso dos Estados Unidos neste ano.

De acordo com informações da Folha Online, funcionários de agências governamentais norte-americanas trabalham em um rascunho de lei que fornecerá à Casa Branca a possibilidade de regular todo tipo de comunicação via plataformas online, como mensagens de texto e voz.

Em novembro, informações sobre o projeto também foram divulgadas pelo jornal The New York Times, que, na época, citou que o governo estaria trabalhando para uma possível votação da lei ainda no início de 2011.

A iniciativa seria uma forma de estender para a web a capacidade de ‘grampear’ possíveis suspeitos de crimes ou atos terroristas.

Caso o projeto seja concluído e a lei aprovada, especialistas apontam que a medida pode ameaçar à privacidade dos internautas.

FBI

No final do ano passado, Robert S. Mueller III, diretor do FBI, viajou até o Vale do Silício para se encontrar com os principais executivos da região. 

O objetivo da visita foi negociar a expansão da Lei de Assistência das Comunicações às Aplicações da Justiça, criada em 1994, para que as companhias de internet também estejam sujeitas à mesma lei, desenvolvendo um sistema capaz de interceptar e desvendar mensagens criptografadas enviadas a partir de seus serviços.

Com o acordo, até mesmo e-mails enviados de outros países passariam por um servidor central, onde seriam investigados, antes de chegar ao destinatário americano. Naturalmente, uma autorização da Justiça dos Estados Unidos seria necessária para o monitoramento.

O Departamento de Comércio, no entanto, questiona se tal medida não inibiria a inovação - sem contar que a tecnologia desenvolvida poderia ser copiada por regimes repressivos, que a usariam para identificar dissidentes políticos.

Fonte: www.idgnow.com.br
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Parem a Google antes que seja tarde demais

Image representing Google as depicted in Crunc...Image via CrunchBaseParem a Google antes que seja tarde demais

Por Bill Snyder, da InfoWorld/EUA

Justamente quando o mundo respirava aliviado por ter detido a Microsoft em sua escalada ao poder, descobrimos que existe outra ameaça.

Você se lembra dos tempos em que a Microsoft era chamada de companhia que iria dominar o mundo? Hoje a percepção de que isso possa acontecer diminui sensivelmente. Em seu lugar surge uma preocupação com outro nome: Google.

A dominância imposta pela empresa então presidida por Bill Gates no ambiente de computadores desktop e a tentativa de ganhar a web com base no uso do Internet Explorer forma acontecimentos terrivelmente importantes para o universo e para o mercado da tecnologia.

Como resultado dessa intervenção, a empresa foi tolhida em suas investidas pelo Departamento de Justiça dos EUA, por comissões de Justiça da Europa e, mais recentemente, pelos próprios consumidores à medida que estes adotam cada vez mais soluções na nuvem e em dispositivos móveis.

O sistema operacional desktop deixou de ser o centro das atividades digitais; longe de querer afirmar que ele - o conjunto CPU + monitor + periféricos - morreu, é preciso reconhecer que a tecnologia avançou a passos largos.

Um universo multipolarizado por entidades como a Apple, a MS e o Facebook e - quem sabe, a mais importante delas -  Google determina a maneira de nossas interações na via digital.

Mas, se procurarmos definir o que manda na computação da atualidade, chegaremos à conclusão de que é a busca.

Justamente o ambiente sem competidor para a Google. Da combinação entre a publicidade digital e a busca nasce o Windows de hoje em dia.

A busca domina nossa satisfação no uso da web, ao passo que a publicidade virtual responde pelo único modelo de negócios viável até o momento.

Quando, em julho de 2010, a Google adquiriu a ITA por 700 milhões de dólares - negociação que ainda aguarda a chancela por parte de entidades federais norte-americanas – o assunto chegou a merecer destaque na seção editorial do The New York Times, causando um “distúrbio na força”.

Quando os dinossauros vagavam na Terra

Só para contextualizar – caso você ainda não estivesse por aí na década de 80 – saiba como a Microsoft costumava agir.

Dia sim dia não, Bill Gates investigava novas tecnologias emergentes e avaliava se elas não deveriam ser incorporadas ao DOS, o antecessor do Windows. Caso positivo, a MS agregava essa tecnologia de compressão de discos ou de gerenciamento de arquivos ao sistema operacional.

Esse comportamento deflagrou uma diminuição do número de concorrentes e algumas melhoras nos sistemas proprietários da MS.

Assim que Gates se deu conta de a Internet ser o próximo cume a conquistar, não hesitou em fundir o sistema operacional ao navegador da companhia. Foi quando o Departamento de Justiça dos EUA deu um basta, processando a empresa e eventualmente obrigando-a a desvincular os dois produtos.

Lembramos que a Microsoft reagiu à decisão com o argumento de que tal desvinculação iria afetar o funcionamento do sistema Windows. Um discurso que segue à risca a retórica de todo organismo monopolizador na tentativa de convencer o mundo acerca das impossibilidades intrínsecas a medidas que dificultem a adesão de seus tentáculos em todas as esferas da existência humana. “Nós dominamos porque é bom para todos”, sabe?

É importante deter a Google antes que seja tarde demais?

E, justamente quando achávamos ter dado conta da ameaça oferecida pela Microsoft, surge a Google e sua expansão agressiva. As manobras da Google refletem seu desespero em sentar-se ao volante.

Basta lembrar o fiasco causado pelo smartphone da empresa, o Nexus One. O caso foi uma demonstração óbvia do despreparo da Google em atuar no mercado mobile. A operação com o Nexus One deve ter custado um bocado de dinheiro e de tempo à empresa, mas serviu para mostrar-lhe que iniciativas daquela natureza merecem mais avaliação.

Mas a série de tentativas da Google em entrar em  todos os ambientes de nossas vidas não cessaram com o Nexus.

Houve ainda os papelões da Google TV e do Google Wave.

De maneira segura, pode-se dizer que a Google tropeçou mais do que caminhou em 2010.

E isso é sorte nossa. Se a empresa tivesse logrado sucesso em entrar para outros segmentos do mercado poderia, perfeitamente, ocupar a cadeira antes aquecida pelos dirigentes da Microsoft com resultados negativos para todos os usuários da internet, independente de sua localização.

Agora, o turismo

Goste ou não, a publicidade digital é o sangue que bombeia vida para dentro da web. A Google ser proprietária do software da ITA, usado por grandes empresas do segmento de turismo, anuncia tempos negros para organizações concorrentes, tais como a Kayaz e a Orbitz.

Ao mesmo tempo em que erradica a concorrência, também diminui a liberdade de escolha por parte dos consumidores.

Em longo prazo isso vai reduzir as inovações e determinar condições de competição cruéis.

Na linha dos argumentos publicados pelo Times, o que pode acontecer é uma repetição do que sucedeu a compra do MapQuest pela Google, que começou a inserir suas próprias informações no sistema o que levou a MapQuest ao esquecimento.

A mesma lógica pode ser transferida a outros segmentos de mercado – inclusive aqueles preocupados com outras soluções que não apenas turismo online. A união de serviços de localização via redes sem fio à busca abrem as portas para modelos de negócios sem precedentes. Se a Google atacar esse mercado não se sabe o que pode acontecer nesse segmento.

É importante limitar a atuação da Google, sem lhe tirar os méritos e sem intencionar acabar com a empresa.

Se ela intenciona travar uma batalha pela dominância nesse segmento, essa disputa deve se dar na esfera proverbial.


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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Tecnologia de spray corporal invisível de DNA pode em breve estar instalada em um comércio perto de você

By Richard Wheeler (Zephyris) 2007. Image of E...Image via WikipediaTecnologia de spray corporal invisível de DNA pode em breve estar instalada em um comércio perto de você

Por Jonathan Benson

Natural News

Uma empresa da Inglaterra desenvolveu uma tecnologia que dizem ajudará a impedir ladrões de roubarem comércios locais. SelectaDNA Spray, como é chamada, cobre os ladrões com um vapor invisível de DNA que não pode ser lavado e permanece presente na pele e cabelos por semanas, permitindo as autoridades melhores ligações entre os culpados e os crimes que cometem. O sistema já está em uso em nove outros países e em breve estará chegando aos Estados Unidos, de acordo com relatos. 

A empresa SelectaDNA diz que o vapor "adere as fibras e assenta-se nas dobras da pele" depois de ser pulverizado, podendo então ser escaneado com uma luz ultravioleta especial. Promotores do sistema dizem que o vapor proporciona a evidência sólida necessária para prover a culpa dos criminosos, mas outros se perguntam quão eficaz e preciso o sistema realmente é em termos práticos.

Quando o vapor é pulverizado, não há como dizer quantos passantes inocentes também serão envolvidos no DNA e potencialmente estarão conectados a crimes que não cometeram. E se os criminosos forem capazes de obter latas de DNA eles mesmos, eles podem usar para enquadrar outras pessoas pelos crimes.

Embora a empresa afirme que o spray é "inofensivo", é dito que ele penetra tanto o cabelo como a pele, o que pode causar dano desconhecido a saúde. E quando pulverizada, a substância é possível de ser inalada por qualquer um que esteja nas proximidades, implantando DNA microscópico e outras substâncias em seus pulmões.

Até o momento nenhum comércio que tenha instalado o spray SelectaDNA foi roubado, o que indica que ele pode ser eficaz no impedimento de crimes. Mas desde que a tecnologia tem ainda de ser usada em uma situação da vida real, é difícil dizer se ela realmente ajuda ou não a resolver crimes.

As taxas gerais de criminalidade permaneceram aproximadamente as mesmas em áreas onde os sistemas de spray SelectaDNA foram instalados, enquanto os criminosos simplesmente recorreram ao roubo de comércios que não usam a tecnologia, dizem as autoridades.

Fontes: http://abcnews.go.com/Technology/Th...
            http://www.selectadna.co.uk/ 




             

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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cyber tecnologias invasivas e privacidadde na internet: O Big Brother está a distância apenas de um "toque" ou clique do mouse

Seal of the Central Intelligence Agency of the...Image via WikipediaCyber tecnologias invasivas e privacidade na internet: O Big Brother está a distancia apenas de um "toque" ou clique do mouse.

Por Tom Burghardt

Enquanto eles caminhavam ao longo da movimentada fileira de escritórios, amarelo iluminada, Anderson disse: "Você está familiarizado com a teoria do pré-crime, é claro.

Presumo que podemos tomar isso como garantido." - - Philip K. Dick, The Minority Report

O que o Google, a CIA e várias das assim chamadas start-ups de "comportamento preditivo" tem em comum?

Eles estão interessados em você, ou mais especificamente, em seus interesses online - do Facebook aos posts do Twitter, e das fotos do Flickr ao Youtube e entradas do blog - podem ser explorados por poderosos algoritmos de computador e subsequentemente transformados em "inteligência acionável".

E se o conhecimento adquirido a partir de um endereço IP é voltado para a venda de lixo inútil ou a inserção de um nome no banco de dados de aplicação da lei não importa nadinha. É tudo "apenas dado" e "zumbido" diz o mantra, junto com o pouco que resta de nossa privacidade e nossos direitos.

Crescentemente, agências secretas estatais variando da CIA a Agência de Segurança Nacional estão despejando milhões de dólares em firmas de mineração de dados que afirmam que podem identificar quem você é ou que você pode fazer no futuro. 

E ainda por cima, a última moda em capinação de dissidentes e inconformistas da paisagem social estará em breve invadindo um local de trabalho perto de você; na verdade, já está.

Bem vindo ao sinistro mundo do "Pré-crime" onde fraudadores capitalistas, lojas de espionagem com drogas e manchadas de tortura estão todas trabalhando poderosamente para reprimir cada último vestígio de pensamento livre aqui em nossa pátria.

A CIA entra na Organização

Em julho, o jornalista de segurança Noah Shachtman revelou na Wired que "os braços de investimento da CIA e da Google estão ambos apoiando uma companhia que monitora a web em tempo real - e diz que usa essa informação para prever o futuro."

Shachtman relatou que a companhia de investimento semi privada da CIA, a In-Q-Tel, e a Google Ventures, a divisão de negócios da gigante das buscas, tinham feito parceria com um grupo duvidoso chamado Recorded Future despejando, de acordo com algumas estimativas, 20 milhões de dólares na empresa nascente.

O anúncio no website da In-Q-Tel informa-nos que a "Recorded Future extrai informação de tempo e de eventos a partir da web. A companhia oferece aos usuários novas maneiras de analisar o passado, o presente e previsões para o futuro."

Quem esses onipresentes embora sem nome "usuários" são ou o que eles poderiam fazer com essa informação uma vez que eles a "extraia" da web não é dito. Contudo, julgando pelo interesse que a entidade conectada a CIA tem expressado no financiamento da companhia, privacidade não figurará de forma destacada nas "novas maneiras" em que tais ferramentas serão usadas.

A Wired informou que a companhia, fundada pelo ex-ranger do exército sueco Christopher Ahlberg, "vasculha dezenas de milhares de websites, blogs e contas de Twitter para descobrir as relações entre pessoas, organizações, ações e incidentes - tanto presentes como ainda por vir."    

"A coisa legal é" Ahlberg disse, "que você pode realmente predizer a curva, em muitos casos." 

E com o interesse da gigante das buscas em "prever o futuro" para o segredo de estado, não seria a primeira vez que a Google Ventures vendeu equipamento e conhecimentos para os guerreiros das sombras da América.

Enquanto a empresa pode se orgulhar do slogan corporativo, "não seja mau", informação é uma commodity valiosa. E onde há valor, há dinheiro a ser feito. Venha ele na forma de "aumento de valor de ações" através da venda de informação privada para comerciantes ou agências de inteligência ávidas para aumentar a "consciência situacional" da "batalha espacial" é uma questão de completa indiferença para os contadores de feijão corporativos.

Afinal de contas, como o CEO da Google Eric Schmidt disse a CNBC no ano passado, "se você tem alguma coisa que não quer que ninguém saiba, talvez você não devesse estar fazendo isso em primeiro lugar."

Mas esse padrão, "somente pessoas más tem alguma coisa a esconder," é infinitamente mutável e pode ser estendido - ou manipulado como tem tão frequentemente sido o caso nos Estados Unidos - para englobar tudo de conspirações "papistas", imigrantes "ilegais", homossexualidade, comunismo, uso de drogas, ou a última besta negra americana: a "ameaça muçulmana". 

Schmidt continuou a dizer que "a realidade é que mecanismos de busca, incluindo o Google, realmente retém essa informação por algum tempo. E todos estamos sujeitos, nos Estados Unidos ao Ato Patriota, e é possível que essa informação poderá estar disponível para as autoridades."

Em fevereiro, o The Washington Post reportou que "a maior companhia de buscas na internet e a mais poderosa organização de vigilância eletrônica do mundo estão se unindo em nome da cybersegurança."

"A aliança" entre Google e a NSA "está sendo planejada para permitir as duas organizações partilharem informações críticas sem violar políticas da Google ou leis que protegem a privacidade das comunicações online dos americanos," o Post alegou.

Uma fonte anônima disse ao Post que "o acordo não significa que a NSA estará visualizando as buscas dos usuários ou contas de e-mails ou que a Google estará compartilhando dados de propriedade industrial."

Realmente?

Na primavera passada foi revelado que os carros do Google Street View tinham estado aspirando secretamente terabytes de dados privados de WiFi por mais de três anos em toda a Europa e Estados Unidos. 

O Sunday Times reportou que a empresa tinha "estado pegando trechos de atividades online de pessoas em redes desprotegidas de transmissões de WiFi domésticas e de negócios."

Em julho, investigação "Top Secret America" do The Washington Post divulgou que o Google fornece mapeamento de fontes e pesquisa de produtos para o estado secreto dos Estados Unidos e que seus empregados, terceirizados contratados da inteligência para o Departamento de Defesa, podem ter surrupiado dados de WiFi de seus clientes como parte de um projeto de vigilância da NSA.

E quanto as buscas em email e na web? Ano passado, The New York Times revelou que a interceptação da NSA de "chamadas de telefone particular e mensagens de e-mail de americanos é maior do que reconhecida anteriormente." De fato, um ex-analista da NSA descreveu como ele foi treinado forte em 2005 "para um programa no qual a agência rotineiramente examinava grandes volumes de mensagens de e-mails de americanos sem autorização judicial."  

Esse programa, nome código PINWALE, e a espionagem de mineração de meta dados da NSA operação STELLAR WIND, continuam sob Obama. Na verdade, The Atlantic nos contou na época que PINWALE "é atualmente um termo proprietário desclassificado usado para se referir ao software de mineração de dados que o governo usa." 

Mas as relações improváveis entre as gigantes das comunicações como a Google e o estado secreto não param aqui.

Mesmo antes que a Google procurasse uma assistência da Agência Nacional de Segurança para proteger suas redes depois de uma alegada brecha pela China no ano passado, em 2004 a empresa tinha adquirido a Keyhole, Inc., uma start-up financiada pela In-Q-Tel que desenvolvia imagens 3-D espiãs no céu; A Keyhole se tornou a espinha dorsal para o que depois evoluiu para o Google Earth. 

Na época do nosso investimento inicial, a In-Q-Tel disse que o "relacionamento estratégico da Keyhole... significa que a Comunidade de Inteligência pode agora se beneficiar de grande escalabilidade e alto desempenho da solução da empresa Keyhole."

O então CEO da In-Q-Tel, Gilman Louie, disse que a spy shop venture capitalists investiu na empresa "porque dava aos usuários governamentais e comerciais uma nova capacidade de melhorar radicalmente a tomada de decisões críticas. Através de sua habilidade de fluir um enorme conjunto de dados geoespacial na internet e redes privadas, a Keyhole criou uma maneira inteiramente nova de interagir com imagens da terra e recursos de dados."

Ou, como pode ser visto diariamente o "teatro" AfPak entrega excitantes novas maneiras de matar pessoas. Agora isso é inovação!

Isso foi antes, agora a gigante das buscas e o braço de investimento da CIA estão bancando produtos que levarão a invasão de privacidade a um nível completamente novo.

Uma oferta promocional da up-and-comers no mercado de comportamento preditivo, Recorded Future - um documento sobre Análise Temporal assevera que "diferente de mecanismos de busca tradicionais que focalizam em recuperação de dados e deixa a análise para o usuário, nós nos esforçamos para oferecer ferramentas que ajudam na identificação e compreensão da evolução histórica, e que podem também ajudar a formular hipóteses sobre e dá pistas de prováveis eventos futuros. Nós decidimos sobre o termo "análise temporal" para descrever análise de tarefas orientadas pelo tempo suportadas pelos nossos sistemas."

Grande no departamento da hipérbole, a Recorded Future afirma ter desenvolvido um "mecanismo de análise, que vai além da busca, analisa links explícitos e adiciona análise implícita de links, olhando para os "links invisíveis" entre documentos que falam sobre as mesmas, ou relacionadas, entidades e eventos. Fazemos isso pela separação de documentos e os conteúdos sobre o qual eles falam."

De acordo com a aspirante a habilitadora do Big Brother, a "Recorded Future também analisa a 'a dimensão tempo e espaço' dos documentos - referências para quando e onde um evento tomou lugar, ou mesmo quando e onde terá lugar - uma vez que muitos documentos atualmente se referem a eventos que se espera tomem lugar no futuro."

Somando-se a um autêntico fator de deformação, os farsantes tecnocráticos declaram que estão "adicionando mais componentes, exemplo, análise de sentimentos, que determina qual atitude um autor tem em relação com o tópico dele/dela, e quão forte essa atitude é - o estado afetivo do autor."

Fortemente contrário ao projeto imperial da América para roubar recursos de outras pessoas no Afeganistão e Iraque, ou, crime dos crimes, ter a temeridade de escrever ou se organizar contra isso. Um passo direto nessa direção, a Recorded Future tem seus olhos sobre você e venderá essa informação pelo maior lance!  

Além do mais, como Mike Van Winkle, um figurante do Centro de Informação Anti-Terrorismo disse de forma incorreta ao Oakland Tribune em 2003 depois que policiais de Oakland ferirem dezenas de estivadores de peacenik em uma passeata no porto contra a guerra: "Você pode fazer um tipo fácil de ligação que, se você tem um grupo de protesto protestando contra a guerra onde a causa que está sendo travada é contra o terrorismo internacional, você poderia ter terrorismo nisso (no protesto). Você pode quase argumentar que um protesto contra isso é um ato terrorista."

E com a "análise de sentimentos" da Recorded Future tais "ligações" serão ainda mais fáceis de construir.   

Não importa que o prestigioso Conselho Nacional de Pesquisa da Academia Nacional de Ciências emitiu um relatório mordaz em 2008, Protegendo a Privacidade Individual na Luta Contra Terroristas: Uma Estrutura Para Avaliação, que menospreza a utilidade da mineração de dados e análise de ligações como ferramentas efetivas de contraterrorismo.

"Muito mais problemático," o Conselho Nacional de Pesquisa nos informa, "são técnicas de mineração de dados automatizadas que procuram em bancos de dados por padrões incomuns de atividade não conhecidos ainda estar associados com terroristas." Desde que "tão pouco é conhecido sobre quais padrões indicam atividade terrorista" o relatório declara, técnicas espertalhonas tais como a análise de ligações "são suscetíveis de gerar enorme número de pistas falsas."

Quanto ao super exagerado "análise de sentimento" da Recorded Future o Conselho Nacional de Pesquisa desmascarou, alguém poderia mesmo dizer preventivamente, as alegações duvidosas do nosso candidato a especialista em pré-crime. "O comitê também examinou as técnicas de vigilância comportamental, que tentam identificar terroristas pela observação do comportamento ou medição de estados psicológicos.

A conclusão deles? "Não há consenso científico sobre se essas técnicas estão prontas para uso em contraterrorismo efetivamente.” O Conselho Nacional de Pesquisa afirmou que esta técnica "tem enorme potencial para violações de privacidade porque elas irão inevitavelmente forçar os indivíduos visados a explicar e justificar seu estado mental e emocional, miseravelmente."   

Não que tais fatos inconvenientes importem para a Recorded Future ou seus patrões na assim chamada comunidade de inteligência que afinal de contas, está no assento do motorista quando os produtos da empresa de inteligência "fazem previsões sobre o futuro."

Afinal de contas, como Ahlberg e seu bando feliz de invasores de privacidade nos informam: "Nossa missão não é ajudar nossos clientes a encontrar documentos, mas capacitá-los a entender o que está acontecendo no mundo."

O melhor para obter uma vantagem sobre a concorrência ou saber em quem mirar.

O "Verdadeiro Você"

Para não serem ultrapassados por agências de espionagem do mundo negro, seus parceiros corporativos terceirizados ou gurus futuristas fazem suas ofertas, a publicação high-tech Datamation, nos disse no mês passado que o conceito pré-crime "vai chegar muito em breve ao mundo dos recursos humanos (RH) e gestão de pessoas."

O Repórter Mike Elgan revelou que uma "start-up de Santa Bárbara, Califórnia, chamada Social Intelligence vasculha dados de redes sociais para ajudar empresas a decidirem se elas realmente querem contratar você."

Elgan afirmou que enquanto checagens de antecedentes têm historicamente procurado por evidência de comportamento criminoso da parte dos potenciais empregados, "A Inteligência Social é a primeira empresa que eu saiba que sistematicamente pesca em redes sociais por evidências de mau caráter."

Semelhante a Recorded Future e dezenas de outras companhias "preditivas de comportamento" tais como Attensity e Visible Technologies, a Social Intelligence posiciona "software de automação que vasculha Facebook, Twitter, Flickr, Youtube, LinckedIn, blogs e "milhares de outras fontes," a companhia desenvolve um relatório sobre o 'verdadeiro você' - não o você cuidadosamente fabricado em seu currículo." 

De acordo com a Datamation, "a empresa também oferece um serviço separado de Monitoramento de Inteligência Social para observar a atividade pessoal dos empregados existentes em uma base contínua." Tal monitoramento intrusivo transforma o "local de trabalho" em um panóptico orwelliano 24/7 do qual não há esperança de escapar.

O serviço é vendido como um meio exemplar de "aplicar as políticas de mídia social da empresa." Contudo, desde que os "critérios são definidos pelas empresas, não está claro se é possível monitorar a atividade pessoal."

Inteligência Social, de acordo com Elgan, "fornece relatórios que desenfatizam ações específicas e enfatizam o caráter. É menos sobre 'o que o empregado fez' e mais sobre 'que tipo de pessoa é esse empregado? '"

Em outras palavras, é tudo a respeito do futuro; especificamente, a ordem de mundo sombria que as corporações da cultura do medo estão rapidamente levando a bom termo.

A Datamation relata que "seguindo as linhas da tendência atual," enraizadas na informação defeituosa derivada da mineração de dados e análise de ligações, "aranhas das redes sociais e mecanismos de análise preditiva estarão trabalhando noite e dia escaneando a internet e usando esses dados para prever o que cada empregado é suscetível de fazer no futuro. Essa capacidade será simplesmente bem cozida nas suítes dos softwares de RH."

Como com outros aspectos da vida diária na América pós-constitucional, decisões executivas, que vão desde se se deve ou não contratar ou demitir alguém, lançá-lo em um gulag sem lei e sem um julgamento, ou mesmo matá-lo exclusivamente com autorização de nosso criminoso-de-guerra-em-chefe, são as novas regras da casa.

Como nosso falso presidente progressista, alguns burocratas de RH agirão como juízes, júri e executor, tomando decisões que podem - e têm - arruinado vidas.

Elgan nos diz que ao contrário de um processo penal onde você fica perante a lei acusado de um mal feito e tem de encarar seu acusador, "você não pode legalmente ser jogado na cadeia por mal caráter, julgamento pobre, ou expectativas do que você poderia fazer no futuro. Você realmente tem de quebrar a lei, e eles têm de provar isso."

"Ações pessoais não são nada assim." A você não são oferecidos os meios de "encarar seu acusador." De fato, baseado em se ou não você aborreceu o patrão, irritou algum bajulador corporativo, ou entrou na categoria de "suspeito", baseado em um algoritmo, você não tem de realmente violar as regras da empresa a fim de ser demitido", e eles não têm de provar isso.

A Datamation nos conta, "se o escaneamento de redes sociais, software de análise preditiva do futuro decide que você vai fazer alguma coisa no futuro que é inconsistente com os interesses da empresa, você está demitido."

E, Elgan afirma, agora que "as ferramentas estão se tornando monstruosamente sofisticadas, eficientes, poderosas, de longo alcance e invasivas," conceito de pré-crime "está chegando ao RH."

O Big Brother está a apenas a um "toque" ou clique do mouse de distância...

Tom Burghardt é um contribuinte frequente do Global Research.     

Fonte: www.globalresearch.ca   

  



    



 



     

 
 

     


    

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Microsoft requer patente de software de escritório "espião".

Microsoft Co. Ltd.Image via Wikipedia

Microsoft requer patente para software de escritório "espião".

By Alex Mostrous e David Brown
Timesonline.co.uk

A Microsoft está desenvolvendo um software estilo Big Brother capaz de acompanhar remotamente a produtividade do trabalhador, o seu bem estar físico e sua competência.

O The Times viu um pedido de patente requerido pela empresa para um sistema de computadores que liga os trabalhadores aos seus computadores através de sensores sem fio que medem o seu metabolismo. O sistema permite que os gerentes monitorem o desempenho dos trabalhadores através da medição da frequência cardíaca, temperatura corporal, movimentos, expressões faciais e a pressão sanguínea. Os sindicatos disseram temer que os funcionários pudessem ser julgados com base na avaliação de um computador sobre o seu estado fisiológico.

A tecnologia que permite o constante monitoramento dos trabalhadores era limitada aos pilotos, bombeiros e astronautas da NASA. Acredita-se que esta é a primeira vez que uma empresa propôs o desenvolvimento de um software como este para locais de trabalho comuns.

A Microsoft apresentou um pedido de patente nos Estados Unidos para um "sistema de monitoramento único" que poderia vincular os trabalhadores a seus computadores. Sensores sem fio podem ler "a frequência cardíaca, a resposta galvânica da pele, EMG, sinais cerebrais, a taxa de respiração, a temperatura corporal, os movimentos faciais, as expressões faciais e a pressão sanguínea", afirma o pedido.

O sistema também pode "detectar automaticamente frustração ou estresse do usuário" e "oferecer e prestar assistência em conformidade".

As alterações físicas de um funcionário corresponderiam a um perfil psicológico individual baseado no peso do trabalhador, na idade e na saúde.

Se o sistema pegar um aumento da frequência cardíaca ou expressões faciais sugestivas de estresse ou frustração, ele dirá a gerência que ele precisa de ajuda.

O comissário de informação, os grupos de liberdades civis e os advogados da privacidade criticaram fortemente o potencial do sistema para "levar a ideia de monitoramento de pessoas no trabalho a um outro nível". Hugh Tomlinson, um especialista em lei de proteção de dados da Matrix Chambers, disse ao The Times: "Este sistema envolve intrusão em todos os aspectos da vida dos trabalhadores. Isto levanta questões de privacidade muito sérias.

Peter Skyte, um funcionário do sindicato nacional Unite, disse: "Este sistema leva a ideia de monitoramento de pessoas no trabalho a um novo nível de invasão, mas de uma maneira muito antiquada, pois monitora o que está acontecendo em vez dos resultados. "O gabinete do comissário para a informação, disse:” A imposição de tal nível de intrusão sobre os trabalhadores só poderia ser justificada em circunstâncias excepcionais".

Nota: É interessante como os sistemas de monitoramento e vigilância ficam mais sofisticados a cada novo avanço tecnológico.

O termo Big Brother vem bem a calhar, usado no livro Admirável Mundo Novo para mostrar a vigilância constante sobre os indivíduos de uma sociedade do futuro, o livro foi escrito da década de 40, parece até uma profecia, ou quem sabe já era um planejamento esperando apenas o tempo certo de ser implantado.

O certo é que a cada dia perdemos um pouco de privacidade e nem notamos, tudo é sempre justificado como sendo necessário para a nossa própria segurança, no final das contas perdemos a privacidade e não ganhamos segurança.

Esse software ainda não foi patenteado, mas a simples ideia de que algo tão sofisticado já existe causa medo. Porque as vítimas dele pode ser qualquer um de nós. Imagine só você em frente do seu computador e um software como esse espionando sorrateiramente suas atividades e mandando dados sabe-se lá para quem.

As pessoas se esquecem que os governantes nem sempre serão democráticos e zelosos da lei, basta os exemplos ao redor ao mundo. Portanto, todo cuidado é pouco.





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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O fim do anonimato ou a privacidade acabou.

Cover of "Minority Report (Widescreen Two...Cover via Amazon

Como os 10 dígitos acabarão com a privacidade como a conhecemos.

Tanto habitantes da internet como moradores urbanos precisam admitir que a era do anonimato está chegando ao fim.

A população do mundo é de cerca de 7 bilhões de pessoas. Assim é preciso de apenas 10 dígitos para rotular cada ser humano do planeta como sendo único.

Esta simples observação aritmética oferece poderosos insights sobre os limites da privacidade. É algo que poderíamos chamar regra dos 10 dígitos: apenas 10 dígitos de informação pessoal distintiva são suficientes para identificá-lo inequivocamente. Eles são o suficiente para tirar fora o seu anonimato na internet ou chamar o seu nome enquanto você caminha pela rua. A regra dos 10 dígitos significa os nossos aparelhos eletrônicos crescem, e os bancos de dados incham, temos de aceitar que, na maioria das esferas da vida, vamos em breve estar vestindo nossos nomes na nossa testa.

Um estudo dos dados do censo de 1990 nos Estados Unidos revelaram que 87 por cento das pessoas eram singularmente identificáveis com apenas três peças de informação: os cinco dígitos do código postal, sexo e data de nascimento. Os surfistas da internet fornecem muito mas informações do que isso. Os web sites podem identificar nossas localizações geográficas, modelo de computador, e tipo de navegador, e eles podem nos rastrear silenciosamente utilizando cookies. Sites bancários confirmam nossas identidades verificando que nossos log-ins acontecem em horas do dia determinadas.

Arquivos de bancos de dados carregam surpreendente quantidade de informação , mesmo quando especificamente anônimos por causa da privacidade. Investigadores da Universidade do Texas em Austin estudaram um conjunto de perfis de classificação de filmes de cerca de 500.000 subscritores anônimos do Netflix.

Conhecendo um pouco sobre um assinante - digamos, de seis a oito preferências de filmes, o tipo de coisa que você pode postar em uma rede social - os pesquisadores descobriram que eles podiam selecionar o seu perfil anônimo do Netflix, se você tivesse um no conjunto. O estudo do Netflix mostra que o desanonimato dos 10 dígitos pode se esconder em lugares surpreendentes.

Nossos pertences físicos também podem nos trair por silenciosamente gritar dígitos traidores da identidade. Pequenos chips sem fio - muitas vezes chamados Identificação por Radio Frequencia (RFID) - residem em chaves de carro, cartões de crédito, passaportes, cartões de entrada de edifícios e passes de trânsito. Eles emitem números de série únicos.

Uma vez ligados aos nossos nomes - quando fazemos compras com cartão de crédito, por exemplo - esses microchips permitem sermos monitorados sem nosso conhecimento. Um livro popular inflama nossa imaginação com um título sensacional, "Spychips: Como as grandes corporações e o governo planejam rastrear cada movimento nosso com o RFID".

Mas microchips sem fio também destacam a futilidade da proteção do anonimato. Para começar, preocupações sobre o monitoramento com o RFID se perdem na floresta de árvores. Afinal, os telefones móveis são onipresentes e podem ser monitorados em distâncias muito mais longas do que os chips autônomos. Muitas pessoas têm receptores GPS nos seus telefones celulares e estão assinando serviços de localização, voluntariamente (se seletivamente) divulgando seus movimentos. Não muito sentido em esconder os números de série dos chips quando seu celular delata você.

Muitos cientistas (incluindo eu) desenvolveram técnicas antirrastreamento para celulares e microchips. Invés de números de série fixos, dispositivos sem fio podem usar pseudônimos variáveis, como placas rotativas de carros de espiões nos filmes. O problema é que as placas podem mudar, mas o carro parece sempre o mesmo. Neste sentido, os chips são como os carros.

Cientistas da ETH em Zurique mostraram recentemente como identificar microchips exclusivamente através de ondas de rádio - e, consequentemente, ver através do disfarce de pseudônimos. Os experimentos deles mostraram que, graças a variações de fabricação, microchips, laptops, cartões Wi-Fi e outros dispositivos não podem evitar a emissão de "impressões digitais" físicas - essencialmente números de série dados por Deus. Mais dígitos que irradiamos inconscientemente.

No final, nós provavelmente não teremos necessidade de fazer nada para ver todas as nossas identidades reveladas em lugares públicos. Já existem milhares de câmeras de vigilância em espaços públicos nos Estados Unidos (e no Brasil também).

O software de reconhecimento facial ainda está bruto hoje, mas vai melhorar. Câmeras acabarão por reconhecer rostos, assim como as pessoas o fazem. Ao contrário de pessoas, elas terão o apoio de bancos de dados contendo milhares de rostos - ou os headshots que tantos de nós já postamos na internet.

Felizmente, apesar da proliferação das fontes de 10 dígitos que são fatais para o anonimato na internet e na calçada, ainda podemos impedir o mundo do filme Minority Report. Há muitas facetas defensáveis da privacidade além da identidade. Mesmo se nossos nomes forem exibidos diante de todos, ainda temos a oportunidade de salvaguardar a saúde e os dados financeiros, as preferências de entretenimento, o histórico de compras e as interações sociais.

Nesta batalha roubo de identidade é um desafio fundamental para tecnólogos e políticos. A única forma de prevenir o acesso não autorizado aos dados pessoais é assegurar que, mesmo quando os criminosos aprenderem os componentes da sua identidade digital, eles não podem roubar. Forte autenticação será necessária para preencher a lacuna da desagregação das identidades.

Talvez o mundo seja mais favorável quando propagandas no interior das lojas lhe cumprimentarem pessoalmente, criminosos usarem crachás dizendo "alô, meu é", e as pessoas que você encontra em festas já tiverem sua biografia em mãos. Facebook, twitter e os onipresentes blogs já pressagiam uma sociedade de exibicionismo e voyeurismo. Mas as tecnologias que nos levam a um mundo de onisciência também nos trazer um passo para trás.

Durante anos as pessoas aspiravam escapar das pequenas cidades para as grandes cidades, para um recomeço com uma identidade sem história. A internet ofereceu semelhante horizonte de liberdade. Mas a sociedade da cidade pequena nos trará de volta nas suas garras, por bem ou por mal.


Ari Juels - cientista chefe e diretor da RSA Laboratories, e autor do thriller de criptografia "Tetraktys".


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