quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

As Operações Psicológicas e a Manipulação das Massas — Um Guia Básico Sobre a Propaganda Global


Autor: Carl Teichrib, Forcing Change, Edição 2, Volume 1.
"O cidadão deve ser moldado para se adequar à forma de governo em que vive." — Aristóteles, Política, Livro 8. [1].
"Nunca antes na história humana tantos tiveram um acesso tão fácil a tanto poder potencial para tantos propósitos diferentes." — In Athena's Camp: Preparing for Conflict in the Information Age. [2].
"Operações psicológicas" não é uma expressão tipicamente encontrada no vocabulário do público geral. Essa expressão é um termo militar que se refere a uma operação de informações destinada especificamente a mudar o comportamento e as atitudes de um grupo-alvo. Em termos militares, esse grupo é formado por combatentes inimigos e/ou a população geral de um país inimigo.

Hoje, vivemos em uma época em que as informações são consideradas centrais para a manutenção do poder político e econômico, o que coloca a abrangência das operações psicológicas muito além das aplicações exclusivamente militares.

Embora isto não seja fundamentalmente novidade — as informações e sua alavancagem sempre foram instrumentos de poder — a maioria das pessoas não tem uma compreensão da importância da manipulação e da capacidade de persuasão das informações.

Na forma mais ampla, as operações psicológicas estão intimamente vinculadas à sua prima: a propaganda das informações. De fato, a distinção entre as duas é tênue e na literatura (incluindo os documentos militares) essas duas ciências estão intimamente interligadas.

Peter Kenez, autor de The Birth of the Propaganda State, escreveu:
"Para discutir a questão de forma sensata, precisamos abandonar a esperança de encontrar uma definição da propaganda que seja precisa, que cubra todos os atos da propaganda e somente propaganda, e que seja utilizável, independente do tempo e do espaço. Em vez disso, precisamos aceitar a definição mais ampla possível: a propaganda não é nada mais do que a tentativa de transmitir valores sociais e políticos na esperança de afetar a mente e as emoções das pessoas e, desse modo, modificar o comportamento." [3].
Um antigo documento das forças armadas canadenses sobre operações psicológicas, intitulado Psychological Operations — First Draft (Operações Psicológicas — Primeiro Rascunho), postula uma posição similar:
"As operações psicológicas (chamadas no jargão militar de PsyOps, ou também de OPs) são um termo genérico usado para cobrir todos os aspectos das atividades psicológicas e é definido como: atividades psicológicas planejadas em tempos de paz e de guerra, direcionadas contra audiências inimigas, amigas ou neutras, de modo a influenciar as atitudes e o comportamento que afetam o alcance de objetivos políticos e militares." [4] [itálicos adicionados]. Fazendo uma ponte entre os dois conceitos de informações, esse documento canadense diz explicitamente: "A propaganda é um instrumento básico das operações psicológicas." [5].
Ao ressaltar o valor da propaganda como o instrumento principal das operações psicológicas, é importante considerar o papel e o uso da "mensagem". Uma seção extraída do documento militar canadense referido anteriormente diz: "A mensagem de propaganda é uma comunicação com o propósito de produzir uma ação e uma atitude. Antes de poder realizar seu propósito, ela precisa ser ouvida pelo receptor designado (o alvo). Em resumo, a mensagem precisa ser recebida, compreendida, aceita como verdadeira, oferecer uma solução e produzir um resultado desejado."

Com base em uma política, nas informações coletadas pelos serviços de Inteligência, um alvo, temas, e uma avaliação dos resultados desejados, o propagandista compõe sua mensagem. Ele precisa construir e transmitir sua mensagem no tempo correto para que, mesmo em competição com muitos outros materiais que estão sendo apresentados ao alvo, a mensagem seja ouvida. O alvo precisa compreender a mensagem e interpretá-la da forma desejada pelo propagandista.

Uma mensagem de propaganda precisa despertar ou estimular necessidades. Ela precisa provocar uma ação ou produzir a atitude desejada pelo propagandista. Isto requer que a mensagem diga ao alvo como satisfazer suas necessidades — seguindo o curso de ação desejado pelo propagandista. Isto, por sua vez, requer que as ações (incentivadas abertamente, ou de forma implícita) sejam apropriadas e importantes para o alvo. De modo a obter a atenção ou a atitude desejada, a mensagem precisa, na opinião do alvo, oferecer a melhor solução (ou a única solução lógica) para a solução do problema enfocado ou em atender às necessidades do alvo.

Essencialmente, o propagandista precisa tomar todas as medidas necessárias para garantir que a ação que ele deseja seja bem-sucedida e que a ação que ele não deseja tenha a mínima oportunidade de chamar a atenção do alvo, isto é, que ela falhará. [6].

Isto é significativo, pois demonstra a moldagem intencional de um grupo (uma sociedade) por meio da disseminação de informações específicas, a mensagem, para atingir determinados objetivos no alvo. Além disso, esse relacionamento mensagem-alvo normalmente não é aparente para a audiência. A vagueza situacional não está sempre presente, mas tipicamente o grupo-alvo desconhece as influências externas que estão em operação, moldando as opiniões, crenças, valores e atitudes.

Operações Psicológicas e Influência Interna

Uma admissão interessante dos alvos das operações psicológicas militares pode ser encontrada em uma publicação produzida pelo Programa de Pesquisa de Comando e Controle (CCRP), que opera vinculado ao gabinete do Assistente do Secretário de Defesa dos EUA. Ao discutir a importância do suporte público para as operações militares, especificamente após a Batalha de Mogadishu, em 1993, em que 18 militares americanos morreram, os autores do relatório dizem:
"Após a Somália, 'os corações e mentes' a serem conquistados ao montarmos essas operações não são apenas aqueles no país em questão — o alvo tradicional das operações psicológicas. Eles agora incluem, talvez até de forma predominante, os corações e mentes do povo e do Congresso americano." [7].
Isto é tremendo. Como Peter Kenes nos lembra: "... a propaganda frequentemente significa dizer menos do que a verdade, enganar a população e mentir..." [8]. Embora o exemplo acima possa ou não ter um vínculo direto com mentir ou "enganar a população", ele ilustra o aspecto da política pública de "persuasão", colocando em jogo questões de ética e de governança.

São inúmeras as questões éticas relacionadas com a persuasão do público. Em um relatório publicado em 2005, o Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA examinou ações das agências do Poder Executivo e descobriu diversos exemplos de atividades com informações controversas. Agências tão diversas quanto a Receita Federal, o Departamento de Política e Controle de Narcóticos, a Previdência Social, o Departamento da Educação, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos e a Agência de Proteção Ambiental foram todos apontados por empregarem campanhas com informações altamente questionáveis. Muitas dessas campanhas tinham o objetivo de promover as posições do governo.

Entretanto, no caso da Comissão Federal das Comunicações, descobriu-se que esse órgão estava especificamente promovendo os aparelhos de televisão digital — junto com grandes interesses empresariais que se beneficiariam com as vendas desses aparelhos. [9].

Embora as vendas de televisores seja algo trivial em termos de atividades de propaganda, isto ilustra o quão aceita e firmemente estabelecida a manipulação das informações se tornou. Infelizmente, isto também levanta a validade da desconfiança geral da população no governo.

Reconhecendo o dilema do efeito bumerangue da enganação como um instrumento da política, especialmente no que se refere às preocupações maiores, um relatório do Colégio de Guerra do Exército dos EUA observou:
"Como os governos praticaram o engano envolvendo questões tão importantes quanto a segurança nacional, é difícil para muitos na mídia e no público em geral, desconsiderarem totalmente a possibilidade que os anúncios do governo possam ser desinformação... Qualquer pessoa envolvida em operações de enganação, ofensiva ou defensivamente, deve estar ciente das questões de credibilidade inerentes neste assunto. Frequentemente, há mais em risco do que uma vantagem política ou militar temporária." [10].
Há muita coisa em risco, incluindo a credibilidade de longo prazo das estruturas civis básicas. Isto é inerentemente verdadeiro com relação à propaganda que foi inicialmente colocada em ação para inverter os valores sociais e os comportamentos internos porque, uma vez que o mecanismo tenha se estabelecido no fulcro da vida civil, sua influência pode persistir por muito tempo após o programa oficial terminar. Em outras palavras, um efeito bola de neve pode continuar até que a má informação seja rebatida por vozes mais sensatas, até que ela se autodestrua sob a inércia de suas próprias enganações, ou até que o resultado original da operação psicológica — ou uma variação dele — seja alcançado.

Infelizmente, o alcance da propaganda frequentemente infecta todos os níveis da sociedade, com consequências na integridade civil de longo prazo. Essa corrosão na credibilidade pode, por sua vez, afetar de forma adversa o sistema educacional, os serviços da imprensa e da mídia, as funções policiais e militares, os papéis das igrejas e dos seminários e vários ofícios de autoridade pública. Além disso, todas essas instituições não somente têm o potencial de serem usadas via operações psicológicas, mas em casos particulares podem na verdade utilizar a propaganda como um modo de fazerem avançar seus próprios planos.

[Nota: A Forcing Change procurará documentar esta realidade; em artigos futuros destacaremos exemplos específicos de planos.]

Se a propaganda tem um ângulo positivo, é durante os tempos de guerra real em que as operações psicológicas são usadas diretamente para combater países inimigos, incluindo táticas enganosas no campo de batalha. [11]. Entretanto, essa forma de enganação está rigidamente conectada com uma luta imediata de vida ou morte. É o uso da propaganda como um instrumento de transformação interna que é muito mais preocupante.

O Modelo Soviético

A partir de uma perspectiva política interna, três grandes potências no século 20 fizeram um tremendo esforço para moldar suas sociedades nacionais por meio da manipulação das informações. A União Soviética, a Alemanha Nazista e a China Comunista estabeleceram cada uma delas agências específicas para criar e disseminar propaganda. É aqui que podemos começar a compreender verdadeiramente o significado das operações psicológicas: a sutil e sistemática corrosão dos valores centrais.
 O professor David E. Powell, autor de Antireligious Propaganda in the Soviet Union: A Study of Mass Persuasion (Propaganda Antirreligiosa: Um Estudo da Persuasão das Massas), revelou o cerne da estrutura transformacional soviética:
"O Partido tentou destruir os padrões tradicionais de autoridade e de relacionamentos que considerava inadequados para o mundo moderno e desenvolver no lugar deles um novo conjunto de devoções. O Partido decidiu moldar os valores de todo um povo por meio de um programa gigantesco de educação e doutrinação... Ele tentou modificar a visão dos adultos e inculcar nos jovens, que têm menos preconceitos e atitudes menos arraigadas, as visões que ele considerava serem as corretas." [12].

"A 'socialização política' é o processo pelo qual as pessoas adquirem seus padrões e suas crenças políticas. Ela envolve uma ampla variedade de instituições e indivíduos, desde os pais e professores até a imprensa, os tribunais e as forças armadas."

"Por meio do contato com esses agentes socializadores, as pessoas modificam ou descartam os antigos valores, assimilam novos valores, ou reforçam suas noções pré-existentes." [13].

"Em seu esforço de reestruturar a cultura política e transformar um povo religioso em um povo ateísta, os líderes soviéticos tentaram socializar e ressocializar toda a população." [14].
Se você está fazendo a si mesmo a pergunta: "Como isto se encaixa no mundo atual?" — está fazendo a pergunta errada. A questão real é: existem forças em operação no nosso atual sistema nacional e global que estão tentando "moldar os valores de toda uma população por meio de um programa gigantesco de educação e doutrinação..."?
 O Clube de Roma, uma organização influente de indivíduos proeminentes de todo o mundo, já admitiu em 1976 que faz avançar um programa de mudança global, principalmente por meio de agências especializadas inseridas dentro da comunidade internacional.
"No nível mais alto das questões mundiais, instituições internacionais precisam formar os principais agentes da transformação planejada.

Os esforços a serem feitos pelas instituições nos níveis mais altos podem ser vistos como 'meios' que podem ser mobilizados para alcançar os fins desejados. Isto implica que as instituições controlam diversos 'volantes' que podem ser usados para guiar a mudança por meio de esforços de indivíduos e instituições menores. Todavia, o controle que as instituições podem exercer não é ilimitado, mas bem determinado pela estrutura de poder em que elas operam."

"No caso das instituições poderosas, os meios à disposição estão frequentemente organizados em políticas. Como tais, as políticas podem se referenciar à operação atual da ordem socioeconômica ou à ação destinada a executar uma ação planejada na ordem existente. Portanto, elas podem ser direcionadas para reforçar ou transformar o status quo internacional." [15].
Isto toca na raiz: a transformação global gerenciada e se encaixa com a grande visão de Mikhail Gorbachev. Como o ex-presidente da União Soviética escreveu no ano 2000: "Novas abordagens são necessárias, novas orientações em pensamento e ação. Precisamos fazer a transição para uma nova civilização global." [16].

De modo a ver como a propaganda para uma "nova civilização" está sendo feita em nosso contexto moderno, precisamos analisar exemplos de transição. Existem muitos desses exemplos, porém as limitações de tempo e de espaço somente nos permitirão destacar rapidamente um caso em vista: o movimento ambientalista internacional como um agente para a reestruturação global.

O Ambientalismo como uma Operação Psicológica

Há várias décadas que a comunidade internacional e grupos ambientalistas de lóbi vinculados clamam por grandes mudanças na forma como nosso mundo funciona. Isto inclui não somente uma reestruturação econômica e política, mas também a remodelagem dos sistemas individuais de crenças, atitudes e comportamentos. Portanto, uma nova ética global está sendo apresentada e promovida, uma ética que envolve uma cosmovisão neopagã com um ethos (NT: Ethos, na Sociologia, é uma espécie de síntese dos costumes de um povo. O termo indica, de maneira geral, os traços característicos de um grupo, do ponto de vista social e cultural, que o diferencia de outros. Seria assim, um valor de identidade social. Fonte: Wikipedia) construído com base em ornamentos estratégicos (veja na segunda citação do IISD abaixo uma admissão deste fato).

Sem qualquer surpresa, em uma campanha de operação psicológica, a juventude e a "educação" estão colocados bem no alto da lista de planos. Afinal, de modo a alterar radicalmente a sociedade, precisamos "inculcar nas pessoas mais jovens" as visões planetárias corretas.

Considere as seguintes citações, todas extraídas do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD, página na Internet em http://www.iisd.org), uma das mais prestigiosas organizações ambientalistas que operam nos círculos globais de governança. Observe o seguinte: o IISD é uma "organização privada e governamental", um órgão financiado pelo governo canadense e que tem a aparência de autonomia, porém foi criado para fazer avançar ações políticas nacionais e internacionais, financiadas em grande parte com o dinheiro dos impostos pagos pela população. [17].

Ao ler os materiais do IISD, observe os elementos de operações psicológicas direcionados para a mudança dos valores nacionais e globais e os meios de alcançar essa transformação. A propaganda não é difícil de detectar. Algumas citações especialmente audaciosas precisam ser lidas duas ou três vezes para que você consiga compreender o alcance total que elas têm.
  • "Nas campanhas pelo meio ambiente, durante qualquer 'ciclo de atenção para um problema', há uma fase em que o problema precisa ser estrategicamente exagerado de modo a estabelecê-lo firmemente em um plano de ação." [18].
  • "A educação tem sido avançada como significativa para produzir mudanças nas atitudes, comportamentos, crenças e valores... De modo a redirecionar o comportamento e os valores rumo à mudança institucional para o desenvolvimento sustentável, existe a necessidade de investigar as opções estratégicas com relação às filosofias educacionais, ao âmbito para a propagação e adoção, e aos grupos mais provavelmente susceptíveis à mudança." [19].
  • "... um novo modo de fazer as coisas é claramente necessário. Os objetivos da educação e do treinamento precisam ser redefinidos e os critérios de sucesso mensurados em termos de avanços para o próximo nível... Uma transição precisa ocorrer: em abordagem, do ensino ao aprendizado; nos parâmetros do aprendizado, desde os limites da sala de aula ou do centro de treinamento até os elementos dos contextos socioculturais, políticos e ambientais; e no método, de responsivo ou pior, passivo, para pró-ativo e participativo." [20]. [Nota do Editor: Isto é a criação de ativistas.].

  • "Os jovens estão também bem-posicionados para lutarem por mudanças [no meio ambiente e pelo desenvolvimento sustentável]. Em sua maioria, eles são significativamente menos dependentes do sistema econômico, o que lhes dá espaço para protestar. O protesto deles é mais prontamente reconhecido como sincero e isento de interesses mesquinhos em comparação com os protestos provenientes de outros setores sociais. Como produtos da engenharia educacional e social e como herdeiros deste planeta, eles têm o direito de serem ouvidos. Estando ligadas por instituições educacionais, as ideias florescem facilmente e fincam raízes." [21].

  • "... como se diz, se o mundo deve realmente mudar, então a inspiração para essa mudança não pode vir da sociedade moderna, que está baseada na ideologia econômica, social e política do Ocidente. A inspiração tem de vir daqueles que veem o mundo e sua população em sua beleza holística, e não de pessoas que internalizaram os valores violentos, materialistas e individualistas que a sociedade adquiriu ao longo da história. Como jovens, é nossa luta nos libertarmos da doutrinação da sociedade moderna..." [22].

  • "A tarefa da educação no futuro imediato é ajudar a ativar uma ética de sensibilidade planetária que nos ajude a praticar as disciplinas que nos protejam das atrações da nossa cultura mórbida de bens e produtos... Temos de revisar completamente nossa compreensão ocidental do que deva ser um habitante do planeta Terra, nossa história humana e a história ocidental, pois nossa nova situação revela a verdadeira realidade daquilo que temos feito." [23].

  • "Precisamos passar para um senso de realidade e de valores centrado no homem para um senso centrado na Terra. Precisamos agora reconhecer a comunidade maior de toda a Terra, e não a comunidade humana, como normativa com relação à realidade e aos valores." [24].
Finalmente, o IISD sugere que uma parte do processo educacional de transformação sustentável global requer que o grupo-alvo "sinta-se como mestre de suas próprias ideias..." [25]. Isto é uma operação psicológica clássica.

Lidando com a Propaganda

O exemplo acima, extraído do movimento ambientalista, é somente um em uma longa lista de iniciativas que flertam com a propaganda, ou que a usam explicitamente. O discurso sobre o aquecimento global contém muita manipulação de informações, incluindo filmes de propaganda, como O Dia Depois de Amanhã e Uma Verdade Inconveniente. Da mesma forma, aspectos do movimento pelos direitos humanos giram em torno da propaganda da "cidadania global", o que é uma pena, pois existem preocupações com direitos humanos que são legítimas. [26].

Lamentavelmente, parece que para qualquer lado que você olhe, existe uma inclinação intencional de desafiar e transformar seus valores centrais. Como Peter Kenez escreveu: ".... é inútil reclamar e denunciar a propaganda, pois ela é uma parte integral do mundo moderno." [27]. De fato, parece ser.

Para o indivíduo, o perigo real das operações psicológicas vai além do fato de sermos bombardeados constantemente pela manipulação das informações. Existe um risco mais fundamental que está escondido. Além disso, esse perigo se expressa de duas maneiras para o indivíduo:

1) Ignorar ou marginalizar o assunto, proclamando as operações psicológicas como uma teoria conspiratória ou descartá-la como uma acusação paranóica.

Seguir essa abordagem é ignorar intencionalmente as lições vitais da história, a natureza humana e as estruturas do poder social.

2) Acreditar que existe um bicho-papão em cada esquina. O caminho da paranóia é tão autodestrutivo quanto marginalizar o assunto; é um caminho que coloca ênfase excessiva no medo, ao mesmo tempo que ignora a lógica e a razão.

Portanto, como nos salvaguardamos das operações psicológicas e da propaganda e de outras táticas de enganação com informações — principalmente ao lidarmos como os paradigmas da transformação social?

Um modo é fazer perguntas que nos levem a refletir, como: Existe um desafio aos meus valores, atitudes e crenças naquilo que estou vendo, ouvindo ou experimentando? Em que o desafio está baseado e como a mensagem está me incentivando a reordenar meus princípios? Como as informações que estou recebendo se sustentam quando confrontadas pela lógica, pela história e pelo conhecimento? Agendas mais sutis e mais profundas aparecem subitamente ao pesquisar o objetivo superficial da mensagem? A mensagem e o significado das informações estão me induzindo a conformar meu comportamento para aceitar ou rejeitar um determinado plano, produto ou processo?

Nem sempre é fácil identificar um pacote de operação psicológica/propaganda bem-projetado. Entretanto, as questões acima ajudam a formular a análise crítica necessária. Como afirma Joseph. W. Caddell, ao escrever para o Colégio de Guerra do Exército dos EUA: "Uma metodologia abrangente para lidar com a enganação nunca será escrita. Este é um campo nebuloso, em constante mutação e de proporções virtualmente infinitas." [28].

Mesmo assim, Caddell, escrevendo principalmente para uma audiência militar, oferece algumas orientações básicas a serem usadas na batalha contra a enganação:
"Quanto mais você souber sobre seus adversários e sobre os eventos que estão se desdobrando, melhor preparado estará para enfrentar a enganação... Nunca dependa de um número limitado de fontes de informações ou de um número limitado de metodologias de coleta de informações. Quanto mais fontes você conhecer, mais difícil será para alguém manipular informações fora do contexto. Quanto mais uma pessoa sabe, mais provavelmente ela conseguirá detectar uma fabricação."

"O conhecimento também deve incluir o conhecimento sobre si mesmo. Reconheça os vieses e pressuposições que você, sua organização e sua cultura possuem. Acautele-se da 'imagem no espelho' — sempre que alguém assume que os outros se comportarão de uma maneira similar à forma como ele mesmo faria, está abrindo a porta para o autoengano." [29].
Tudo isto parece elementar e, em grande parte, é mesmo. É claro que as tecnologias usadas para transmitir a mensagem estão sempre sendo atualizadas, mas os conceitos fundamentais permanecem os mesmos. Não nos esqueçamos também que a arte e a ciência da propaganda são tão antigos quanto os atos de mentir e de manipular e, embora os veículos usados para disseminar uma mentira ou para influenciar uma audiência possam mudar com o tempo e a tecnologia, as ações básicas continuam as mesmas.

Caddell reforça esta afirmação. Ao discutir as aparentemente simples contramedidas para enfrentar a enganação, com o conhecimento e a análise sólida, ele encerra fazendo o seguinte comentário:
"Estas observações podem parecer todas autoevidentes até para um estudante casual da enganação. Portanto, alguém pode se perguntar por que essas afirmações óbvias precisam ser repetidas. A resposta é simples. Nas operações bem-sucedidas de enganação, o agente perpetrador espera que uma ou mais dessas observações autoevidentes sejam negligenciadas." [30].
Observação: Dois documentos-fontes usados neste artigo podem ser encontrados na área restrita do site Forcing Change:
  • Psychological Operations: First Draft.
  • Deception 101: A Primer on Deception.

Notas Finais

1. Aristóteles, Política, Livro 8, Parte 1.
2. Brian Nichiporuk e Carl H. Builder, Societal Implications, In Athena’s Camp: Preparing for Conflict in the Information Age (Santa Monica: RAND/National Defense Research Institute, preparado para o Gabinete do Secretário de Defesa, 1997), pág. 295.
3. Peter Kenez, The Birth of the Propaganda State: Soviet Methods of Mass Mobilization, 1917-1929 (Cambridge: Cambridge University Press, 1985), pág. 4.
4. Publicado sob a autorização do Chefe da Casa Militar, (Departamento de Defesa Nacional do Canadá), Quartel-General do Comando Móvel, Psychological Operations – First Draft, CFP 315(5), 1988, pág. 1-1.
5. Idem, págs. 1-3. 6. Idem, págs. 3-14/3-15.
7. Kevin Avruch, James L. Narel, e Pascale Combelles Siegel, Information Campaigns for Peace Operations (DoD C4ISR Cooperative Research Program/Command and Control Research Program, 2000), pág. 14.
8. Peter Kenez, pág. 2.
9. Relatório para o Congresso, Serviço de Pesquisa, Public Relations and Propaganda: Restrictions on Executive Agency Activities (CRS, 8 de fevereiro de 2005).
10. Joseph W. Caddell, Deception 101 – Primer on Deception (Carlisle, PA: Strategic Studies Institute, US Army War College, 2004), pág. 5.
11. Para um texto sobre o assunto, veja o livro de Jonathan Gawne, Ghosts of the ETO: American Tactical Deception Units in the European Theater, 1944-1945 (2002).
12. David E. Powell, Antireligious Propaganda in the Soviet Union: A Study of Mass Persuasion (Cambridge: MIT Press, 1975), pág. 1.
13. Idem, pág. 5. 14. Idem, pág. 6.
15. Reshaping the International Order: A Report to the Club of Rome (New York: E. P. Dutton, 1976), pág. 100.
16. Mikhail Gorbachev, On My Country and the World (New York: Columbia University Press, 2000), pág. 73.
17. Para um histórico do IISD, incluindo o suporte inicial dado pelo governo do Canadá e pela província de Manitoba, veja IISD Timeline, http://www.iisd.org/about/timeline.asp. Para ver o financiamento governamental de fontes canadenses e de outros governos, incluindo os EUA e países europeus, veja o relatório anual do IISD de 2005-2006. A tabulação dos fundos gerados pelos impostos dados ao IISD desde sua formação em 1990 chegam às dezenas de milhões de dólares. A página na Internet do IISD apresenta os relatórios anuais desde 1996. O autor deste artigo também possui em seu arquivo cópias impressas dos relatórios de anos anteriores a 1996.
18. Robin Mearns, Environmental Entitlements: Towards Empowerment for Sustainable Development, Empowerment for Sustainable Development: Toward Operational Strategies (Winnipeg: International Institute for Sustainable Development/Fernwood Publishing, 1995), pág. 51.
19. Naresh Singh e Vangile Titi, Empowerment for Sustainable Development: An Overview” Empowerment for Sustainable Development: Toward Operational Strategies, pág. 27.
20. Gretchen Goodale, Training in the Context of Poverty Alleviation and Sustainable Development, Empowerment for Sustainable Development: Toward Operational Strategies, pág. 83.
21. Youth Sourcebook on Sustainable Development (Winnipeg: International Institute for Sustainable Development, 1994), pág. 60.
22. Idem, pág. 79.
23. Budd Hall e Edmund Sullivan, Transformative Education and Environmental Action in the Ecozoic Era, Empowerment for Sustainable Development: Toward Operational Strategies, pág. 102.
24. Idem, págs. 102-103.
25. Naresh Singh e Vangile Titi, Empowerment for Sustainable Development: An Overview, pág. 19.
26. O autor deste relatório já participou de diversas conferências sobre os direitos humanos e testemunhou a propaganda em primeira mão.
27. Peter Kenez, pág. 4. 28. Joseph W. Caddell, Deception 101, pág. 15. 29. Idem, págs. 15-16. 30. Idem, pág.16.

Autor: Carl Teichrib, artigo original em http://www.forcingchange.org, Edição 2, Volume 1.
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/manipulacao.asp

domingo, 2 de dezembro de 2012

Definindo a Agenda Internacional — Compreendendo o Quadro Grande: O Movimento Federalista Mundial


Autor: Carl Teichrib, Forcing Change, Volume 1, Edição 10.

No início de setembro de 2007, um jornal em língua francesa reportou:
"Movimento Federalista Mundial? Atrás desse nome pouco conhecido se esconde uma organização que milita por 'uma ordem internacional por meio do fortalecimento da Organização das Nações Unidas'. Com sua base em Nova York, o movimento afirma ter aproximadamente 50 mil simpatizantes em todo o mundo. Na semana passada, em Genebra, foi realizado seu Vigésimo Quinto Congresso Internacional. Os delegados aproveitaram para ir a Montreux, na tarde da quinta-feira, onde o movimento foi fundado sessenta anos atrás." [1].
Para o cidadão mediano, o Movimento Federalista Mundial é uma entidade desconhecida, porém os objetivos e aspirações dessa organização são de longo alcance, afetando potencialmente cada país e cada indivíduo. Assim sendo, qual é o principal objetivo do MFM? Considere a seguinte declaração encontrada em sua página na Internet:
"O objetivo final dos federalistas mundiais é a federação mundial, mas esse objetivo somente poderá ser alcançado após estágios intermediários. O desafio que o federalismo mundial precisa enfrentar agora é mostrar que é capaz de tomar a liderança no processo de transição rumo ao governo mundial." [2].
O Movimento Federalista Mundial seria fácil de desprezar como utópico — ou até como um pouco megalomaníaco. Entretanto, a organização e seus ideais se tornaram altamente respeitados dentro da comunidade internacional. Atualmente, doze governos nacionais e um escritório da União Europeia apoiam financeiramente o MFM (veja o quadro "Mantenedores Institucionais") e, ao longo dos anos, suporte moral pela agenda federalista mundial tem sido dado por diversas personalidades internacionalmente conhecidas, como Bill e Hillary Clinton, Walter Cronkite, Kofi Annan e Ted Turner (o quadro "Apoiadores Notáveis" mostra uma lista de outras personalidades). Na verdade, a lista histórica de membros e apoiadores representa uma amostra de líderes dos campos da diplomacia, da vida política, do direito, da academia e das finanças.
 Se isto não fosse o suficiente, o MFM, como o maior grupo de lóbi pró-governo mundial, tem um extenso conjunto de afiliados nacionais e regionais e frequentemente faz parcerias com diversas outras organizações e agências. Tudo isto tem dado à organização uma quantidade impressionante de contatos em rede e fez dela uma voz com credibilidade no desenvolvimento mundial progressivo.

Fundado em 1947 durante o primeiro Congresso Internacional do "Movimento Internacional pelo Governo Federal Mundial", realizado em Montreux, na Suíça, [3] o MFM tem agora status consultivo dentro da ONU [4] e exerce um papel em muitos encontros dessa organização, como durante as históricas Conferências do Milênio, realizadas no ano 2000.

O autor deste artigo testemunhou esse envolvimento em primeira mão ao participar da Foro do Milênio da ONU. Em todo o evento, o MFM e sua filial americana (então conhecida como Associação Federalista Mundial), se envolveram no foro em todos os níveis, desde o credenciamento dos participantes até a definição dos objetivos do evento, desde coordenação das agendas até a composição dos grupos de trabalho sobre o fortalecimento da ONU. Se você fizesse parte do arraial Federalista Mundial, até receberia um assento preferencial nas três primeiras fileiras do salão da Assembleia Geral da ONU.

Além do envolvimento nos eventos globais, as impressões digitais do federalismo mundial podem ser vistas em diversos conceitos de longo alcance, incluindo a proposta para um tributo global, o estabelecimento de uma força policial internacional e o desenvolvimento de um sistema parlamentar das Nações Unidas — que já estão começando a dar seus primeiros passos.

Mas, provavelmente, o lance mais significativo do MFM foi sua sutil, porém influente participação por trás dos bastidores na criação da Corte Internacional de Justiça. Bill Pace, diretor-executivo do MFM exerceu um papel fundamental na coordenação dos grupos de lóbi e de influência sobre os altos funcionários da ONU e dos líderes dos governos em suporte à campanha pela criação da CIJ.

Hoje, os federalistas mundiais veem a CIJ como uma de suas mais importantes contribuições a favor da governança global. [5].

Tudo isto aponta para um fato inescapável: a comunidade federalista mundial está ativa e suas ideias estão sendo consideradas nos círculos globais. Embora muitos de seus membros tenham expressado frustração com a lentidão que o processo da governança global parece ter, ele está progredindo em um ritmo tangível.

Se, como tudo indica, os projetos do MFM estão avançando e a comunidade internacional está aceitando sua grande visão, então nós também precisamos começar a prestar atenção a esse movimento.

Apoiadores Notáveis do Federalismo Mundial

Ao longo das últimas décadas, os seguintes indivíduos, e muitos outros, endossaram e apoiaram ativamente o trabalho da comunidade federalista mundial:
  • Strobe Talbott (Sub-Secretário de Estado dos EUA, no período de 1994-2001)
  • Jean Stapleton (atriz)
  • U Thant (ex-Secretário-Geral da ONU)
  • Robert Muller (Assessor do Secretário-Geral da ONU)
  • Papa Pio XII
  • Bertrand Russell (escritor e filósofo)
  • Isaac Asimov (escritor)
  • Lloyd Bridges (ator)
  • Cord Meyer, Jr. (assessor do Diretor de Planejamento da CIA)
  • Alan Cranston (senador americano)
  • Joseph S. Clark (senador americano)
  • Sir Peter Ustinov (ator)
  • Lloyd Axworthy (ministro canadense das Relações Exteriores, durante o governo Chrétien).

Definindo os Objetivos

O MFM se reuniu para seu Vigésimo Quinto Congresso Mundial, de 27 a 31 de agosto de 2007, em Genebra, na Suíça. Durante os cinco dias, aproximadamente 200 membros e observadores se reuniram para discutir e desenvolver planos de ação para a governança global no estilo da ONU.
 Agora que o congresso terminou, é possível analisar o quadro grande que está sendo armado diante da comunidade internacional. Sem qualquer surpresa, o regionalismo mundial como uma parte integrada do sistema da ONU esteve sobre a mesa. Isto faz sentido; afinal, o Movimento Federalista Mundial já disse que o objetivo do governo mundial "somente poderá ser alcançado após estágios intermediários".

Quatro Comissões do Congresso do MFM foram estabelecidas para estudar questões específicas.

Como um auxílio para compreender as tendências em macropolíticas, cada comissão é numerada e listada a seguir, junto com um resumo dos pontos principais. À medida que nossa sociedade se transforma, observe como essas ideias vêm para a luz na mídia, nas discussões políticas no nível nacional e na arena das questões internacionais. Além disso, observe que elas somente virão à luz quando e a somente se uma grande reorganização internacional acontecer. Para os analistas e pesquisadores políticos, esteja atento à medida que essas ideias aparecerem nos debates políticos e nos foros internacionais.

Devido às limitações de espaço, nem todas as propostas das Comissões do Congresso do MFM serão listadas ou discutidas aqui. Além disso, onde o autor deste ensaio acrescenta comentários aos pontos abaixo, eles são prefaciados pela palavra NOTA em letras maiúsculas. Uma observação final a respeito das fontes: Todos os pontos abaixo foram extraídos nas palavras exatas (nas citações), ou em um formato resumido, das Resoluções Finais do Congresso do MFM.

1. Justiça Internacional, o Império da Lei e os Direitos Humanos

  • Continuar fortalecendo a Corte Internacional de Justiça, endossando "o conceito e a prática da jurisdição universal..."
  • Reconhecer a criação do Conselho dos Direitos Humanos como um passo importante dentro do sistema dos direitos humanos e apoiar o Conselho dos Direitos Humanos, especialmente ao longo do próximo período crítico de tempo em que ele desenvolverá os procedimentos e normais operacionais..."
NOTA: O Conselho dos Direitos Humanos já mostrou que é uma vergonha. A seguir, está uma parte de um incrível discurso proferido diante do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, em 23 de março de 2007, por um representante do UN Watch (http://www.unwatch.org).
"Diante de relatórios chocantes de todo o mundo sobre tortura, perseguição e violência contra as mulheres, o que o Conselho pronunciou, o que decidiu? Nada. Sua resposta foi o silêncio. Sua resposta foi a indiferença. Sua resposta foi criminosa. Alguém poderia dizer, nas palavras de Harry Truman, que este se tornou um Conselho Que Não Faz Nada, um Conselho Que Não Serve Para Nada."

"Mas, isto seria incorreto. Este Conselho fez alguma coisa. Ele aprovou uma resolução após a outra condenando um único Estado: Israel. Em oito pronunciamentos — e haverá mais três nesta seção — o Hamas e o Hezbollah receberam impunidade. Todo o restante do mundo — milhões e milhões de vítimas, em 191 países — continuam a ser ignorados."

"Então, este Conselho está fazendo alguma coisa. E os ditadores do Oriente Médio que orquestraram esta campanha lhe dirão que é uma coisa muito boa. Que eles procuram proteger os direitos humanos, os direitos dos palestinos. Assim também, os assassinos racistas e os estupradores das mulheres de Darfur nos dizem que se preocupam com os direitos das mulheres palestinas, os invasores do Tibete se preocupam com os invadidos e os carniceiros dos muçulmanos na Chechênia se preocupam com os muçulmanos. Mas, esses autoproclamados defensores verdadeiramente se preocupam com os direitos dos palestinos?"

"Vamos considerar os últimos meses. Mais de 130 palestinos foram mortos pelas forças palestinas. Isto é três vezes o total combinado que foi o pretexto para convocar sessões especiais contra Israel em julho e novembro. Todavia, os campões dos direitos palestinos — Ahamadinejad, Assad, Kadafi, John Dugard — eles não dizem nada. O menino Salam Balousha, de três anos, e seus dois irmãos foram mortos em seu carro pelas tropas do primeiro-ministro Haniyed. Por que este Conselho escolheu o silêncio? Porque Israel não poderia ser acusado. Porque, na verdade, os déspotas que chefiam este Conselho não poderiam ser preocupar menos com os palestinos, ou com qualquer direito humano. Eles querem demonizar a democracia de Israel, deslegitimar o Estado judaico, para fazer o povo judeu de bode expiatório. Eles também estão procurando outra coisa: distorcer e perverter a própria linguagem e a ideia dos direitos humanos." [6].

2. Paz, Segurança Humana e Prevenção de Conflitos

  • Apoiar o "Direito de Proteger”.
NOTA: Isto é conhecido como R2P (de "Right to Protect") e, essencialmente, dá à comunidade internacional o direito de intervir à força nas questões internas de um determinado país se os cidadãos desse país não estiverem sendo protegidos pelo seu próprio governo nacional. À primeira vista, a ideia parece ser nobre, entretanto, ela dá à ONU e aos outros organismos internacionais, maiores poderes no campo das operações militares, de policiamento e de criação de novos países. Embora o ex-ministro canadense das Relações Exteriores, Lloyd Axworthy, tenha sido útil em levar esse conceito para a ONU, os Federalistas Mundiais fizeram parte da criação do conceito do programa Direito de Proteger e têm sido grandes apoiadores desde o início.

Isto não é surpresa quando você percebe que o ex-ministro canadense tem um forte relacionamento pessoal com os líderes atuais do MFM e com os membros de seu ramo no Canadá.
  • Permitir que a ONU tenha seus próprios dados de satélite para monitoração e conhecimento imediato das potenciais zonas de conflito e trazer a sociedade civil (as Organizações Não-Governamentais) para dentro desse processo de advertência rápida.
NOTA: Fundamentalmente, este curso de ação dará à ONU seu próprio aparato de inteligência, por meio da tecnologia dos satélites e, mais importante ainda, por meio do trabalho de ONGs especializadas em cada país (como as agências de auxílio e de desenvolvimento). Não somente isto dará à ONU um acesso sem precedentes às informações nacionais/internas, mas automaticamente colocará suspeitas indevidas sobre as ONGs e sobre as agências de auxílio que trabalham em uma nação observada, podendo potencialmente fazer o governo remover o pessoal de auxílio, os funcionários das agências de desenvolvimento, missionários e outros estrangeiros de seu solo de modo a diminuir os riscos de inteligência.
  • Estabelecer um Serviço de Paz da ONU.
NOTA: Este serviço será uma força militar e policial de rápida reação, comandada e controlada pela ONU. Se implementada, a ONU terá suas próprias unidades militares à sua disposição. Um Serviço de Paz da ONU ativo trabalharia como mão e luva junto com o conceito R2P.
  • Desenvolver regras internacionais com relação ao uso do espaço sideral para propósitos militares.
  • Incentivar os governos nacionais a aceitarem os princípios da federação mundial.
  • Combater o uso das armas pequenas e leves por meio de um cadastro global das armas de fogo, "numerando, rastreando e mantendo os registros" das armas pequenas e a restrição para a população civil possuir armas pequenas.
NOTA: As armas pequenas incluem as espingardas, pistolas e revólveres. Infelizmente, essas armas são as mais usadas nas guerras civis, revoluções e agitações. Para os proprietários de armas de fogo em países estáveis e para aqueles que buscam obter proteção pessoal legítima nas áreas de instabilidade, essa agenda de controle das armas de fogo será potencialmente ruim.
  • "Trabalhar de perto com as organizações religiosas em questões de mútua concordância e para a criação de religiões globalmente unidas para a federação mundial."
NOTA: Este movimento constitui a criação de uma religião mundial, estabelecida para fornecer o apoio e suporte para um governo mundial. As "religiões unidas globalmente para a federação mundial" serão a manipulação de um conjunto internacionalmente imposto de crenças e valores. Se esse tipo de parceria espiritual ocorrer (e já está em construção), a cultura moderná fará uma enorme pressão sobre o cristianismo para se conformar ao novo padrão global de fé.

Apoiadores Institucionais do Movimento Federalista Mundial

As seguintes instituições, governos e agências são publicamente reconhecidas pelo MFM como entidades mantenedoras. Verifique se o dinheiro dos seus impostos está sendo usado para criar o governo mundial:
  • Fundação John D. & Catherine T. MacArthur
  • Fundação Ford
  • Fundação Open Society Institute Zug, Suíça
  • Fundação Planethood
  • Iniciativa Europeia para a Democracia e os Direitos Humanos, da União Europeia.
  • Governo da Bélgica
  • Ministério das Relações Exteriores, governo do Canadá
  • Governo da Dinamarca
  • Governo da Finlândia
  • Governo da Irlanda
  • Governo do Liechtenstein
  • Governo de Luxemburgo
  • Governo da Holanda
  • Governo da Noruega
  • Governo da Suécia
  • Governo da Suíça
  • Governo da Grã-Bretanha.

3. Reforma da ONU e Governança Global – O Federalismo nos Níveis Global e Regional

  • "Buscar a reforma do sistema das Nações Unidas e a democratização da governança global" por meio da "reorganização do Conselho de Segurança com base no agrupamento regional de países (como a UE e a UA)." Além disso, o MFM incentiva o desenvolvimento continuado e a expansão dos governos regionais e supranacionais.
NOTA: O que está sendo proposto é um sistema de governança global, dirigido por meio de um Conselho de Segurança da ONU reformado, não mais formado por nações, mas construído em torno nos blocos regionais, como a União Europeia e a União Africana. Este é um desenvolvimento significativo, e nos dá uma compreensão maior de como o regionalismo está sendo visto como uma grande ferramenta estrutural para o gerenciamento global.

Observe o ímpeto para o regionalismo aumentar em intensidade e como essas novas entidades continentais estão sendo posicionadas na comunidade mundial.
  • Que as decisões na Assembleia Geral sejam "progressivamente mais vinculantes e impostas com a devida autoridade".
  • Convocar uma conferência geral e revisar a Carta da ONU com a proposta do federalismo global.
  • Desenvolver mecanismos de financiamento para as Nações Unidas por meio de "receitas derivadas da tributação progressiva da economia internacional, em atividades empresariais transnacionais específicas, um imposto do carbono e outros modos inovadores de financiamento..."
NOTA: Como você paga pelos sistemas de governo mundial que estão sendo propostos, incluindo a presença militar e policial da ONU? Com novos impostos, é claro. Veja o artigo "Pagando Pela Governança Global: As Ideias Para a Instituição de um Imposto Mundial", da edição anterior de Forcing Change e leia sobre os esquemas propostos de tributação mundial.
  • Organizar e constituir uma Assembleia Parlamentar das Nações Unidas, "concebida como um passo rumo a um Parlamento Mundial diretamente eleito e investido com poderes legislativos".
NOTA: Nos últimos dez anos, aproximadamente, os federalistas mundiais ganharam ímpeto para a criação de um Parlamento Mundial. Esse parlamento, ou "Assembleia Permanente do Povo", ficará ligado à Assembleia-Geral das Nações Unidas ou à Organização Mundial do Comércio. No outono de 2008, um encontro internacional foi realizado para desenvolver melhor esta ideia. Futuramente teremos um artigo sobre este importante acontecimento.
  • Estabelecer um foro internacional "dedicado a discutir a construção de instituições democráticas federais acima dos Estados nacionais, nos níveis regional e global".
  • Vincular "regimes judiciais internacionais" aos tratados globais.
NOTA: Colocar "regimes judiciais" vinculantes nos tratados automaticamente dará a esses tratados o status de lei maior e colocará as nações, empresas e indivíduos sob um guarda-chuva de regulamentações impostas mundialmente.

4. Governança Econômica e Ambiental Global; Gerenciando o Meio Ambiente em Todo o Mundo e os Efeitos da Globalização Econômica e Social

  • Uma convocação para as nações, a ONU, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial se reunirem em um encontro especial na busca para formular uma nova "ordem monetária mundial".
NOTA: Como seria uma "nova ordem monetária mundial"? Com base na pesquisa feita por este autor, esse desenvolvimento incorporará um sistema de moedas regionais para substituir as moedas nacionais. Com toda a certeza, um regime de tributação mundial será encaixado perfeitamente na proposta monetária global do MFM.
  • Criar uma "instituição supranacional que englobe tudo... a Agência Ambiental Mundial". Essa Agência Ambiental Mundial terá "autoridade supranacional", "poderes reais" e seus próprios fundos "derivados de um tributo mundial a ser pago pelos países desenvolvidos, por exemplo, um tributo do carbono..."
NOTA: Uma Agência Ambiental Mundial, conforme proposto, por sua própria natureza, atuará como uma ecoburocracia. Esse tipo de entidade provavelmente será tirânica, não apenas na teoria, mas na prática, pois as regulamentações globais serão impostas sobre as realidades ambientais locais.
  • As nações devem formar uma Comunidade Global do Clima para combater a mudança climática.
NOTA: Como a Comunidade Climática Global imporá suas determinações sobre mudança climática? A rota mais lógica será por meio da Agência Ambiental Mundial.

O Quadro Grande

Colocando juntas todas as propostas do Movimento Federalista Mundial em um único quadro, uma clara figura aparece:
  • Governos regionais/continentais formarão o cerne de uma estrutura de governo mundial por meio da reforma da ONU.
  • As religiões serão cooptadas em uma plataforma global de fé e de prática.
  • Os tomadores de decisões globais receberão capacidades de inteligência, de ação militar e de policiamento.
  • A comunidade mundial formará seu próprio mandato moral entranhado por meio de uma burocracia fortalecida: o ambientalismo, o controle das armas, e o Direito de Proteger darão justificativas para a interferência nos assuntos internos de cada nação.
Outras razões sem dúvida virão em seguida:
  • Um regime de tributação internacional será implementado e um sistema monetário global totalmente reestruturado substituirá a configuração atual.
  • O governo mundial terá seus próprios mecanismos judiciais e códigos jurídicos. As nações, empresas, organizações comunitárias e os indivíduos ficarão subservientes à comunidade global por força dos tratados e das regulamentações transnacionais.
O quão real é tudo isto? Atualmente, diferentes atores políticos, agências e instituições estão examinando cada uma destas propostas em detalhe e cada conceito está avançando em diferentes graus.

O regionalismo está rapidamente se tornando uma realidade (já é na Europa) e as reformas monetária e tributária mundiais já estão sob séria discussão há algum tempo.

Da mesma forma, encontrar modos de vincular a Lei Internacional e as ações judiciais estão em estudo há várias décadas — é apenas uma questão de tempo e de circunstâncias antes que a vontade política seja suficiente para implementar esses conceitos. A criação de um braço militar para a comunidade mundial também não é uma fantasia; a transformação da OTAN (NATO) em uma força global já foi o assunto de diversas conferências internacionais e a ONU tem experimentado opções criativas de policiamento desde sua criação.

Incrementalmente, ou por meio de uma crise global monumental, esse quadro grande poderá realmente vir a aparecer. Além disso, examinando cuidadosamente os modelos do Movimento Federalista Mundial, podemos compreender melhor as pressões sutis que estão sendo exercidas sobre os governos nacionais. Isto nos dá um alerta antecipado sobre as sérias transformações que as igrejas cristãs e os grupos religiosos enfrentarão à medida que padrões de crença globais remodelarem nossa cultura. Além disso, também precisamos observar que os modos de fazer negócios e de ganhar a vida poderão ser radicalmente modificados nesta nova sociedade global.

Nosso mundo está diante de grandes transformações e o Movimento Federalista Mundial demonstra que se o governo mundial vier a existir, não será por mero acidente.

Notas Finais

  1. Uma cópia em francês deste artigo e a tradução para a língua inglesa podem ser obtidas na página do MFM na Internet, em http://www.wfm.org/site/index.php/events/856].
  2. World Federalist Movement, About World Federalism, http://www.wfm.org/site/index.php/pages/7.
  3. World Federalist Association Activists Guidebook, Section 1, pág. 17. A Associação Federalista Mundial é o organismo norte-americano do MFM.
  4. Ibidem.
  5. Para ver um memorando sobre a criação da CIJ, veja The Power Puzzle, pág. 92. Esta publicação está disponível para todos os assinantes na área restrita da Forcing Change.
  6. Discurso diante do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, Quarta Sessão, 23 de março de 2007, proferido por Hillel Neuer, diretor-executivo do UN Watch (http://www.unwatch.org).


Autor: Carl Teichrib, artigo original em http://www.forcingchange.org, Volume 1, Edição 10.
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/federal.asp

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Família

LGBT History
LGBT History (Photo credit: Earthworm)
Escrito por Felipe Melo |

Isto, caríssimos leitores, é o que a Ordem dos Advogados do Brasil e uma boa porção de nossos parlamentares, bem como a totalidade das organizações paragovernamentais LGBT, desejam para nosso País: a desconstrução da família, o alicerce da sociedade.

Existem algumas situações com as quais nos deparamos na sociedade atual que, a bem da verdade, enchem-nos de uma profunda e justificada indignação. Para nós, que assumimos publicamente e defendemos sem medo que aos homens não é possível nenhuma auto-afirmação legítima, sólida e saudável que seja divorciada da ordem moral, testemunhar as barbaridades perpetradas por aqueles que se encontram a diuturno serviço do espírito revolucionário é ultrajante. A multiplicidade de aspectos da nossa realidade, que tem sido minuciosamente seviciada há muito tempo, provocam em nós os mais díspares efeitos, da raiva mais inflamada ao pessimismo mais melancólico. Recorrer às letras, às imagens e ao som é sempre uma forma produtiva não apenas de extravasar esses sentimentos, mas de reagir ao que se passa, de alertar os circundantes sobre a gravidade dos acontecimentos.

Óbvio que nem todos são positivamente obrigados a indignar-se dessa forma. A ralé ralante– para usar uma expressão de Baltasar Gracián – a serviço da Revolução é matreira e sabe como fazer seu trabalho de um modo sutil, à surdina – o que torna nosso trabalho muito necessário. Entretanto, há algumas coisas que ultrapassam em tão larga medida o limite do meramente intolerável que, a bem da verdade, parecem ter a proeza de roubar-nos até mesmo a capacidade de articulação para o alerta e a denúncia. Essas coisas são tão absurdamente explícitas, tão ululantemente óbvias, que o que mais nos indigna não é tanto a sua natureza brutal, mas a pusilanimidade e a pasmaceira gerais diante delas.
Confesso que escrever essas linhas está sendo como tirar leite de pedra, pois estou justamente num desses momentos de estupefação – e, para quem combate o espírito revolucionário e seus sicários, impressionar-se com alguma coisa é algo cada vez mais difícil com o passar do tempo. A Comissão Especial da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em conjunto com a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, entregaram ao presidente do senado, José Sarney, em 23 de agosto, o anteprojeto do Estatuto da Diversidade Sexual (EDS). Composto de 111 artigos, o EDS é uma das peças mais grotescas e aviltantes já concebidas na história brasileira.

Maria Berenice Dias (E), da OAB, entrega a Sarney o anteprojeto do EDS com Marta Suplicy.

Este artigo tratará dos pontos mais absurdos do texto feito pela OAB. Os trechos em negrito são grifos nossos.

Art. 13 – Todas as pessoas têm direito à constituição da família e são livres para escolher o modelo de entidade familiar que lhes aprouver, independente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

A Constituição Brasileira estabelece no § 3º do art. 266 que “é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. Se o STF, cujos ministros certamente foram vítimas de profunda crise coletiva de diverticulite encefálica, atropelou a Carta Magna ao estabelecer que, de acordo com o “espírito Constituinte”, a união homoafetiva é equivalente ao casamento entre homem e mulher, esse artigo do EDS esmigalha a letra constitucional sem piedade. Notem que o “modelo de entidade familiar que lhes aprouver” pode ser qualquer coisa: dois homens, duas mulheres, três homens, três mulheres, um homem e duas mulheres, uma mulher e dois homens... Não há limites – mesmo porque o EDS deixa implícito que a própria existência de limites seria um empecilho a esse suposto direito. Assim sendo, qualquer coisa poderá ser considerada união estável. Emblemática e ironicamente, no mesmo dia em que o anteprojeto do EDS foi apresentado a Sarney, um cartório de Tupã, interior paulista, lavrou uma escritura pública de união poliafetiva (sic) entre um homem e duas mulheres.

Art. 14 – A união homoafetiva deve ser respeitada em sua dignidade e merece a especial proteção do Estado como entidade familiar.

O anteprojeto não defende que a família, seja de que tipo for, mereça especial proteção do Estado, mas apenas a união homoafetiva. Não é fornecido nenhum argumento que justifique esse posicionamento, o que deixa margem a muitas especulações. A mais óbvia é de que o modelo tradicional de família – um homem e uma mulher unidos em matrimônio – não é digno da mesma proteção que a união homoafetiva merece. De duas, uma: ou a família tradicional é mais forte e demanda menos tutela do Estado, ou a ela é menos desejável para a sociedade em que vivemos.
Art. 32 – Nos registros de nascimento e em todos os demais documentos identificatórios, tais como carteira de identidade, título de eleitor, passaporte, carteira de habilitação, não haverá menção às expressões “pai” e “mãe”, que devem ser substituídas por “filiação”.

Esse é, certamente, um dos artigos mais estapafúrdios do EDS. A OAB parece demonstrar, nesse trecho, que qualquer menção à existência da família tradicional em documentos identificatórios deve ser suprimida por representar um símbolo anacrônico, lembrança de um modelo ultrapassado de organização humana que deve ser superada.

Art. 39 – É reconhecido aos transexuais, travestis e intersexuais o direito à retificação do nome e da identidade sexual, para adequá-los à sua identidade psíquica e social, independentemente de realização da cirurgia de transgenitalização.

Art. 40 – A sentença de alteração do nome e sexo dos transexuais, travestis e intersexuais será averbada no Livro de Registro Civil de Pessoas Naturais.

Parágrafo único – Nas certidões não podem constar quaisquer referências à mudança levada a efeito, a não ser a requerimento da parte ou por determinação judicial.

A vedação de toda e qualquer referência à mudança de nome da pessoa, considerada pelo EDS uma “retificação” – ou seja, a correção de um erro –, apenas reforça a ideia de que a identidade sexual da pessoa é algo construído socialmente. A OAB, autora do anteprojeto, demonstra considerar o ser humano uma tabula rasa, um objeto que pode ser modificado de qualquer maneira a depender das circunstâncias. Não deixa de ser uma ideia que, no fundo, remete à engenharia social.

Art. 62 – Ao programarem atividades escolares referentes a datas comemorativas, as escolas devem atentar à multiplicidade de formações familiares, de modo a evitar qualquer constrangimento dos alunos filhos de famílias homoafetivas.

O que isso significa na prática? As escolas terão de evitar a comemoração de efemérides como Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia dos Avôs e das Avós, ou fazê-las de modo que a família tradicional não receba o relevo e a atenção que merece – afinal, isso seria considerado preconceito indireto contra as uniões homoafetivas ou poliafetivas.

Art. 67 – É vedado inibir o ingresso, proibir a admissão ou a promoção no serviço privado ou público, em função da orientação sexual ou identidade de gênero do profissional.

Art. 68 – Quando da seleção de candidatos, não pode ser feita qualquer distinção ou exclusão com base na sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Esses dois artigos lembram analogamente uma situação que está ocorrendo nos Estados Unidos. O governo de Barack Hussein Obama sancionou uma lei que obriga todos os empregadores americanos – empresas públicas e privadas, com fins lucrativos ou não – a fornecerem medicamentos contraceptivos e abortivos a quaisquer funcionárias que os requisitem. Diversas organizações católicas que atuam na área educacional e no terceiro setor acionaram judicialmente a administração Obama, uma vez que isso fere a filosofia das entidades mantenedoras dessas organizações e representa uma afronta à liberdade religiosa nos Estados Unidos.

Com base nos dois artigos acima, organizações religiosas ficariam impedidas de escolher seus funcionários com base em critérios éticos congruentes com suas convicções religiosas, sendo virtualmente obrigadas a contar com um quadro de funcionários que não seja integralmente montado de acordo com seus próprios critérios.

Art. 106 – A participação em condição de igualdade de oportunidade, na vida econômica, social, política e cultural do País será promovida, prioritariamente, por meio de:

I – inclusão nas políticas públicas de desenvolvimento econômico e social;

II – modificação das estruturas institucionais do Estado para o adequado enfrentamento e a superação das desigualdades decorrentes do preconceito e da discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero;

III – promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o combate à discriminação e às desigualdades em todas as manifestações individuais, institucionais e estruturais;

IV – eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais e institucionais que impedem a representação da diversidade sexual nas esferas pública e privada;

V – estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas oriundas da sociedade civil direcionadas à promoção da igualdade de oportunidades e ao combate às desigualdades, inclusive mediante a implementação de incentivos e critérios de condicionamento e prioridade no acesso aos recursos públicos;

VII – implementação de programas de ação afirmativa destinados ao enfrentamento das desigualdades no tocante à educação, cultura, esporte e lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, meios de comunicação de massa, financiamentos públicos, acesso à terra, à Justiça, e outros.

Se existem sistemas de cotas raciais para acesso ao ensino superior público e concursos públicos, por que não estabelecer cotas sexuais? É justamente isso que esse artigo do EDS propõe. Não apenas isso: também estabelece acesso privilegiado a recursos públicos tendo como único critério a identidade sexual.

Isto, caríssimos leitores, é o que a Ordem dos Advogados do Brasil e uma boa porção de nossos parlamentares, bem como a totalidade das organizações paragovernamentais LGBT, desejam para nosso País: a desconstrução da família, o alicerce da sociedade. Caso o Estatuto da Diversidade Sexual, esse folhetim de natureza inegavelmente inconstitucional e imoral, chegar a ser aprovado, o potencial efeito desagregador que isso terá no Brasil será algo inimaginável. Se a situação está crítica agora, ela será um sonho idílico comparado com o que está por vir.

Felipe Melo edita o blog da Juventude Conservadora da UnB.

Fonte: www.midiasemmascara.org

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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Documentário completo: Império Invisível: A Nova Ordem Mundial Explicada...

Como os 'envenenadores científicos' ameaçam o futuro da vida no planeta terra

Image representing Pfizer as depicted in Crunc...
Image via CrunchBase
Por Mike Adams, the Health Ranger

(NaturalNews) - Há uma guerra sendo travada pela sua mente. Para o vencedor vem influência sobre suas crenças, suas decisões de compra e até mesmo seus valores. Em um lado do campo de batalha estão os chamados envenenadores 'científicos', que na verdade são apenas cientistas aliados e propagandistas promovendo interesses corporativos. Estes 'cientistas' querem convencer você que não há tal coisa como um pesticida perigoso. Que organismos geneticamente modificados são inofensivos, de fato até saudáveis. Que não há nenhuma possibilidade de o autismo estar relacionado e ser causado a exposição a substâncias químicas, e que vacinas são uma dádiva científica para a humanidade, sem as quais teríamos todos morrido de doenças infecciosas.

Não nenhuma substância química que os envenenadores científicos não ache que é segura para por em sua pele ou introduzir em seu corpo. Ácido hidrofluorsilicico, também erroneamente chamado de "fluoreto", é perfeitamente seguro para beber, eles dizem. Quimioterapia é boa para você e não faz o seu cabelo cair ou prejudica os seus rins. Drogas psiquiátricas são mais importantes do que vitaminas. Produtos farmacêuticos deveriam ser sua nutrição. E seu sistema imunológico está incompleto sem intervenção de vacina na ponta de uma agulha.

Esse "culto do cientificismo" acredita que a natureza é um fracasso. Que nada de bom acontece sem intervenção de produtos químicos. As colheitas não crescerão a menos que sejam organismos geneticamente modificados. O mundo morrerá de fome sem os inseticidas bt (nseticida composto de bactérias geneticamente alteradas) sendo projetados para se inserir nos grãos de milho. Humanos seriam extintos se não fossem as vacinas e os produtos farmacêuticos. Não há Deus. Em vez disso, deveríamos idolatrar a Monsanto, Dupont, Dow Chemical, Merck, Pfizer e todos os outros gigantes corporativos que produzem os produtos químicos que devemos consumir.

Os "naturalistas" buscam proteger a vida.

Do outro lado desse campo de batalha estão os naturalistas. Os protetores da vida. Pessoas que têm um jardim em casa e sabem o valor das sementes de polinização aberta. Pessoas que comem comida de verdade, comida orgânica, cultivada sem pesticidas químicos tóxicos, fungicidas e fertilizante sintético.

Essas pessoas reconhecem a sabedoria da natureza; o potencial autocurador do corpo humano; o valor da nutrição; e a importância de proteger o meio ambiente no interesse da manutenção da vida em nosso planeta. Para os naturalistas, brincar de Deus com sementes é um crime contra a natureza. Injetar nos bebês conservantes de mercúrio é uma violação dos direitos humanos básicos. Despejar produtos químicos fluorados no abastecimento público de água é uma violação não somente da lei, mas dos próprios princípios científicos da medicina.

Os naturalistas querem parar o envenenamento do planeta, de nossos filhos, dos oceanos e do ar. Eles querem OGM modificados rotulados nos alimentos. Eles querem a escolha de optar das perigosas vacinas experimentais, nenhuma das quais nunca foram provadas em estudos controlados de placebo, de dupla ocultação randomizados.
 Os naturalistas, em essência, querem proteger a vida. A busca de viver sem o devastador flagelo dos produtos químicos sintéticos. Eles veem que toda vida é sagrada, e frágil, e que a arrogante intervenção é uma coisa perigosa.

A agenda corporativa da morte e do lucro

Os naturalistas não são, porém, financiados. Os envenenadores cientifícos têm aparentemente fundos ilimitados das corporações para impulsionar, para televisão e campanhas que influenciam os votos nas pesquisas. Eles têm dinheiro para comprar os reguladores como a USDA e FDA. Eles têm tanto dinheiro, na verdade, eles compraram virtualmente cada universidade, cada escola de medicina e cada jornal de medicina do mundo. No topo de tudo isso, eles possuem a grande mídia. Eles estabelecem a agenda editorial que você finalmente vê no New York Times, ou CNN, ou MSNBC.

A agenda é sempre pró-corporação, anti-humana, pró-lucro, anti-saúde. Pró doença e enfermidades. Anti bem-estar e longevidade. Pró escravização médica. Anti liberdade de saúde.

Os envenenadores científicos agora compreenderam que informação confiável é uma ameaça para todo o seu modelo de negócios. Se organismos geneticamente modificados forem rotulados sobre os alimentos, por exemplo, ninguém os comprará. Se a verdade sobre a quimioterapia fosse dita aos pacientes de câncer, ninguém a aceitaria. Se as pessoas realmente soubessem quais produtos químicos entram suas comidas, e remédios e loções para a pele e exterminadores de ervas daninhas do quintal, elas nunca as compraria.


Isso porque a verdade sobre a toxicidade destes produtos químicos é horripilante. Há atualmente mais de 50.000 produtos químicos sintéticos em sua comida, remédio, produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica que nunca foram testados com segurança nem aprovados por nenhuma agência do governo. Tomados um de cada vez, cada produto químico individual já é tóxico em certo nível, mas quando absorvido em combinação, o resultado sobre a saúde humana, a função cognitiva e reprodução é catastrófico.

As taxas de câncer estão disparando. Autismo está acima da média. Alzheimer e demência está acontecendo a pessoas cada vez mais jovens. Infertilidade está a níveis recordes. Obesidade está além dos limites. Doenças de pele, asma, alérgias e inflamações estão todas nos maiores níveis já documentados na história humana. Mas os envenenadores científicos de alguma forma querem que você acredite que tudo isso não tem uma causa. Não Poderia ser os produtos químicos, eles insistem, porque os produtos químicos são seguros! E como nós sabemos isso? Porque os cientistas das corporações disseram.

Enquanto todos nós estamos sendo envenenados, as corporações estão arrecadando lucros recordes. Enquanto nossos solos estão mortos com produtos químicos, transformados em terras inférteis, estamos sendo enganados, dizem que os organismos geneticamente modificados "alimentarão o mundo". Todavia milhões de agricultores na Índia que dependiam dos OGM agora estão mortos, cometeram suicídio depois de experimentar perdas totais da colheita para suas colheitas geneticamente modificadas. Eles foram enganados. E nós estamos sendo enganados também.

Uma traição da humanidade em nome da "ciência".

Os envenenadores científicos prometem abundância, mas entregam falta de alimentação. Eles prometem saúde, mas entregam sofrimento e doença. Eles prometem controle sobre a natureza, mas na verdade, causam descontrole na natureza, como as superbactérias resistentes a antibióticos que agoram ameaçam a humanidade, e para as quais não há defesa. Os envenenadores científicos são piores do que políticos: Eles não somente fracassaram em entregar o que prometem; eles tornam as coisas ainda piores. Organismos geneticamente modificados agoram ameaçam o planeta com poluição de auto-replicação genética desenfreada. Produtos químicos de flúor emburrecem a população, retardando o crescimento do cérebro. Medicamentos quimicos somente propagam doenças degenerativas crônicas enquanto nada curam.

Ciência patrocinada pelas corporações, no final das contas, é uma fraude. Ela nada oferece para humanidade a não ser escravidão, doença, fome e morte. Nem toda ciência é má, é claro, mas quando a ciência é conduzida em nome dos interesses corporativos, ela cessa absolutamente de ser ciência. Ela se torna uma doutrina. Uma religião. Um culto mais perigoso do que qualquer uma que nosso mundo jamais testemunhou. "Cientismo" se tornou a nova igreja, e é uma igreja que não tolera nenhuma discordância, nenhuma investigação científica de verdade, e nenhum ponto de vista oposto. Ou você é 100% a favor de pesticidas, vacinas, OGM, drogas psiquiátricas e produtos químicos para cuidar de gramas, ou você é condenado pela igreja do Cientismo como um herege.

Você defende a vida e o mundo natural, ou você defende a morte científica movida pelo corporativismo?

É tempo de nós todos ganharmos clareza sobre onde estamos nesse campo de batalha. As linhas de batalha estão traçadas. De um lado há as corporações, seus cientistas de procuração, sua mídia vendida, e os apoiadores de qualquer coisa tóxica sob o sol: vacinas, flúor, quimioterapia, medicamentos prescritos, OGM, pesticidas, fungicidas, herbicidas e genocídio.

No outro lado estão aqueles que buscam defender a vida. Nós consideramos sagrados os alimentos orgânicos, a jardinagem , liberdade de saúde, o poder de escolha, conhecimento, sabedoria e a proteção de nossos filhos. Nós consideramos sagrada a polinização aberta de sementes, e os insetos polinizadores que as faz funcionar. Acreditamos em água limpa, ar limpo, um brilhante por do sol, coleta de águas pluviais, pensamento crítico, auto-assistência, consciência, espiritualidade e as artes de cura. Somos o futuro da humanidade. Nós somos a resposta para a continuação da vida na terra. E lutaremos por este futuro, contra os envenenadores, contra a fraudulenta ciência charlatã, e contra os produtos químicos tóxicos que as corporações querem nos forçar a consumir.

Junte-se a mim, Mike Adams, The Ranger Health, nessa batalha sagrada pelo nosso futuro. Em meu website NaturalNews.com, nós lutamos pelos orgânicos, pela rotulação dos OGM, pela liberdade médica e liberdade de saúde, e até pelo direito de plantarmos nosso próprio jardim doméstico sem sermos aterrorizados pelas autoridades do governo.

Nós lutamos pela liberdade e muito mais: Pelo nosso futuro. Por um mundo que ainda possa suportar a vida, que ainda tenha peixe no oceano, e micróbios no solo, e abelhas para polinizar nossos plantações de alimentos. Nossas armas são as palavras, nossa estratégia é contar a verdade. Nossa vitória é inevitável.

Fonte: www.naturalnews.com
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