quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Você está pronto para a vida no Mundo 3?

Você está pronto para a vida no Mundo 3?

Por Jo Marchant / NewScientist.com

Nos anos 70 Karl Popper apareceu com uma teoria filosófica da realidade que envolvia três mundos interagindo: o mundo físico, o mundo mental e o "mundo 3", que inclui todos os produtos da mente humana - de ideias, quadros e músicas a toda palavra já escrita.

Algo muito semelhante ao mundo 3 é agora real e está cada vez mais influenciando como nós vivemos, diz George Djorgovski, co-diretor do Centro Avançado de Pesquisa de Computação no Caltech. É chamado de internet.

É a primeira manhã do Science Foo Camp, eu escolhi uma sessão chamada "virtualização da ciência e virtualização do mundo". De fato - adequado para uma reunião sendo realizada no quartel general do Google - como lidamos com uma vida crescentemente vivida online vem a ser um dos principais temas do dia. Djorgovski avalia que num futuro próximo, estar online em breve significará (entre outras coisas) não encarar a tela de um computador, mas ser imerso em realidade virtual 3D. 

Ele acha que isso será a chave para como faremos descobertas científicas no futuro. Esqueça gráficos - duas dimensões são totalmente inadequadas para lidar com a vasta quantidade de dados transbordando de tudo, desde o processo automatizado de sequenciamento do genoma aos esmagadores de átomos como o Grande acelerador de Átomos. Precisaremos de máquinas inteligentes capazes de analisar estes grandes conjuntos de dados, ele diz, bem como maneiras de visualizar e interagir com os resultados em três dimensões.

Tais tecnologias certamente revolucionarão a educação também, com a aprendizagem virtual substituindo a aula tradicional. Djogovski quer que cientistas e pesquisadores fiquem mais envolvidos com este processo agora, apontando que até agora os avanços na tecnologia 3D estão todos vindo da indústria do entretenimento: "Não podemos deixar a indústria do vídeo game dirigir o futuro no que é a tecnologia mais importante do planeta. Tem de haver mais nisso do que derramamento de sangue e matar dragões."

Sentados em volta da mesa estão especialistas em tudo, desde psicologia e bioética a ciência espacial. Pat Kuhl, um especialista em aprendizado inicial de crianças da Universidade de Washington, especula o que aprender tudo online fará com cérebros jovens. O consenso ao redor da mesa é que bom ou mau, o movimento para ambientes de realidade virtual é inevitável. "Então vamos tentar oferecer alguma coisa mais do que jogos," diz Djorgovski.

Em uma sessão subsequente sobre a mente das crianças, Kuhl nos conta sobre a importância dos exemplos sociais na aprendizagem inicial. Por exemplo, é bem conhecido que bebês diferem em suas habilidades de distinguir sons, dependendo da linguagem a qual eles são expostos, na época em que eles estão entre 10 e 12 meses de idade. Mas Kuhl e seus colegas mostraram recentemente que simplesmente ouvir os sons não é suficiente. Depois de poucas sessões com uma pessoa que fala o mandarim, bebês americanos podiam distinguir certos sons tão bem quanto bebês taiwaneses, mas estes, dada a mesma exposição via áudio ou vídeo não aprenderam nada.

Assim se não queremos que os cérebros das crianças se atrofiem em um mundo cada vez mais virtual, devemos trabalhar como incorporar os exemplos sociais relevantes. Kuhl já descobriu que fazendo a tela da TV interativa, de modo que os bebês possam ligar e desligar batendo nela, aumenta - um pouco - o quanto eles aprendem. Ela agora está experimentando com câmeras da web.

A tarde, o jornalista e comentarista britânico Andrew Marr trata da questão de o que acontecerá ao jornalismo em um mundo online, particularmente à medida que leitores digitais como o iPad - o qual Marr chama um "grande mecanismo de destruição" - se torna mais onipresente.

A mídia que consumimos não será mais apenas palavras, ou apenas figuras, mas uma colisão de texto, vídeo, áudio e gráficos animados. E as pessoas serão capazes de escolher itens individuais para consumir, além de comprar um jornal inteiro ou assistir apenas um canal.

Como muitos comentaristas, Marr acha que isso será o fim dos jornais - e talvez dos jornalistas tradicionais também. Mas ele acha que isso pode ser uma coisa boa, argumentando que o jornalismo, com seu foco no curto prazo e nível trivial de debate, tenha falhado conosco de qualquer forma. No futuro ele acha que as notícias virão de nichos, grupos de especialistas, por exemplo, pessoas interessadas em acesso a água limpa, se juntando online. Isto pode incluir bloggers, políticos em campanha ou lobistas. Acima deles, agregadores de notícias autorizados pegarão as histórias mais importantes do dia e abastecerão o resto de nós.

Marr diz que esse novo modelo será bom para o jornalismo e para a democracia, porque as pessoas dentro de cada comunidade de interesse serão especialistas, e não perderão interesse em um tópico do jeito que os repórteres tradicionais fazem.

Estou seguro que Marr está certo que os jornais como os conhecemos não vão sobreviver. Mas eu não me sinto tão otimista sobre sua visão. Eu não estou certo que tendo agregadores para selecionar um conjunto de histórias escritas por especialistas com uma agenda, necessariamente vai nos dar um bom jornalismo. Quem vai escrever os artigos de um jeito que os não especialistas possam entender? Quem fará as conexões entre os diferentes campos? Quem terá autoridade para cobrar explicações dos políticos? Infelizmente a sessão termina antes de termos a chance de entrar nessas questões.

Wikipedia sobre "MUNDO 3":

O modelo Mundo 3 era uma simulação de computador das interações entre a população, o crescimento industrial, a produção de comida e os limites nos ecossistemas da terra. Foi originalmente produzido e usado por um estudo do Clube de Roma que produziu o modelo e o livro os limites do conhecimento. Os principais criadores do modelo foram Donella Meadows, Dennis Meadows e Jorgen Randers.

O modelo foi documentado no livro Dinâmica do Crescimento em um Mundo Finito. Ele adicionava novas características ao modelo do Mundo 2 de Jay W. Forrester. Desde que o Mundo 3 foi originalmente criado, ele teve pequenos ajustes para chegar ao modelo Mundo 3/91 usado no livro Além dos Limites e mais tarde ajustado para chegar ao modelo Mundo 3/2000 distribuído pelo Instituto de Pesquisa Política e Ciência Social.

Tem havido um pouco de críticas ao modelo do Mundo 3. Algumas têm vindo dos próprios criadores, algumas têm vindo de economistas e algumas têm vindo de outros lugares.

Uma das maiores críticas do modelo é que ele simplesmente não reflete a realidade do mundo desde os anos 70 quando o modelo foi publicado pela primeira vez. Esta crítica é em geral falsa, desde que a maioria das previsões de desastre ou colapso não começariam a ocorrer até por volta de 2015 na série de referência. O modelo previa que a humanidade se depararia com limites fundamentais para o crescimento econômico cerca de um século depois da publicação do livro: isto é, 2072, com problemas ecológicos extremamente sérios somente começando a se tornar óbvios nas décadas de 2030 e 2040.

Fonte: www.redicecreations.com     

                              


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