sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Minority Report é real: O FBI quer usar as redes sociais para evitar crimes futuros

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Minority Report é real: O FBI quer usar as redes sociais para evitar crimes futuros

Por Andrew Couts

O FBI está investigando a criação de um novo aplicativo que permitiria a eles não somente monitorar ameaças em andamento, mas também predizer potenciais ataques terroristas e outros crimes antes mesmo de ocorrerem. Aqui está tudo o que você precisa saber, e porque você deveria ficar preocupado.

O Escritório Federal de Investigação (FBI) está investigando a criação de um aplicativo que poderia permitir melhor garimpar conteúdo de mídia social, em uma tentativa de mais acuradamente identificar, investigar e lutar contra "ameaças emergentes" em tempo real. O aplicativo poderá também ser usado para prever ameaças virtuais antes mesmo de acontecerem.

De acordo com um requerimento de informação (RFI, em inglês) postado no website Federal de Oportunidades de Negócios, o FBI diz que espera "determinar a capacidade da indústria de proporcionar uma aplicação de solução de alerta Open Source de mapeamento e análise de Mídia Social." Essa ferramenta permitiria ao FBI "verificar, identificar e geo localizar eventos de última hora, incidentes e ameaças emergentes rapidamente" usando informações "disponíveis publicamente" postadas em redes sociais, como Facebook e Twitter, bem como novas publicações nacionais e locais.

Big Brother 2.0

É claro, monitorar mídia social não é nenhuma novidade para a comunidade de aplicação da lei. No momento, contudo, é simplesmente muito ineficaz e ineficiente para as necessidades do FBI.

"Mídia social é uma valiosa fonte de informação para analistas de inteligência do [Centro de Operações e Informações Estratégicas do FBI (SIOC, em inglês)] no monitoramento rotineiro de eventos," diz o RFI. " Analistas têm considerado questões de inteligência que eles monitoram como assunto de curso diário ao redor do globo. É também produtivo em seus esforços para proporcionar informação inicial sobre eventos comuns de significado para aplicadores da lei. A mídia social tem se tornado uma fonte primária de inteligência porque ela tem se tornado a primeira resposta principal para eventos chaves e alerta primordial para possíveis desenvolvimento de situações".

O aplicativo que o FBI espera construir simplesmente faria este processo mais fácil e mais eficiente.

Aqui está como o FBI prevê o aplicativo funcionando: As informações reunidas de fontes de notícias e mídia social seriam superpostas sobre um mapa digital, marcando a localização dos "eventos em tempo real", junto com outros dados contextuais relevantes, informações adicionais, incluindo dados domésticos de terrorismo dos Estados Unidos, dados do terrorismo ao redor do mundo, a localização de todas as embaixadas americanas, consulados e instalações militares, previsões e condições do clima e vídeos de informação do tráfico também seriam superpostos nesse mapa.

Um sistema robusto de busca também seria incorporado ao aplicativo, o qual permitiria a capacidade de "instantaneamente buscar e monitorar palavras chaves e sequências de tweets 'disponíveis publicamente' através do site do Twitter e qualquer outro site/fórum de rede social," de acordo com o RFI. O FBI quer que a função de busca permita buscas por palavras chaves simultâneas "que possam procurar por 10 ou 20 incidentes/ameaças separadas ao mesmo tempo dentro da mesma "janela". A capacidade de monitorar outros dados de mídia social em no mínimo 12 línguas diferentes, e "traduzir imediatamente" estas postagens para inglês, está também esboçado como uma característica do aplicativo.

O futuro é agora

Tudo isso parece bastante ousado. De fato, estamos surpresos de o FBI não ter ainda tal aplicativo a sua disposição, desde que todas as características que ele delineia estão bem dentro das capacidades de uma equipe de desenvolvimento de software habilidosa. Sem mencionar o fato de que muito do que o FBI espera usar já existe em diferentes partes. Websites como OpenStatusSearch.com, YourOpenBook.org, TweetScan.com e Tweepz.com tornam possível procurar facilmente por palavras chaves sendo postadas publicamente no Twitter e Facebook. Tudo o que o aplicativo sonhado pelo pelo FBI faria combina estas características em um único produto, e os expande com dados adicionais do governo e de aplicação da lei e ferramentas de mapeamento.

Contudo, o FBI não quer apenas saber sobre o que está acontecendo agora; também quer prever eventos que estão para acontecer - prever o futuro. Se isso lhe parece de modo suspeito com o filme Minority Report, você não está só.

"A mídia social será crítica para atingir os objetivos de inteligência declarados acima, porque ela proporciona acesso exclusivo a informações a respeito de eventos especiais [isto é, convenções políticas, feriados nacionais ou eventos esportivos] antes de sua ocorrência," lê-se no RFI.

Ainda que a capacidade de procurar tweets e atualizações, usar mídias sociais para prever o futuro não é novidade, em março de 2011, o jornal de ciência da computação mostrou que tweets poderiam ser usados para prever flutuações futuras do índice médio industrial Dow Jones com uma precisão de 86.7 por cento. E neste mês a Corporação Rand analisou tweets de 2009 que usavam a hashtag #IranElection e descobriram que um aumento em palavrões nos tweets poderia ser usado para prever onde e quando protestos e outras formas de descontentamento público ocorreriam.

Usar tecnologia preditiva não está limitada a acadêmicos, governos ou corporações apenas. O website RecordTheFuture.com permite que qualquer um com uma conta acesse coleções de informações sobre potenciais eventos futuros, incluindo lançamento de produtos, flutuações de ações e até planos futuros de férias de particulares.

Todo mundo é um alvo?

Em outras palavras, os mundos de Aldous Huxley e George Orwell já chegaram. O FBI simplesmente quer criar um aplicativo padrão que combine a tecnologia já disponível e racionalizá-la, em uma tentativa de fazer melhor o trabalho deles. Está tudo bem se isso for usado para parar os caras verdadeiramente maus, como terroristas que querem explodir um estádio de futebol. O problema é, quem eles consideram "caras maus" hoje em dia? Hackers como o Anonymous? Apoiadores do Wikileaks? Manifestantes do Occupy Wall Street? Qualquer um?

Os mais cautelosos (e possivelmente mais sábios) entre nós diriam tudo o que está acima. E é cada vez mais difícil de refutar as advertências deles. No final do último ano o presidente Barack Obama assinou a mais recente iteração da Lei de Autorização da Defesa Nacional (NDAA, em inglês), uma lei que foi levada para renovação anual. O problema com a versão desse ano, dizem os críticos, é que ela inclui provisões que permitiriam aos militares dos Estados Unidos deter qualquer pessoa - inclusive cidadãos americanos - em qualquer lugar do mundo, sem julgamento ou o devido processo, se eles forem suspeitos de atividades terroristas. Além do mais, a NDAA proporciona uma definição tão ambígua de "atividade terrorista" que grupos como o Occupy Wall Street ou o Anonymous poderiam cair sob esta perigosa categoria.

Tem de ser salientado que o presidente Obama incluiu uma declaração de assinatura com a NDAA que garantia que sua administração não usaria a lei para deter indefinidamente cidadãos americanos.

É desnecessário dizer que isso fez pouco para acabar com a indignação do público que tem conhecimento.

Então o que fazer de tudo isso? Muito obviamente, é agora dolorosamente claro que tudo que postamos online está sendo observado. E se o FBI conseguir seu novo aplicativo - o que parece para nós uma inevitabilidade - o olho com o qual ele vê nossos tweets e atualizações terá visão biônica, e até a capacidade de espreitar o futuro. O que é menos óbvio é como o objetivo do governo de proteger o bem público será abusado para atropelar a legítima liberdade de expressão e o descontentamento público legal.

Em resumo: O Big Brother é real. Ele está observando. Então seja cuidadoso sobre o que diz online hoje em dia - isso poderá ser usado contra você amanhã.

Fonte: www.digitaltrends.com




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