terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Construindo um Futuro Comum: Torcendo a Fé, a Economia e as Finanças em uma Nova Ordem Global


Forcing Change, Edição 6, Volume 3.
Em 2007, a Forcing Change publicou um artigo intitulado "Uma Moeda Única Para um Mundo Unificado", que delineou o cenário de uma crise financeira mundial e a solução da moeda global. Anteriormente naquele ano, o artigo "Pagando Pela Governança Global: As Ideias Para a Instituição de um Imposto Mundial" delineou os esquemas propostos para a imposição de um tributo global. Isto está agora no noticiário diário.
Em 2008, a FC publicou um relatório especial sobre a criação do Banco do Sul em preparação para a integração dos países da América do Sul. Em junho de 2008, um artigo importante intitulado "O Colapso Financeiro Global: O Que Você Precisa Saber e Como se Proteger" detalhou o abalo financeiro iminente e como a situação refletia os problemas fundamentais na economia. Três meses mais tarde a crise econômica estourou seriamente e estamos lidando com os efeitos dela desde então.
Agora, em meados de 2009, a Forcing Change está publicando dois artigos interconectados que explicam quais serão os próximos lances: uma estrutura regulatória internacional que nocauteará a soberania econômica nacional, e uma diretiva espiritual/social que desafiará diretamente a cosmovisão cristã sob os auspícios da crise econômica. No fim do segundo artigo você também encontrará uma sugestão estrutural de como a nova arquitetura financeira internacional poderá ser organizada.
Em outras palavras, esta edição examinará os próximos movimentos nesta dança econômica global. Instruindo-se sobre os próximos passos que serão dados, você conseguirá compreender melhor como as cadeiras serão remanejadas no salão de baile. Esta edição contém dois relatórios vitalmente importantes sobre dois movimentos econômicos interligados. O primeiro artigo, da autora convidada Joan Veon, faz um mergulho profundo no Banco de Compensações Internacionais (BIS) e investiga a incrível tomada de poder que ocorrerá por meio do controle do BIS sobre o sistema regulatório global.
Não pense que este assunto seja árido. Controlando o sistema regulatório internacional, o BIS literalmente assumirá o comando. Os governos nacionais, os bancos centrais, as Comissões de Valores Mobiliários, e até as seguradoras terão de aderir às determinações desse autoindicado mandachuva do setor bancário. Os efeitos não serão observáveis imediatamente, mas sentiremos as repercussões de forma gradual, à medida que nossos governos nacionais buscarem a aprovação do BIS antes de buscarem a aprovação do eleitorado.
O segundo artigo, intitulado "Construindo um Futuro Comum", analisa uma recente conferência da ONU sobre a crise econômica mundial. O que deixará você chocado não é a discussão sobre as medidas financeiras internacionais, mas a gigantesca mudança social e de comportamento que está sendo prevista — sistematicamente forçando-o a deixar de ser uma pessoa independente e com lealdades ao seu país para se tornar um cidadão global com novas obrigações internacionais.
No fim do artigo você encontrará uma lista das mudanças sociais e econômicas esperadas como resultados da crise global. Vale a pena ler e reler essa seção e refletir sobre ela à medida que a crise continuar. Fazendo isto, você terá uma melhor compreensão dos desafios de cosmovisão que confrontarão você, sua igreja e sua comunidade.
A leitura desta edição poderá ser considerada pesada para alguns. Entretanto, este é o custo mental e emocional de tentar compreender as forças que estão mudando nossa cultura. O custo de não tentar compreender é muito maior: confusão, dúvida, conflitos de cosmovisão internos e externos e o potencial de ser atropelado por este trem veloz chamado "globalização".
Nota do Editor: A Forcing Change gostaria de dar as boas-vindas a Joan Veon, e agradecer a ela por permitir a publicação deste seu importante artigo.
Joan Veon é uma mulher de negócios e uma repórter internacional. Desde 1994, ela já cobriu mais de 100 encontros globais em todo o mundo e constantemente monitora e analisa os muitos movimentos e agendas que dirigem a comunidade internacional. Ela publica um boletim financeiro baseado em suas pesquisas e é autora de The United Nations Global Straightjacket (A Camisa de Força Global das Nações Unidas) e Prince Charles: The Sustainable Prince (Príncipe Charles: O Príncipe Sustentável). Ela também já lançou diversos vídeos e relatórios especializados sobre assuntos internacionais, sobre o sistema financeiro internacional, os movimentos cambiais e outros aspectos da globalização. O endereço do site dela é http://www.womensgroup.org.
Nota adicional: Este artigo é especialmente importante, pois detalha as ações significativas que estão sendo tomadas pelo Banco de Compensações Internacionais em sua busca para se tornar o regulador bancário global — aquele que dá as cartas nas questões bancárias. Pedimos que você separe um tempo para ler e contemplar a mensagem; sugerimos que mantenha este conhecimento por perto à medida que a crise econômica continuar a se desdobrar. Se você separar um tempo para considerar seriamente o que Joan Veon reporta aqui, estará quilômetros à frente em termos de conhecimento e compreensão.
Após ler os dois artigos nesta edição da FC, recomendamos que você também leia o relatório "O Sistema Financeiro Internacional — Parte 3: O Banco de Compensações Internacionais", escrito por Patrick Wood, da August Review. Esse relatório apresenta uma excelente visão geral sobre o sistema do BIS e é um complemento perfeito para o artigo de Joan Veon.


Parte 1

A Globalização da Estrutura Regulatória e Bancária Mundial

Autora: Joan Veon
Basileia, Suíça — A base de poder do mundo mudou... ela não está mais em Londres, Nova York, Washington ou Tóquio. Também não está em Pequim ou em Moscou. Está em Basileia, na Suíça. Em 1930, o Banco de Compensações Internacionais (BIS, de Bank for International Settlements) foi fundado como resultado do Plano Young, assim nomeado em homenagem ao homem que presidia o Comitê de Reparação dos Aliados, Owen D. Young.
Basileia foi escolhida como local porque todos poderiam chegar ali de trem a partir de qualquer parte da Europa para participar dos encontros. Quando você sai da estação de trem principal, o BIS está a uma distância de apenas um quarteirão. O moderno edifício de 18 andares esconde o poder que se estende globalmente. Não há nada no edifício que chame a atenção, exceto uma placa perto das portas frontais de vidro que basicamente diz que aquela é uma propriedade privada. Pessoas poderosas e influentes de todo o mundo entram no edifício do BIS discretamente e são distinguidas dos cidadãos comuns por seus ternos sociais e crachás de identificação.

Todavia, dentro daquele edifício, o sistema monetário mundial está sendo desenhado e dirigido por muitas pessoas iluminadas e brilhantes. Aqueles que visitam regularmente vêm de todas as partes do mundo e incluem: Ministros de Estado, presidentes de bancos centrais, Secretários do Tesouro, membros de agências reguladoras, superintendentes de seguros, garantidores de depósitos e contadores. Verdadeiramente, o BIS é muito poderoso. O Dr. Carroll Quigley, em seu livro Tragedy and Hope, escreveu:
"Os poderes do capitalismo financeiro tinham outro objetivo de longo alcance, nada menos que criar um sistema mundial de controle financeiro em mãos privadas capaz de dominar o sistema político de cada país e a economia do mundo como um todo. Esse sistema seria controlado de forma feudal pelos bancos centrais do mundo agindo em concerto, por acordos secretos, realizados nos encontros e conferências frequentes. O ápice seria o Banco de Compensações Internacionais, sediado em Basileia, na Suíça. (pág. 324-25).
Se esse poder não era evidente antes, ele está no processo de se tornar maior e mais imenso. Embora o BIS sempre tenha sido o ponto focal da atividade dos bancos centrais globalmente, ele agora está finalizando a estrutura sobre a qual o professor Quigley escreveu.
A cada dois meses, o Grupo dos Dez presidentes de bancos centrais, junto com os presidentes dos bancos centrais das principais nações em desenvolvimento, se reúnem para discutir a política monetária global, entre outras coisas. Ao longo dos anos, a discussão se expandiu até o ponto em que todos os aspectos dos bancos, finanças, seguradoras, seguros de depósitos e regulamentações agora constituem os trabalhos principais.
Em meados dos anos 1990s, a palavra "globalização" entrou em nosso vocabulário quando foi necessário nomear o processo por meio do qual as barreiras entre os países do mundo começavam a cair. Iniciando com a formação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em 1944, as barreiras financeiras entre os países caíram; com a criação das Nações Unidas em 1945, as barreiras políticas caíram; com o estabelecimento da Organização Mundial do Comércio em 1994, as barreiras comerciais caíram; com o estabelecimento da Corte Internacional de Justiça em 1998, as barreiras jurídicas caíram; e com os ataques de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center, as barreiras militares e de inteligência caíram.
Similarmente, durante os anos 1990s, o Banco de Compensações Internacionais começou a definir seu próprio nível de globalização. Considere as seguintes agências criadas e administradas pelo BIS:
  • Em 1998, a Associação Internacional das Superintendências de Seguros foi formada e é constituída por superintendências de todo o mundo.
  • Em 1999, o Fórum de Estabilidade Financeira foi criado, constituído pelos secretários de Tesouro, banqueiros centrais e presidentes de agências reguladoras dos países do G-7. Recentemente, essa organização foi expandida para incluir também os países do G-20.
  • Em seguida, em 2002, a Associação Internacional das Seguradoras de Depósito foi formada. Essa organização é constituída por empresas seguradoras que garantem os depósitos nas contas correntes.
  • Outra organização que foi formada em 1973 e depois reconfigurada em 1984 é a Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (IOSCO, de International Organization of Security Commissions), que é basicamente uma Comissão de Valores Mobiliários global que facilita uma Bolsa de Valores global.
O que a Crise de Crédito de 2008 forneceu é uma oportunidade para a maior expansão e fortalecimento dessas organizações que irão e estão no processo de transferir as respectivas responsabilidades do nível nacional para o nível global, assim completando o processo da globalização bancária, das seguradoras, da auditoria, a contábil e a regulatória. Deve ser mencionado que para os Estados Unidos exercerem seu papel nesse processo, o governo Obama terá de criar uma única agência reguladora nacional sobre os sete diferentes reguladores diferentes que hoje trabalham de forma independente. Este passo é tão importante que o jornal Financial Times publicou um editorial, em 20 de junho, que advertiu os EUA:
"A necessidade de uma completa reforma regulatória ainda é urgente. Uma preocupação se destaca: o risco de todo o sistema financeiro quebrar, como ocorreu no outono passado. Aqueles que querem dar aos bancos centrais o poder e responsabilidade de monitorar os riscos sistêmicos estão certos. Eles incluem o Tesouro dos EUA, cujas propostas nesta semana procuram transformar a Reserva Federal em um super-regulador sistêmico. Essas propostas estão sendo contestadas. Elas não deveriam ser; as alternativas são piores. As reformas para colocar rédeas e controlar o risco sistêmico não devem se tornar reféns da política. Elas precisam ser implementadas antes que a memória do outono passado caia no esquecimento."
Vamos examinar o que o primeiro parágrafo do 79º Relatório Anual do Banco de Compensações Internacionais diz com relação à crise do crédito:
"Como isto pôde acontecer? Ninguém imaginava que o sistema financeiro pudesse entrar em colapso. Salvaguardas suficientes tinham sido implementadas. Havia uma rede de segurança: bancos centrais que emprestariam quando necessário, seguro para os depositantes e proteções para os investidores, o que liberava os indivíduos das preocupações com a segurança das suas riquezas; reguladores e superintendentes atentos às instituições individuais para evitar que os gerentes e proprietários incorressem em riscos altos demais. Desde agosto de 2007, o sistema financeiro experimentou uma sequência de falhas críticas."
Embora forneça sua avaliação sobre o que aconteceu de errado, o relatório resume o problema e a solução da seguinte forma:
"Em resumo, os reguladores financeiros, as autoridades fiscais e os banqueiros centrais enfrentam enormes riscos. Construir um sistema financeiro perfeito e protegido contra falhas — um sistema capaz de manter seu estado normal de operações no caso de uma falha — é impossível. No caminho estão a inovação e os limites da compreensão humana, especialmente com relação à complexidade do mundo financeiro descentralizado. Não temos escolha, senão aceitar o desafio de primeiro reparar e depois reformar o sistema financeiro internacional."
As recomendações deles incluem os comitês normativos do BIS (o Comitê da Basileia Sobre Supervisão Bancária, o Fórum de Governança dos Bancos Centrais, o Comitê Sobre Sistemas de Pagamento e de Compensações, e o Comitê dos Mercados) e a Junta de Estabilidade Financeira. Para nossos propósitos, discutiremos o poder recém-centralizado da Junta de Estabilidade Financeira.
Primeiro, deve ser observado que com esse tipo de falha econômica e monetária total, o sistema inteiro deveria ser descartado e talvez devêssemos voltar a ser Estados-nações individuais. Mas, para seus propósitos, eles estão expandindo e fortalecendo outro nível de controle que moverá os ativos de todo o mundo para dentro do domínio deles. Sem guerra física, sem armas, sem tiros — guerra financeira eletrônica.
A Junta de Estabilidade Financeira era originalmente o Fórum de Estabilidade Financeira. Quando ele foi criado em 1999, entrevistei seu secretário-geral, Svein Andersen, que me disse que não havia garantia que o fórum seria capaz de proteger o sistema global de problemas. Entretanto, acreditava-se que se você colocasse juntos os presidentes de bancos centrais, os Secretários do Tesouro e os presidentes das agências reguladoras dos países do G-7, isso forneceria uma estrutura para proteger o sistema financeiro global.
Obviamente, eles fracassaram em sua missão. A alternativa, em vez de dar fim ao Fórum de Estabilidade Financeira, foi expandi-lo e fortalecê-lo. Quando perguntei a Mario Draghi, o presidente da Junta de Estabilidade Financeira, sobre o papel e participação dos banqueiros internacionais, como Sir Evelyn de Rothschild, ele me respondeu:
"Estamos em contato com várias associações de banqueiros e associações do mercado — bancos, fundos de Hedge, fóruns de títulos e muitos outros organismos. Vemos o que eles fazem e então tomamos uma decisão. Assim, é um contexto interessante, mas no fim, no nosso fórum temos os reguladores — reguladores bancários, reguladores do mercados, ministros das finanças, organizações e instituições internacionais normatizadoras. Portanto, no fim, é para nossa própria cabeça que temos de olhar."
É importante observar que a internacionalização ou globalização do sistema financeiro está aqui. Ela representa a derrubada da barreira final entre os países do mundo. Ela já está quase totalmente operacional há pelo menos dez anos. Neste ponto do jogo, a integração entre algumas das organizações internacionais está aparente.

A necessidade de coordenar a contabilidade internacional por meio da Junta Internacional de Normas Contábeis com a correspondente americana, a Financial Accounting Standards Board (FASB) com a Junta de Estabilidade Financeira e o G-20 — já está acontecendo. A Associação Internacional das Comissões de Valores Mobiliários (IOSCO) está trabalhando com o Fórum Conjunto e a Junta de Estabilidade Financeira do BIS.
De modo a desenvolver normas internacionais de alta qualidade para auditoria, seguros, ética e educação para os contadores profissionais, o Grupo de Monitoração foi formado e uma Carta de Constituição foi adotada em 2008 pelo Memorando de Entendimento. Entre os participantes estão: a IOSCO, o Comitê da Basileia Sobre Supervisão Bancária, a Comissão Europeia, a Associação Internacional das Superintendências de Seguros, o Banco Mundial, a Junta de Estabilidade Financeira e o Foro Internacional dos Reguladores de Auditoria Independente.
Existem tantos grupos de trabalho que agora formam um novo nível de supervisão regulatória operando internacionalmente que é quase impossível voltar atrás e recuperar o poder dos Estados-nações individuais. A quantidade e a supervisão exercida por esses grupos fariam sua cabeça girar.
Podemos voltar atrás? Qualquer país que se atrever a dizer não a eles será completamente destruído — apenas observe o que aconteceu com os cinco países asiáticos que decidiram dizer não ao Acordo Sobre Serviços Financeiros, da Organização Mundial do Comércio, em meados dos anos 1990s. A Junta de Estabilidade Financeira é que está agora sendo fortalecida para se tornar as "Nações Unidas do Controle Financeiro e Regulatório" sobre os países.




Parte 2

Construindo um Futuro Comum: Torcendo a Fé, a Economia e as Finanças em uma Nova Ordem Global

Autor: Carl Teichrib
"... nenhuma crise, especialmente uma desta magnitude, desaparece sem deixar um legado. Entre os legados da crise atual veremos uma batalha mundial por ideias..." – Joseph E. Stiglitz [1].
Ai, que sono!
As conferências financeiras, como os documentos bancários, deveriam ser considerados a cura para a insônia.
Não acredita? Bem, se você nunca teve a oportunidade de participar de uma conferência em que a macroeconomia era discutida (já estive em algumas, ao participar de fóruns sobre os assuntos globais) — onde você pode ouvir palestras estimulantes sobre mecanismos de classificação de crédito, Direitos Especiais de Saque, politica tributária, tarifas, regimes cambiais — a próxima coisa boa é ler os relatórios desses eventos. Experimente e você verá o que quero dizer.
Apenas considere os títulos dos seguintes documentos bem-conhecidos do Banco de Compensações Internacionais:
  • Curvas de Juros de Cupom Zero: Documentos Técnicos.
  • Comparação de Dados de Credores e Devedores na Dívida Externa de Curto Prazo.
  • Mecanismos de Transmissão para Política Monetária nas Economias dos Mercados Emergentes.
Interessantes, não?
Nunca participei dos encontros que produziram esses títulos revigorantes. Nem poderia — não sou funcionário de alto escalão de algum banco central. Entretanto, só de olhar para os títulos, sem precisar se aprofundar no conteúdo, já faz a pessoa querer encontrar um travesseiro.
Isto me faz lembrar de um voo de longa duração atravessando o Canadá anos atrás. Como material de leitura, levei comigo um relatório técnico do BIS sobre moedas regionais, uma revista sobre motocicletas e um livro de histórias do Velho Oeste, de Louis L'Amour. Após trinta minutos de leitura do documento do BIS, destacando algumas seções com um marcador amarelo e colocando estrelas e pontos de exclamação em diferentes partes, senti desesperadamente a necessidade de fazer uma pausa mental. Peguei então a revista sobre motocicletas. Dez minutos depois, conclui a leitura de uma matéria fantástica sobre uma aventura em algum lugar onde eu gostaria de estar. De volta ao documento do BIS. Meia hora mais tarde, eu já não conseguia mais me concentrar. Olá L'Amour.
Quando o avião se aproximou de seu destino, a senhora que estava ao meu lado fez um comentário sobre a "diversidade" de meus interesses de leitura. Parecia estranho para ela que eu investigasse um relatório obviamente técnico e depois o substituísse por algo tão elementar como uma revista sobre motocicletas, ou um livro de bangue-bangue. (Ei, sou um motociclista e as histórias de L'Amour são ótimas!) Assim, deixei que ela desse uma olhada no relatório do BIS. Após menos tempo que levou para você ler este parágrafo, ela o entregou de volta para mim dizendo: "— Realmente, é uma leitura difícil."
Tudo isto é para enfatizar um ponto: as conferências econômicas estão principalmente preocupadas com as difíceis questões econômicas, incluindo a governança das economias. Os relatórios e as transcrições dessas conferências lidam com tópicos igualmente difíceis. Isto é de se esperar e, a não ser que você tenha uma compreensão da linguagem técnica (o economês) e dos vários acrônimos usados, ficará perdido no meio de uma miríade de termos e conceitos. Isto ainda acontece comigo.
Todavia, o que você não esperaria ler em uma transcrição econômica é uma discussão a respeito da evolução cósmica, ou sobre a veneração à Mãe Terra. Entretanto, isto era exatamente o que havia nas transcrições dos discursos da Conferência das Nações Unidas Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial, realizada de 24-26 de junho de 2009 (com uma extensão feita no dia 30) na sede a ONU, em Nova York.
Durante os últimos meses, a Organização das Nações Unidas esteve se preparando para este evento, que ocorreu logo após outros fóruns internacionais, como o encontro dos chefes de Estado do G-20, realizado em Londres, e a reunião conjunta do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial no fim de abril, que tratou extensivamente da crise financeira global. Portanto, a ONU também fez o chamado para os líderes de reunirem sob sua bandeira. Afinal, a sede da ONU é considerada o lugar de reunião mais importante do mundo. Ali então se reuniram primeiros-ministros, representantes dos chefes de Estado e delegados do nível ministerial de todo o mundo.

Definindo o Palco

Todos os eventos internacionais têm um discurso de abertura para definir o tom. Foi aqui que esta conferência da ONU seguiu um caminho diferente do esperado. Em vez de uma análise dos desafios econômicos que estavam diante do mercado internacional, a sessão de abertura seguiu um caminho muito estranho.
Miguel d'Escoto Brockmann, o presidente da 63ª Assembléia-Geral da ONU, foi o indivíduo responsável por organizar a Conferência Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial. Ele também abriu e fechou o evento, e foi o presidente residente dessa conferência específica — trabalhando para guiar o fórum até uma agenda determinada.
Assim, qual era a agenda de Brockmann? Um movimento rumo a "um novo paradigma da coexistência social".
Mas, o que isto significa?
Brockmann esperava que os delegados enfocassem um "novo paradigma" — uma visão diferente para o mundo. Lembre-se, esta era uma conferência internacional sobre a crise econômica e financeira. Considere atentamente as seguintes seleções do discurso inaugural do Sr. Brockmann:

1. Construindo a Arca de Noé: Solidariedade Global.

"... precisamos todos juntar nossos esforços para evitar a crise global... Os desafios das várias crises estão todos interconectados e nos obrigam, como representantes dos povos da Terra, a declarar nossa responsabilidade uns pelos outros, e que juntos, com grande esperança, busquemos soluções inclusivas. Que lugar melhor do que esta Assembleia-Geral das Nações Unidas para fazer isto..."
"Não é humano nem responsável construir uma Arca de Noé somente para salvar o sistema econômico existente, deixando a vasta maioria da humanidade abandonada ao seu destino e sofrendo os efeitos negativos de um sistema imposto por uma minoria irresponsável, porém poderosa. Precisamos tomar decisões que afetem a nós todos coletivamente na maior extensão possível, incluindo a ampla comunidade da vida e nosso lar comum, a Mãe Terra." [2].
Nota: Esta afirmação demonstra o ímpeto para a solidariedade global — uma incumbência social/ética para trabalhar como um povo unificado em uma tentativa de salvar o mundo. Brockmann vê as Nações Unidas como o veículo principal para a salvação, uma Arca de Noé política.
"O egotismo e a ganância não podem ser corrigidos. Eles precisam ser substituídos pela solidariedade, que obviamente implica mudança radical... criar algo que caminhe em direção a um novo paradigma de coexistência social." [3].
Nota: "Ganância" é vista como capitalismo. Continue a leitura para ter uma explicação mais profunda desse vínculo.

2. Ética Globalizada: Uma Visão Centrada na Terra

"Agora é hora de criar uma política e uma ética globalizadas com base nas muitas experiências e tradições culturais dos nossos povos."
"... Em outras palavras, uma diferente visão do mundo também cria uma ética diferente, um novo modo para nós nos relacionarmos."
Nota: Assim, de onde emerge a visão ética do Sr. Brockmann? Ele torna claro que é da Carta da Terra [4] — um documento "do Direito Flexível" (NT: Expressão usada no âmbito do Direito Internacional Público que designa o texto internacional que é desprovido de caráter jurídico) que busca mudar o comportamento e as crenças da humanidade em direção a uma visão evolucionária, misticamente orientada e centrada na Terra.
"O ponto de vista que vem até nós das assim chamadas ciências da Terra, que a Terra está inserida dentro de um vasto e complexo cosmos, que está em evolução, precisa ser incorporada. Esta Mãe Terra, o termo aprovado pela Assembleia-Geral no último dia 22 de abril, está viva. A Mãe Terra regula a si mesma, mantendo o sutil equilíbrio entre o físico, o químico e o biológico de tal modo que a vida é sempre favorecida. Ela produz uma comunidade singular da vida a partir de onde a comunidade da vida humana — a humanidade — emergiu, como a parte consciente e inteligente da própria Terra."
"... estamos tão unidos com a Terra que nós mesmos somos a Terra: a Terra que sente, pensa, ama e adora."
"... Devido ao fato que ela (a Mãe Terra) está viva e gerou todos os seres vivos, ela tem dignidade. Essa dignidade exige respeito e veneração e a investe com direitos..." [5].
O presidente da conferência apresentou então cinco estratégias e cinco mais "princípios éticos" para guiar a humanidade durante a crise econômica global. Aqui estão as cinco estratégias:
1. Uso sustentável dos recursos naturais: Isto não é sobre a pesca excessiva, ou o uso excessivo de algum recurso natural, mas alterar o modo como operamos sob uma ética da Terra; "fortalecer um relacionamento de respeito e sinergia com a natureza." [6].
2. Fazer da economia um instrumento da transformação: "… a economia deve ser vista como a atividade que lança os fundamentos para a vida física, cultural e espiritual de todos os seres humanos no planeta, ao mesmo tempo que respeita as normas sociais e do meio ambiente."
Uma "economia" é simplesmente o agregado da interação da sociedade no que se refere à troca de bens e serviços. O que o Sr. Brockmann imagina vai muito além do intercâmbio financeiro.
3. Democracia Planetária: "Espalhar a democracia para todas as relações e instituições sociais. Ela não deve apenas ser aplicada e fortalecida na arena política, com uma nova definição do Estado e das organizações internacionais, mas também estendida para as esferas da economia, da cultura e do relacionamento entre homens e mulheres..."
Isto representa uma transição da soberania nacional para a governança planetária e a socialização das culturas como um todo — é um sonho utópico de socialismo internacional.
4. Pluralismo Religioso: Brockmann afirma que a nova ética precisa estar baseada no "intercâmbio multicultural e nas tradições filosóficas e religiosas dos povos..."
Esta recomendação requer que os conceitos de pluralismo espiritual e interfé ocupem o centro do cenário. As afirmações de verdade do judaísmo e do cristianismo não podem ser toleradas nesse novo paradigma social de pluralismo global.
5. Alcance Místico: "Fortalecer uma visão espiritual do mundo que faça justiça à busca do homem por um significado transcendental da vida..."
A visão espiritual do Sr. Brockmann é expressa em visões de Nova Era de consciência cósmica e uma "Terra viva" (veja os excertos do seu discurso de encerramento posteriormente neste artigo). Para que a ONU cumpra sua incumbência — e lembre-se que a ONU é considerada um tipo de Arca de Noé — essa visão terá de ser espiritualmente inclusiva e propagada por meio dos programas educacionais. As cosmovisões contrárias que desafiem a nova visão espiritual terão de sucumbir diante da crença planetária aceita, ou serão vistas como subversivas.
Não há realmente muita "justiça" em uma sociedade global que impõe a tolerância, independente se ela está expressa na "busca por significado transcendente...". Quando analisamos as declarações e documentos da comunidade interfé/internacional e as declarações do próprio Sr. Brockmann, torna-se cada vez mais evidente que a antigas cosmovisões não são mais toleráveis. O pluralismo precisa ser instalado; a tolerância terá de ser aceita. Os modos antigos não são mais viáveis.
Como o Sr. Brockmann indicou em seu discurso de encerramento, "Os antigos deuses estão morrendo e novos estão emergindo..."
Estes cinco pontos principais são reforçados por cinco "princípios éticos". Embora essas diretivas éticas pareçam boas à primeira vista, as filosofias sobre as quais elas estão construídas não solucionarão os problemas econômicos mundiais. Entretanto, elas ajudam a colocar uma cosmovisão socialista e radical na corrente dominante.
A. Respeito: "Todo ser tem valor intrínseco e pode servir para o bem da humanidade se guiado não por uma ética puramente utilitária, como aquelas que predominam no atual sistema socioeconômico, mas, ao contrário, por um sentimento mútuo de pertencer, de responsabilidade e conservação da existência."
Você vê o jogo da culpa filosófica? Parece que a visão ocidental da vida não-humana — aquilo que é utilitário, como agricultura e pecuária, pesca ou exploração das florestas — é problemática. Em vez disso, você deve considerar que todas as criaturas têm valor mútuo. Esta é uma posição ridícula que emana da ecologia profunda: os seres humanos, as árvores, as trutas e até os vírus têm igual valor.
B. Cuidado: Segundo Brockmann, "Cuidado implica em uma atitude não agressiva para a realidade, uma atitude amorosa que corrige os danos passados e evita danos futuros e, ao mesmo tempo, se estende por todas as áreas da atividade humana individual e social. Se tivesse havido cuidado suficiente, a atual crise financeira e econômica não teria ocorrido... Em uma sociedade de mercado que é dirigida mais pela concorrência do que pela cooperação, há uma cruel falta de compaixão em relação a todos os seres que sofrem na sociedade e na natureza."
Essa definição erra o alvo. Embora a compaixão esteja frequentemente ausente na sociedade atual, a definição de Brockmann é mais sobre pacifismo e socialismo culturais do que sobre os indivíduos estenderem empatia para os outros — de algum modo "cuidado" deve se manifestar em todas as atividades humanas. Entretanto, reforçando a perspectiva de Brockmann, está o espantalho do insensível capitalismo, que está escondido logo abaixo do pretexto de "cuidado". Na cosmovisão socialista, o capitalismo é a distribuição desigual da riqueza motivada pela ganância e pela indiferença: é uma forma de roubo em que um ganha e outro perde. O socialismo, de acordo com tipos como Brockmann, é onde todos se cuidam e capacitam uns aos outros.
Isto é muito enganoso. O capitalismo não é um sistema cruel em que uma pessoa faz "tudo o que for necessário" para chegar na frente. Em vez disso, é a permuta mútua de bens, serviços, trabalho e/ou dinheiro de alguém que quer com alguém que tem e está disposto a trocar. O capitalismo é um conceito de livre empresa que não funciona adequadamente em uma sociedade muito regulada ou intimidada; ele requer liberdade para poder funcionar bem.
A presente crise econômica não é um problema da livre iniciativa no sentido tradicional. Agora, o fato que a livre iniciativa esteja em grande parte ausente da nossa cultura econômica pode ter um papel especial na crise, mas o capitalismo operacional não causou o atual problema financeiro. Na verdade, praticamente não temos mais o verdadeiro livre mercado e uma cultura capitalista; há várias décadas que deixamos de viver em um país capitalista. Embora existam elementos de livre iniciativa e de capitalismo no mundo ocidental, há muito tempo que estamos vivendo em uma economia mista: uma mistura conflituosa de capitalismo com socialismo. [Veja o artigo "Free Enterprise Did Not Cause the Market Meltdown" no Volume 2, Edição 11 da Forcing Change].
Por outro lado, o socialismo é um sistema em que "todos pagam" e uma burocracia está encarregada de gerenciar o "caldeirão" comum. Após a burocracia comer tudo o que quiser, os restos são então distribuídos e, talvez, alguns restos adicionais sejam reservados para os grupos de interesses especiais que apoiaram os líderes políticos do socialismo.
O socialismo tem sido corretamente descrito como "o roubo de todos para a miséria de todos". As Nações Unidas chamam o socialismo de "solidariedade econômica" e "cuidado" social. Brockmann­ é rápido em apontar o dedo para a "sociedade de mercado", porém deixa de observar que as civilizações construídas com base nos ideais do mercado são aquelas que mais se entregam ao trabalho assistencial, que mais fazem doações filantrópicas e que mais propiciam oportunidades educacionais diversas. Agora, tente encontrar essas qualidades naquela que era a economia socialista máxima, a União Soviética.
C. Responsabilidade Coletiva: Brockmann vê mais do apenas "cuidar" por meio do socialismo como uma solução. Serviço também é requerido.
"Somos todos dependentes do meio ambiente e interdependentes. Nossas ações podem ser benéficas ou prejudiciais para a vida e para o bem comum da Terra e da humanidade. As muitas crises que agora estão ocorrendo são em grande parte o resultado de uma falta de responsabilidade em nossos projetos e práticas coletivos..."
Em outras palavras, você precisa ser um bom cidadão global, e um cidadão global responsável serve ativamente, fazendo e promovendo aquilo que é bom para a Terra e para a comunidade planetária.
D. Cooperação: "A não ser que todos cooperem, não iremos emergir mais fortes da crise atual. A cooperação é tão essencial que no passado ela permitiu que nossos antepassados antropóides fizessem o salto da animalidade para a humanidade. Quando eles tinham alimento, não comiam individualmente, mas traziam tudo para compartilhar com todos no grupo, em cooperação e solidariedade. Aquilo que era essencial no passado ainda é essencial no presente."
Este é um conto da carochinha, na melhor das hipóteses; é uma tentativa de criar uma base pseudocientífica para o socialismo.
E. Misticismo Universal: "... por trás de todo o universo, todo ser, toda pessoa, todo evento e até nossa crise atual, há uma energia fundamental em operação, misteriosa e inefável, que também é conhecida como a fonte que nutre todo ser. Estamos certos que essa energia sem nome também atuará neste tempo de caos para nos ajudar e nos capacitar para superarmos o egoísmo e tomarmos as ações necessárias para que não haja uma catástrofe, mas uma oportunidade para criar e gerar novas formas de coexistência..."
Aqui está o pilar final da nova ética planetária de Brockmann, uma ética que nos guiará para sairmos da crise financeira internacional: é a aceitação de uma espiritualidade de base mística onde a humanidade é movida por alguma força cósmica benigna e incognoscível. Essa força fará a mente do homem aceitar novas formas de vida.
O presidente da Assembléia-Geral desenvolve um pouco mais:
"A crise nos purifica e nos força a crescer e encontrar modos de sobreviver que são aceitáveis para toda a comunidade da vida, seres humanos e a Terra. A dor que sentimos agora não é o último suspiro de um homem moribundo, mas a dor de um novo nascimento. Até aqui exploramos plenamente o capital material, que é finito; agora temos de trabalhar com o capital espiritual, que é infinito...
"Como todos temos origem no coração das grandes estrelas vermelhas onde os elementos que nos formam foram criados, é claro que nascemos para fazer nossa luz brilhar, e não para sofrer. E faremos nossa luz brilhar novamente — esta é minha forte expectativa — em uma civilização planetária que respeite mais a Mãe Terra."
Foi assim que presidente da Assembleia-Geral da ONU abriu uma conferência internacional sobre economia! Duas perguntas precisam ser feitas: quem é Miguel d'Escoto Brockmann e como os delegados responderam?

Lenin Encontra a Igreja — Vamos Todos Dar as Mãos

Miguel d’Escoto Brockmann nasceu em Los Angeles, na Califórnia. Ele era filho de um diplomata nicaraguense e se tornou um padre católico por meio da Sociedade Maryknoll; mais tarde, ele fundou a Orbis Books – o braço editorial dos Padres e Irmãos Maryknoll.
A partir do início dos anos 1960, Brockmann se tornou influente na cena sociopolítica da América Latina. Em 1963, ele fundou o Instituto Nacional de Pesquisa e Ação Popular, no Chile e, mais tarde, aderiu à Revolução Sandinista (de orientação esquerdista) da Nicarágua — que foi militarmente enfrentada pelos Contras, apoiados pelos EUA. De 1979 a 1990, ele serviu ao governo revolucionário como ministro das Relações Exteriores. Foi durante esse tempo que ele recebeu o Prêmio Lenin Internacional da Paz. É isto mesmo, Brockmann recebeu um reconhecimento especial da União Soviética.
Como um padre católico de inclinações esquerdistas na América Latina, não é surpresa saber que Brockmann defendeu ferrenhamente a Teologia da Libertação. Algumas vezes descrita como "Socialismo Cristão", a Teologia da Libertação mistura a ajuda aos pobres com o engajamento político. Basicamente uma construção católica romana, a Teologia da Libertação procura capacitar os povos oprimidos em sua contínua "luta de classe", armando-os por meio do ativismo social radical; é uma clara mistura de filosofia marxista com o serviço e trabalho católicos.
Brockmann também é internacionalmente conhecido por suas posições anticapitalistas e antiamericanas. Ele é, no sentido perfeito da frase, um socialista internacional. [7].
Como então os delegados presentes nessa conferência da ONU responderam à abertura não-ortodoxa de Brockmann? Os diplomatas americanos ou britânicos desafiaram a cosmovisão dele?
De modo nenhum.
A delegada norte-americana, a embaixadora Susan Rice, afirmou o compromisso dos EUA com a solidariedade global:
"O presidente Obama compreende que nossa resposta coletiva à crise constituirá um momento importante na história mundial. Algumas semanas atrás, no Cairo, ele observou que 'temos uma responsabilidade em nos unir em nome do mundo que procuramos'. Este é nosso objetivo aqui hoje — nos unir e continuar o importante trabalho de criar esse mundo..."
"... Os Estados Unidos estão aqui para participar nesta importante conversa, para ouvir, para trocar opiniões, para trabalhar com vocês em um espírito de cooperação." [8].
O delegado britânico, Lord Mark Malloch Brown, pediu o fortalecimento do sistema das Nações Unidas. [9]. A China também, pediu a expansão da ONU — para que ela possa "exercer um papel maior ao tratar a crise financeira internacional" e "enviar um forte sinal que a comunidade internacional está unida como uma só". [10].
A representante da União Europeia disse que gostaria de ver as Nações Unidas ajudarem "os países em desenvolvimento a enfrentarem uma variedade de desafios sociais, econômicos, financeiros e do meio ambiente..." [11].
Alexey Kudrin, Ministro das Finanças da Federação Russa e representando o primeiro-ministro, disse que era hora de rejeitar "as abordagens padronizadas". O que era necessário, ele explicou, era "uma nova arquitetura financeira global" que sacramentasse regras "obrigatórias" para todos os países. Sua recomendação foi "um novo modelo de regulamentação supranacional..." [12].
O representante do Banco Mundial reiterou o conceito de "responsabilidade global":
"Neste mundo globalizado, somos todos vizinhos, e estamos todos conectados. O que acontece em uma parte do mundo é sentida em muitas outras partes. Não é mais viável se ocultar atrás de muros artificiais e fingir que podemos sobreviver por nossa própria conta — estamos ligados juntos e precisamos atuar juntos."
"... precisamos ter uma resposta global e inclusiva para a crise econômica. A resposta precisa ser global, prestando atenção às especificidades locais." [13].
Outros líderes mundiais fizeram declarações similares. Considere as palavras dos participantes desta conferência e pergunte a si mesmo: de quem são as regras econômicas, sociais e ecológicas que vamos seguir?
"Precisamos moldar uma economia global que sirva às pessoas e aos povos — com regras sociais e ecológicas obedecidas por todos..."
"Com esta conferência e seu documento resultante fortalecemos o papel da ONU na governança econômica global! Este é um sucesso admirável!"
"Vamos aproveitar esta oportunidade e adaptar a Governança Global às realidades do século 21." – Heidemaire Wieczorek-Zeul, Ministro Federal Alemão para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico.
"... precisamos trabalhar juntos para fortalecer e reposicionar o sistema das Nações Unidas no centro do processo de tomada de decisão econômica e social internacional."
"... precisamos trabalhar juntos para reformar as regras e as instituições globais." – Ban Ki-Moon, Secretário-Geral da ONU.

Expectativas Internacionais

Após analisar o Documento Resultante desta conferência, ler as transcrições, as notas à imprensa e outros materiais relevantes, tornou-se óbvio que um conjunto de expectativas internacionais estava tomando forma. Aqui estão as coisas a observar nos próximos meses.

Direção Social/Moral

  • Sob a liderança das Nações Unidas, podemos esperar ver um mapa da estrada moral/ético. Os ideais que gravitam em torno das questões ambientais, como a Mudança Climática, atuarão como fundamento social sobre o qual uma solução global para a crise econômica precisa ser encontrada. Essencialmente, a ONU fornecerá a estrutura moral para a "nova arquitetura financeira internacional". À medida que o mundo se preparar para a Conferência Sobre Mudança Climática no próximo mês de dezembro, observe as questões ambientais serem usadas como "alavanca moral" para "solucionar" a crise econômica.
  • Espere ver os países adotarem regimes do tributo do carbono e um programa de mercado de carbono. Isto resultará em preços mais elevados para a energia e um crescimento econômico geral menor. Uma bolha econômica baseada no meio ambiente aparecerá com o mercado do carbono à medida que o "ar quente" se tornar um mercado aquecido. Isto terá pouca duração e, quando o colapso ocorrer, produzirá um ímpeto ainda mais robusto a favor da governança financeira global.
  • Espere ver o fortalecimento dos programas educacionais dirigidos pela ONU para arregimentar os jovens para esta causa do "carbono". A propaganda para uma ética global baseada no ambientalismo, com o objetivo declarado de corrigir a economia, aumentará visivelmente em todo o mundo ocidental.
  • Observe líderes religiosos, incluindo figuras cristãs de liderança se alinharem abertamente com a ONU nesse chamado por uma nova ética global. Não fique surpreso se a ONU ou o Conselho Mundial de Igrejas convocarem um encontro interfé de alto nível especial para responder à situação econômica ou ambiental.
  • A cidadania planetária e as responsabilidades que a acompanham, suplantarão as lealdades nacionais.
  • O capitalismo está rotulado como maligno e os livres mercados como mesquinhos. Mais regulamentações e burocracia virão aos níveis locais, estaduais, nacionais e internacionais.
  • Espere ouvir mais chamados para a solidariedade econômica e serviço global. No Ocidente, a palavra "socialismo" será evitada; espere ouvir uma nova linguagem mascarar a realidade. Na América Latina, na maior parte da Ásia e em grandes porções da Europa, a linguagem do socialismo será usada e adotada abertamente.

Direção Econômica

  • Uma contínua promoção dos Direitos Especiais de Saque como a nova moeda de reserva global. Essa moeda substituirá o dólar americano como a atual moeda de reserva global, mas possivelmente apenas de forma provisória. Os SDRs, como essa moeda é referenciada, são uma unidade contábil internacional baseada no valor combinado — uma cesta — das principais moedas mundiais. Atualmente o Fundo Monetário Internacional está sendo cortejado como o detentor dos SDRs, tornando-o um tipo de banco para uma nova unidade de reserva global.
  • Uma crescente pressão para solidificar um órgão regulatório bancário e financeiro internacional. Com a criação dessa agência, os bancos e demais instituições financeiras nacionais e transnacionais terão de aderir aos novos padrões globais. Da mesma forma, os assuntos econômicos no nível interno ficarão sob os auspícios desse órgão regulador global. No momento atual, o Banco de Compensações Internacionais está rapidamente se preparando para assumir esta tarefa (leia o artigo da Parte 1 desta edição, escrito por Joan Veon.).
  • Mais propostas para a criação de um Tribunal de Falências Internacional para lidar com os calotes das dívidas globais.
  • Espere propostas para a criação de bancos mais orientados para a atuação regional, blocos de moedas regionais, acordos de comércio regionais e uma integração econômica regional geral.
  • Espere mais propostas para a solidariedade econômica global, a harmonização internacional e uma maior globalização. Como Paula Quintana, Ministra do Planejamento do Chile, explicou na conferência da ONU: "... o desafio no médio prazo é nos movermos mais rapidamente em direção à convergência econômica global.".
  • Finalmente, não fique surpreso ao ver a comunidade internacional instituir um assim chamado sistema de pesos e contrapesos sob o estandarte de uma "nova arquitetura financeira". Isto está em desenvolvimento atualmente e eis aqui como poderá ficar:
  • Regulador Financeiro Global: Banco de Compensações Internacionais.
  • Regulador Comercial Global: Organização Mundial do Comércio.
  • Banco da Moeda de Reserva Mundial: Fundo Monetário Internacional.
  • Banco para Empréstimos: Banco Mundial.
  • Agência de Governança e Ética Mundial: Nações Unidas.
Logicamente, isto poderá mudar em algum grau, com ênfases e agendas colocadas sobre diferentes instituições e também poderá haver certa sobreposição. Entretanto, estamos vendo essa nova superestrutura internacional tomar forma atualmente.

Mais do Que Apenas Economia

É óbvio que a Conferência da ONU Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial foi mais do que apenas sobre "dinheiro". Ela tratou da remodelagem das culturas e nações para se encaixarem em um novo ideal planetário.
O presidente da Assembleia-Geral da ONU, Miguel Brockmann, tornou isto claro em seu discurso de encerramento, em 26 de junho:
Sobre as Soluções Econômicas (observe como isto envolve tudo):
"As questões a serem acompanhadas vão da redução da crise — incluindo medidas de estímulo globais, Direitos Especiais de Saque (SDR) e moedas — para tópicos como a reestruturação do sistema financeiro e econômico, reestruturação da arquitetura, incluindo reforma das instituições financeiras internacionais e o papel da Organização das Nações Unidas, dívida externa, comércio internacional, investimentos, tributação, auxílio ao desenvolvimento, cooperação Sul-Sul, novas formas de financiamento, fluxos financeiros ilícitos e corrupção, regulamentações e monitoração."
"Ao mesmo tempo, tem sido reconhecido que a crise financeira e econômica não poderá retardar a necessária resposta global à mudança climática e à degradação ambiental por meio de iniciativas para construir uma 'economia verde'..." [14].
Sobre as Novas Visões para a VidaNota: Isto dá contexto para a criação de uma civilização global. Lembre-se também que esta conferência era sobre economia! (Nota adicional: As visões de Brockmann formaram a maior parte de seu discurso de encerramento; aqui estão apenas alguns excertos):
"... estamos novamente no limiar de um novo passo no processo evolucionário: um passo umo a uma família humana que está unida consigo mesma, com a natureza e com a Mãe Terra."
"Isto me faz lembrar da visão do grande cientista, arqueólogo e místico francês Pierre Teilhard de Chardin. Na China, onde realizou sua pesquisa sobre o Homo pekinensis, ele teve algo similar a uma visão. Olhando para os avanços na tecnologia, no comércio e nas comunicações que estavam encurtando as distâncias e lançando os fundamentos para aquilo que ele gostava de chamar de planetização, em vez de globalização, Teilhard de Char­din já estava dizendo, nos anos 1930s, que estávamos testemunhando o surgimento de uma nova era para a Terra e para a humanidade."
"O que iria aparecer, disse Theilhard de Chardin, era a noosfera, após o surgimento no processo evolucionário da antroposfera, da biosfera, da hidrosfera, da atmosfera e da litosfera. Agora vem a nova esfera, a esfera das mentes e corações sincronizados: a noosfera. Como sabemos, a palavra grega noos se refere à união do espírito, do intelecto e do coração..."
"A noosfera, então, é o próximo passo para a humanidade. Permitam-me fazer uma pequena digressão. No tempo dos dinossauros, que habitaram a Terra por mais de 100 milhões de anos e desapareceram cerca de 65 milhões de anos atrás, se um observador hipotético tivesse se perguntado qual seria o próximo passo evolucionário, ele provavelmente teria pensado mais do mesmo. Em outras palavras, dinossauros ainda maiores e mais vorazes."
"Entretanto, essa resposta teria sido errada. Aquele observador hipotético nunca teria imaginado que um pequeno mamífero menor do que um coelho, que vivia no topo das árvores e se alimentava de flores e brotos e que tremia diante da possibilidade de ser devorado por um dinossauro, eventualmente se tornaria nosso ancestral."
"A partir dessa criatura, milhões de anos mais tarde, emergiu algo completamente novo, com qualidades totalmente diferentes daquelas dos dinossauros, incluindo uma consciência, inteligência e amor: os primeiros seres humanos, de quem nós aqui reunidos somos descendentes..."
"Acredito firmemente que hoje, estamos novamente no limiar de um novo passo no processo evolucionário: um passo em direção a uma família humana que está unida consigo mesma, com a natureza e com a Mãe Terra..."
"Dizem que Jesus, Buda, Francisco de Assis, Rumi, Tolstoy, Gandhi, Dorothy Day, Martin Luther King e muitos outros grandes profetas e instrutores do passado e do presente, dos quais todo país e cultura tem um exemplar, estiveram na frente de seu tempo em dar esse novo passo."
"Todos eles são os instrutores mais influentes em nossa formação, nossas estrelas-guias, que acenderam a chama da esperança que nos assegura que ainda temos um futuro, um futuro abençoado." [15].
E você que achava que a conferência sobre economia iria tratar de assuntos financeiros!
Compreenda, caro leitor, que o mundo de hoje está mudando em tudo: A economia, a religião (é sobre isto que Brockmann realmente está falando), a política, a educação, a soberania nacional e as normas sociais estão sendo sistematicamente reformadas para atenderem a um Futuro Comum pré-descrito.
No fim de tudo, será a torção da fé e das finanças que dará início a uma nova ordem global.

Notas Finais:

  1. Joseph E. Stiglitz, "Wall Street’s Toxic Message”, Vanity Fair, edição on­line, julho de 2009. Stiglitz trabalha como assessor do presidente da Assembléia-Geral da ONU.
  2. Miguel D’Escoto Brockmann, presidente da Assembleia-Geral da ONU, declaração de abertura da Conferência Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial, 24 de junho de 2009.
  3. Idem.
  4. Idem; "é essencial buscar aquilo que a Carta da Terra chama de um modo de vida sustentável".
  5. Idem.
  6. Idem.
  7. As informações biográficas sobre o Sr. Brockmann foram extraídas de sua biografia nos Materiais Para a Imprensa, das Nações Unidas, no Factbook da Reuters e em outros sites biográficos na Internet.
  8. Comentários feitos pela embaixadora Susan E. Rice, Representante Permanente dos EUA nas Nações Unidas, na Conferência Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial, em 24 de junho de 2009. Discurso realizado na conferência.
  9. Discurso na Conferência da ONU Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial.
  10. Yang Jiechi, ministro das Relações Exteriores da República Popular da China, declaração na Conferência da ONU Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial, em 24 de junho.
  11. Helena Bambasova, falando em nome da UE, 24 de junho.
  12. Alexey Kudrin, Ministro das Finanças da Federação Russa e representando o primeiro-ministro. Declaração na Conferência da ONU Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial, em 24 de junho.
  13. Ngozi Okonjo-Iweala, diretor-gerente do Banco Mundial. Declaração na Conferência da ONU Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial, em 24 de junho.
  14. Miguel D’Escoto Brockmann, presidente da Assembleia-Geral da ONU. Declaração feita após a adoção do Documento de Resultados da Conferência da ONU Sobre a Crise Econômica e Financeira Mundial.



Autor: Carl Teichrib, artigo original em http://www.forcingchange.org, Edição 6, Volume 3.
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/futurocomum.asp

sábado, 5 de janeiro de 2013

O estado e os seus [nossos!] dados


caso você esteja para entrar nos EUA e não seja americano, é bom saber que o congresso aprovou a continuidade de uma lei [FISA, da era bush e antes] que autoriza os órgãos de espionagem do país a “coletar” informação sobre qualquer estrangeiro, a qualquer tempo, sem autorização judicial. a associação americana para as liberdades constitucionais diz que FISA é inconstitucional. FISA cria a base para a NSA invadir qualquer fonte, sistema ou processo de comunicação que a agência acredite ser parte de alguma conspiração contra os EUA

telefones e contas de emeio de americanos que se comunicarem com suspeitos [de fora dos EUA] serão capturadas no processo. é tudo secreto, transparência zero. e a extensão do que é “coletar” passa por usar veículos aéreos não tripulados para supervisão e controle, coletar informação na europa [e no brasil, e algures?]. a microsoft européia declarou que, mesmo sob as estritas leis de proteção a dados da comunidade, não há como garantir que informação armazenada em seus data centers fique só lá. a empresa teria que atender requisições de poderes externos à comunidade. e disse que nenhuma empresa poderia garantir o sigilo dos dados sob sua guarda. e isso na europa. imagine em outras plagas.
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há uns 5 anos, o brasil era o campeão mundial do grampo. mas a escuta legal, no brasil, é explícita. uma terceira parte, a justiça, decide quem pode ser grampeado e porque. e isso depende, da parte de quem quer investigar, demonstrar a um juiz que há indícios suficientes para tal medida de exceção. nas sociedades modernas, depois que a noção de “indivíduo” se estabeleceu, assimetria de informação é parte essencial dos direitos das pessoas. o blog passou pelo assunto neste link, discutindo a necessidade dos sistemas de informação que nos acompanham, até e principalmente os do estado, criarem mecanismos de esquecimento que, no longo prazo, sejam capazes de garantir a individualidade de cada um. sem esquecimento, não há assimetria de informação. invadida pelo estado, que passa a usar todos os meios a seu dispor, a vida informacional de cada um é um livro aberto. pra uns, poucos, que estão no poder. e, não por acaso, querem ficar lá.

mas o cidadão comum, nos EUA ou qualquer país, não está nem aí. não entende o que a NSA ou o GCHQ, inglês, faz. e porque faz. o cidadão comum “acha” que o sistema trabalha para o bem de todos e felicidade geral da nação. um texto recente de reason.com diz, com razão, que as pessoas estão bem mais preocupadas com a privacidade de seus dados e contas no faceBook do que com arapongas [deles] espionando seu dia-a-dia. a razão? em faceBook, há uma narrativa humana para a privacidade. sua conta é invadida, contam histórias por você; fotos que deveriam ficar em um drive, pra sempre, surgem na rede ao fim de um caso. vidas expostas, na rede, pessoas veem, comentam, são contra e a favor, têm opinião, há um drama humano, perceptível, no ar. e talvez ainda tenhamos a possibilidade de limitar as ações de faceBook, mas tenhamos perdido, de vez, a de restringir o estado. será?

o estado, que quase nunca esteve sob o real controle dos cidadãos, está ficando, numa sociedade da informação permeada de segredo sobre suas operações sobre nossos dados, cada vez mais distante do cidadão. para criar um contraponto a tal tendência, é preciso abrir os silos dados do estado e, ao mesmo tempo, garantir transparência das ações do estado sobre o ciclo de vida da informação dos indivíduos. ou isso ou, na era das redes e informação, estaremos limitados e constrangidos exatamente pelo que, no princípio da internet, se imaginou que nos deveria nos libertar: abundância de informação. só que, agora, nas mãos erradas, pode fazer exatamente o contrário, nos prender. literalmente, aliás.
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Fonte: TerraMagazine

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Controle Mental das Massas


Forcing Change, Volume 2, Edição 2.


Nota do Editor da Forcing Change: A mudança social em massa requer uma nova abordagem para o modo como as pessoas pensam. Levando as mentes para longe dos valores e padrões tradicionais, novos valores e comportamentos podem ser introduzidos. Assim, paradigmas políticos, educacionais, econômicos e religiosos mantidos há muito tempo precisam ser desafiados e, em muitos casos, aviltados. No fim, surge uma cosmovisão modificada, uma cosmovisão que enfoca a solidariedade do grupo, e não o individualismo, e a cidadania global em lugar do nacionalismo.
O seguinte artigo, escrito pela minha boa amiga Berit Kjos, demonstra como os objetivos de reestruturação social estão sendo atingidos por meio dos serviços de saúde mental. Tocando nos diversos pilares da indústria da saúde mental, como agentes de transformação, Berit demonstra como esses métodos estão sendo usados no nosso mundo contemporâneo.
Depois de ler este importante artigo, você estará melhor equipado para avaliar as mensagens políticas e culturais com as quais somos alimentados diariamente. Com o tempo, você perceberá o quão disseminado e influente o estabelecimento de alvos para a saúde mental pode ser — e como as ferramentas empregadas neste campo transcendem outras disciplinas. Este artigo fornece uma peça fundamental para o quebra-cabeça da transformação social.
Berit Kjos e eu nos conhecemos em 1996. Suas orientações, suporte e encorajamento são uma grande bênção e considero um privilégio conhecê-la e tê-la como uma querida amiga e irmã em Cristo.


Parte 1: Legalizando o Controle Mental

"Os princípios da saúde mental não podem ser levados adiante com sucesso em qualquer sociedade se não houver uma progressiva aceitação do conceito de cidadania mundial." — Congresso Internacional Sobre Saúde Mental, 1948. [1].
"... o assunto que será de máxima importância politicamente é a Psicologia das Massas... A população não terá a permissão de saber como suas convicções foram geradas. Quando a técnica tiver sido aperfeiçoada, todo governo que esteve encarregado da educação para uma geração será capaz de controlar seus súditos seguramente e sem a necessidade de exércitos ou de policiais. Todavia, há somente um país que foi bem-sucedido em criar esse paraíso para os políticos." — Bertrand Russell, The Impact of Science on Society. [2].
Será se o povo americano permitirá que o controle pelo governo e que o coletivismo substituam a liberdade e o individualismo? Pode apostar que sim! Assim também irá o resto do mundo. Essa transformação social está a caminho e as massas simplesmente seguem com a mudança. [3]. Planejada mais de um século atrás, a estrutura para gerenciar e monitorar essa revolução mundial estava em vigor em 1945. Como a mítica fênix que se levanta de suas cinzas, a Organização das Nações Unidas emergiu da feroz devastação da Segunda Guerra Mundial como um farol de luz para os humanistas utópicos e seus esperançosos seguidores.
Um ano após o líder comunista Alger Hiss presidir o nascimento da ONU, algumas de suas mais poderosas agências já estavam estabelecidas. Julian Huxley (irmão de Aldous Huxley, o autor utópico de Admirável Mundo Novo) chefiou a UNESCO (Organização Cultural, Científica e Educacional da ONU). O psiquiatra canadense Brock Chisholm lançou os fundamentos da OMS (Organização Mundial da Saúde). Esses dois diretores-gerais socialistas compartilhavam uma visão comum de uma comunidade global rigidamente controlada, mas o Dr. Chisholm a resumiu melhor.
Considere as palavras dele, pois expõem um plano global para a "paz" destinado a conformar a "saúde mental" de todas as pessoas para sua missão radical. Observe quem são os vilões nesta cruzada:
"A responsabilidade de planejar as transformações necessárias no comportamento humano é claramente das ciências que trabalham neste campo. Os psicólogos, psiquiatras, sociólogos, economistas e políticos precisam encarar essa responsabilidade..."
"Podemos identificar as razões por que lutamos em guerras...? Muitas delas são fáceis de arrolar: preconceito, isolacionismo, a capacidade de emocionalmente e não criticamente... acreditar em coisas sem sentido..."
"A única força psicológica capaz de produzir essas perversões é a moralidade, o conceito de certo e errado... Por muitas gerações, dobramos nossos pescoços para o jugo da convicção do pecado. Engolimos todos os tipos de certezas venenosas com as quais nossos pais, nossos professores da Escola Dominical e da escola secular nos alimentaram..."
"... há muito tempo que se aceita que os pais têm o perfeito direito de impor quaisquer pontos de vista, mentiras, temores, preconceitos, ódios ou fé para seus filhos indefesos. Somente recentemente, entretanto, é que se tornou conhecido que essas coisas causam neuroses, distúrbios do comportamento, desequilíbrios emocionais e a incapacidade de desenvolver um estado de maturidade emocional que seja apropriado para o indivíduo ser um cidadão de uma democracia..."
"Claramente, o treinamento das crianças no lar e nas escolas deve ser, no mínimo, de preocupação pública tão grande quanto a vacinação delas para sua própria proteção... Os indivíduos que têm desequilíbrios emocionais, culpas, medos, complexos de inferioridade, certamente projetarão seus ódios sobre os outros... Eles são uma ameaça muito séria... Seja lá qual for o custo, precisamos aprender a viver em amizade e paz com... todas as pessoas no mundo."
"Há algo a ser dito... colocar de lado mansamente os errôneos modos antigos dos nossos pais, se isso for possível. Se não puder ser feito mansamente, terá de ser feito de forma estúpida ou até violenta." [4].
Essas "certezas venenosas" incluem todas as verdades e valores imutáveis que não podem ser contemporizados. É por isto que o cristianismo bíblico era e continua a ser incompatível com os padrões do mundo para a saúde mental. Muitos que se recusam a se conformar com as diretrizes evolutivas para a tolerância, inclusividade, diálogo em grupo e adaptabilidade ao plano da ONU para "transformação contínua" estão enfrentando severas consequências. [5].

Fatos Sobre Brock Chisholm

  • Nasceu em Oakville, Ontario, Canadá, em 1896.
  • Serviu na Primeira Guerra Mundial.
  • Formou-se em medicina pela Universidade de Toronto.
  • Frequentou a Universidade de Yale, onde estudou Psicologia Infantil.
  • Durante a Segunda Guerra Mundial, tornou-se diretor-geral dos Serviços Médicos do Exército Canadense.
  • Em 1944, tornou-se secretário do Ministro da Saúde do Canadá.
  • Ocupou o cargo de Secretário-Executivo da Comissão Interina da Organização Mundial de Saúde, e se tornou seu primeiro diretor-geral.
  • Presidente honorário dos Federalistas Mundiais do Canadá.
  • Presidente da Federação Mundial de Saúde Mental.
  • De acordo com a Enciclopédia Canadense do Serviço Social, Chisholm assumiu as causas da paz mundial, controle populacional, educação sexual, tolerância racial e a admissão da China na ONU.
"As Nações Unidas representam a última etapa no desenvolvimento social do mundo. Neste estágio as Nações Unidas são ainda somente uma esperança. Elas ainda não cumpriram, nem estão em condições de cumprir seu destino no tempo presente. As constituições das Nações Unidas e de suas agências especializadas estão fundadas na esperança que podem ser encontradas no mundo, em lugares suficientes, e em breve em um número suficiente, pessoas maduras e civilizadas que são capazes de viver como cidadãos mundiais... O gênero humano neste estágio de desenvolvimento necessita de esperança, pois se tornou necessário reconhecer que os antigos padrões de comportamento dos nossos ancestrais não são mais bons o suficiente."
"Os métodos pelos quais a humanidade atingiu seu presente estágio de desenvolvimento não servirão no futuro... Chegou o tempo em que o mundo precisará ter, para a sobrevivência da humanidade, grandes números de pessoas capazes de funcionar como cidadãos do mundo..." [Excertos de um discurso feito ao Clube Imperial do Canadá, 5 de abril de 1951.].
"Pare de dar às crianças respostas finais, certos e errados, ou quaisquer outros tipos de certezas. Permita que elas vejam tudo. Ajude-as a olhar para todas as realidades disponíveis e incentive-as a se prepararem para pensar de forma independente das crenças de seus pais." ("Can Man Survive?" impresso em The Nation, 27 de julho de 1946, também reimpresso na revista ETS: A Review of General Semantics).
Uma agência da Organização Mundial da Saúde (OMS), chamada "Nações pela Saúde Mental" foi estabelecida para guiar as estruturas nacionais dessa rede global fundada pelo Dr. Chisholm. O sítio na Internet nos diz: "Os governos serão auxiliados para formular, implementar, monitorar e avaliar as políticas de saúde mental... Essas políticas devem capacitar todos os indivíduos cuja saúde mental esteja apresentando distúrbios, ou cujo equilíbrio psicológico possa estar comprometido, para obterem serviços adaptados às suas necessidades, e para promover o desenvolvimento ótimo da saúde mental da população." [6].

Você se pergunta como os países definirão, medirão, monitorarão e promoverão "a saúde mental ótima da população?" Tudo começa com uma legislação sutil e até secreta. Em 1960, o Dr. Lewis Alesen, um cirurgião e presidente da Associação Médica da Califórnia fez a seguinte advertência:
"... os proponentes do programa de Saúde Mental foram rápidos em elaborar uma série de propostas legislativas... este é o antigo subterfúgio dos coletivistas, cuja única solução para qualquer problema, seja econômico, social ou político, é a aprovação de mais uma lei, a imposição de mais um tributo e a criação de mais um órgão burocrático." [7].
Ele estava certo. Ano após ano, novas leis que ampliam a rede de vigilância — e novas regulamentações que proíbem o "ódio", a "intolerância" e outras amplas e ambíguas ameaças à solidariedade — estão construindo uma inescapável estrutura para o controle.
"Temos um claro modelo estabelecido", anunciou o Secretário da Saúde David Satcher, no encontro do Consórcio Nacional Para uma População Saudável, em 1998. Falando sobre esse modelo, Satcher explicou:
"Atualmente, 47 estados estão ativamente envolvidos nas iniciativas População Saudável 2000 e as iniciativas 'Cidade Saudável e Comunidade Saudável' estão sendo seguidas em todo o país. Centenas de organizações nacionais revisaram os Objetivos do Ano 2000 e os adotaram como sendo seus... Nenhuma outra prioridade gerou tanto interesse e entusiasmo quanto esta sobre saúde mental…"
"Nossos esforços estarão focados em manter um sistema de vigilância em saúde global", ele continuou. População Saudável 2010 é a contribuição dos EUA para o chamado da OMS para que os países renovem seu comprometimento com a saúde para todos." [8].
Em 29 de abril de 2002, o presidente George W. Bush adicionou seu apoio a essa rede gigantesca ao assinar uma Ordem Executiva com o título enganoso "Comissão Presidencial Nova Liberdade Sobre Saúde Mental". Essa Ordem Executiva criou uma comissão que vinculava os Departamentos de Saúde e Serviços Humanos, Educação e Trabalho juntos em uma busca comum pelos "resultados desejados da assistência à saúde mental, com o objetivo de alcançar o nível máximo de emprego, cuidado próprio, relacionamentos interpessoais e participação na comunidade." [9].
Isto pode parecer uma coisa boa para alguns de vocês. Afinal, a doença mental deixa desoladas inúmeras vidas e famílias em todo o mundo. Entretanto, esse vasto programa de vigilância e tratamento mental vai muito além das doenças mentais reais. Em vez de informar os contribuintes que pagam seus impostos, os objetivos aparentemente bons e os títulos promissores parecem destinados a esconder a verdade, a pacificar as massas e evitar a oposição. Em seu livro Mental Robots, publicado em 1960, o Dr. Lewis A. Alesen descreveu essa velha tática:
"A maioria dos quase inumeráveis livros, panfletos e outras publicações feitas pelos patrocinadores do programa de saúde mental é propositadamente enganosa, disfarçando seu propósito real e final... a redução de todo indivíduo neste mundo, exceto os poucos favorecidos que pensam de si mesmos como possuidores de um gênio incomparável em sua capacidade de dirigir as vidas dos outros, em... uma obediência servil comum ao seu mestre, o Estado." [10].
O presidente Bush garantiu que sua "Comissão da Liberdade" (que tinha como subtítulo "Alcançando a Promessa: Transformando a Assistência à Saúde Mental na América") seguiria os princípios do Federalismo. Em vez disso, ela na verdade pavimenta o caminho para um sistema oficial de monitoração e de modificação do comportamento "do berço até a sepultura" que virará esses sábios princípios federalistas de cabeça para baixo. Para "garantir que suas recomendações promovam a inovação, flexibilidade e prestação de contas em todos os níveis do governo", essa Comissão necessita somente de "respeito" — não de aceitação ou reconhecimento — "o papel constitucional dos Estados." Isto não é o Federalismo garantido na Constituição dos EUA. [11].

Oito meses após o presidente Bush assinar essa Ordem Executiva, sua nova Comissão da Liberdade em Saúde Mental apresentou seu relatório. Como a Lei da Secretaria da Segurança Interna, o relatório enfocou a "prevenção". Para os gerentes globalistas que querem conformar nosso pensamento a um ideal comunitário, a prevenção implica um programa contínuo de avaliação, monitoração e de moldar cada mente — antes que qualquer evidência de pensamento "não saudável" apareça.
Os seguintes excertos de seu "Objetivo 4: Exame Preventivo de Saúde Mental, Avaliação e Encaminhamento a Serviços" apresenta a evidência "científica" persuasiva necessária para obter o suporte público:
"Novas compreensões do cérebro indicam que a identificação e as intervenções precoces podem melhorar grandemente os resultados e que períodos maiores de pensamentos e de comportamento anormais têm efeitos cumulativos e podem limitar a capacidade de recuperação..."
"Como as crianças de desenvolvem rapidamente, fornecer serviços de saúde mental e apoios preventivos rapidamente são necessários para evitar consequências permanentes e para garantir que as crianças estejam prontas para a escola. A neurociência emergente destaca a capacidade dos fatores ambientais de moldarem o desenvolvimento cerebral e o comportamento relacionado..."
"Intervenções precoces, como a Parceria Enfermeiro-Família, [12] e esforços educacionais podem ajudar um número maior de pais, o público, e os provedores aprendem sobre a importância dos primeiros anos na vida de uma criança e como estabelecer uma base para o desenvolvimento social e emocional saudável."
"Uma abordagem nacional e coordenada para estas questões ajudará a eliminar as barreiras sociais e emocionais para o aprendizado... Mais esforço é necessário para aumentar a conscientização do público dos requisitos de desenvolvimento para o bem-estar social e emocional das crianças." [13].
O que significa "eliminar as barreiras sociais e emocionais para o aprendizado?" Poderia isso incluir a fé cristã e uma visão bíblica do que é certo e errado? Ou as objeções dos pais à interferência do governo? Ou os direitos constitucionais que protegem a liberdade religiosa?
Em caso afirmativo, isso combinaria com o modelo do Dr. Chisholm, de 1946, para "saúde mental" (citado anteriormente). Naquela mensagem, o pioneiro da OMS perguntou: "Pode esse programa de reeducação... ser esquematizado? A resposta é "sim", e cada ano nos leva mais para perto dessa séria realidade.
Entretanto, não precisamos ficar surpresos. A Bíblia descreve um tempo em que as pessoas enfrentarão ódio e perseguição inimagináveis de um governo mundial determinado a erradicar o cristianismo bíblico e todos os outros obstáculos ao seu controle absoluto. Quando esse tempo chegar, haverá somente um local de refúgio: em Jesus Cristo. Entre este dia presente e até esse tempo futuro chegar, precisamos orar, pedir a direção de Deus e procurar despertar o maior número de pessoas que for possível para os vindouros desafios à fé e à liberdade.
"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza... Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio." [Salmos 46:1-3,10-11].

Citações Notáveis Sobre Controle, Transformação Social e Estruturas Mentais:

"Todos controlamos e todos somos controlados. À medida que o comportamento humano for melhor analisado, o controle se tornará mais eficaz." — B. F. Skinner (célebre psicólogo), Science and Human Behavior (The Free Press, 1953), pág. 438.
"Em toda a parte existe o governo, suas instituições e seus agentes benevolentes. À medida que a autoridade moral declinar, sua autoridade terapêutica crescerá."
À medida que as pessoas se tornam economicamente supérfluas e, portanto, imunes à disciplina do sistema econômico, elas precisarão ser disciplinadas pelo sistema de Serviço Social." — Peter Schrag (autor premiado), Mind Control (Pantheon Books, 1978), pág. 238.
"O Estado possui tudo, as pessoas ai incluídas. As pessoas são um investimento e um produto. O investimento é nos corpos jovens e enfermos; o produto é corpos maduros e saudáveis. Certamente, esses corpos saudáveis não podem receber a permissão de governar a si mesmos, de caírem doentes deliberadamente, talvez até de se matarem. Isto seria destruir a propriedade do Estado." — Thomas S. Szasz (Professor de Psiquiatria), The Manufacture of Madness (Dell/ Delta Book, 1970), pág. 213. Nota: Szasz é um crítico da mudança social patrocinada pelo governo e fez a declaração acima como um ponto de fato.



Parte 2: Justificando o Controle Mental

"A população hoje está sendo inundada por... propostas pelos governos federal, estadual e local classificadas sob o amplo, geral, inocente e enganoso título de 'Programa de Saúde Mental'..." — Lewis Albert Alesen, em Mental Robots. [14].
"... o controle absoluto do comportamento é iminente... O ponto crítico do controle do comportamento, na verdade, está vindo sorrateiramente sobre a humanidade sem que esta perceba que uma crise está para acontecer. O homem nunca saberá conscientemente que isto aconteceu." — Raymond Houghton, ASCD (braço de currículo da NEA, Associação Nacional da Educação), 1970. [15]
"Um iceberg apresenta somente um décimo de sua massa mortal acima da superfície do oceano", escreveu o Dr. Alesen em Mental Robots. "Assim é com este pernicioso programa de saúde mental." [Veja a Nota número 14.] Alesen, um ex-cirurgião que serviu como presidente da Associação Médica da Califórnia no anos 1950s, passou a descrever a crescente rede de controles do governo destinada a eliminar as "barreiras" à unidade global.
A conclusão dele? Os revolucionários pioneiros no movimento global de "saúde mental" mostravam pouca preocupação pelas formas padrão de doença mental. Em vez disso, a "terapia" deles visava as massas doentes da humanidade — com o foco principal nos indivíduos mal-orientados que tomam suas posições com base nas verdades bíblicas que não podem ser contemporizadas.
A psicologia das massas deles já mudou nosso mundo. Alguma vez você já se perguntou por que subitamente começamos a viver em um mundo "pós-moderno" que tem pouca tolerância pela verdade ou pelas autoridades tradicionais? Ou por que a França, a Suécia e o Canadá estão banindo as ofensivas Escrituras? Ou por que a moralidade tradicional não significa coisa alguma para os jovens de hoje, treinados no Processo do Consenso?
A guerra contra os símbolos e feriados cristãos pode ser o sintoma mais óbvio. Deus está sendo banido das celebrações do Natal, dos projetos de arte, das canções festivas e da história deste país. Até mesmo a oração pessoal de um aluno da primeira série do ensino fundamental o levou a ser ridicularizado e repreendido. Como foi que este país se afastou tanto de seus fundamentos originais?
Parte da resposta encontra-se no uso de uma palavra bem-conhecida: "Prevenção". Décadas atrás, visionários humanistas distorceram o foco em 180 graus. Não mais direcionada contra a imoralidade sexual e as seduções ocultistas, "prevenção", em vez disso, abriu a porta para as emoções proibidas, bloqueando as interferências dos pais, pastores e professores fora de moda.
Em outras palavras, prevenção seria uma chave para o controle social e a transformação coletiva. Exatamente como o Departamento da Segurança Interna dos EUA usa a palavra prevenção para justificar a extensiva vigilância sobre os cidadãos comuns, assim também os Departamentos da Saúde, de Serviços Humanos, de Educação — e seus parceiros globais — usam a palavra prevenção para moldar as visões e valores das nossas crianças.
"Nosso objetivo requererá uma mudança na cultura dominante — as atitudes, valores, normas e modos aceitáveis de fazer as coisas." [16] disse Marc Tucker, o cérebro que está por trás do atual sistema global Escola Para o Trabalho.
Na Parte 1, citei extensivamente o Dr. Brock Chisholm, o primeiro presidente da Organização Mundial da Saúde. Lembre-se, já em 1946, ele lançou a culpa pelas guerras e pelos conflitos humanos diretamente sobre os pais e professores da Escola Dominical que — desde o início — alimentam as crianças com as "certezas venenosas" da Bíblia. Chisholm, um ativo unitariano que desprezava as verdades de Deus, fez uma pergunta sugestiva:
"Podemos identificar as razões por que lutamos as guerras...? Muitas delas são fáceis de arrolar: preconceito, isolacionismo, a capacidade de emocionalmente e não criticamente... acreditar em coisas sem sentido..."
"Quando as outras doenças infecciosas foram atacadas no nível preventivo, alguns mártires tiveram de ser sacrificados para o bem da humanidade, pois as forças reacionárias também lutaram. A ignorância, a superstição, as certezas morais... resistiram por meio das organizações antirreforma, pressão dos grupos políticos e religiosos e até partidos políticos." [17].
O amigo de Chisholm, Alger Hiss, concordava. Em 1948, o infame espião soviético publicou a mensagem de Chisholm sobre saúde mental em sua revista socialista International Conciliation. Hiss, então presidente do Fundo Carnegie Para Paz Internacional, acrescentou seu próprio prefácio, que mostrou o envolvimento da Fundação Rockefeller no movimento da saúde mental. [18].
Anteriormente, outro amigo leal tinha lançado uma nova revista intitulada Psychiatry, que ganharia imenso prestígio por volta do fim do século. Seu proprietário, o psiquiatra americano Harry Stack Sullivan, também publicou a mensagem de Chisholm.
O Dr. Sullivan e o Dr. Chisholm tinham trabalhado bem de perto com o general-de-brigada britânico John Rawlings Rees. O Dr. Rees tinha ajudado a fundar o Instituto Tavistock de Psicologia Clínica, o berço do infame Instituto Tavistock das Relações Humanas. [19]. Como oficiais militares, todos os três tinham se envolvido na pesquisa psicológica usando seus respectivos exércitos. Todos queriam saber como o conflito, o medo e o trauma psicológico poderiam ser usados para gerenciar grandes populações humanas.
Os três psiquiatras representavam três países: a Grã-Bretanha, os EUA e o Canadá. Juntos, eles mapearam a rota para o sistema de gerenciamento da saúde mental do mundo seguindo a luz de suas próprias visões socialistas de conformidade global. [20].
O Dr. Rees tinha planejado uma ONG (organização não governamental) global que estaria ligada em rede com os líderes políticos e civis de todo o mundo. A liderança dele levou à criação da Federação Mundial para a Saúde Mental (WFMH, de World Federation for Mental Health), em 1948. Ela "teria relacionamento consultivo com várias agências da ONU e... grupos nacionais", mas permaneceria livre da supervisão dos governos. Seu propósito: "Promover entre todos os povos e nações o nível mais alto possível de saúde mental... em seus aspectos biológicos, médicos, educacionais e sociais mais amplos." [21].
O Dr. Chisholm, Margaret Mead (a segunda presidente da federação) e outros cientistas sociais de dez países redigiram o documento de fundação, "Saúde Mental e Cidadania Mundial". Observe a atitude deles em relação aos valores tradicionais:
  • Os estudos do desenvolvimento humano indicam a mutabilidade do comportamento humano durante toda a vida, especialmente durante a infância e adolescência... As ciências sociais e a psiquiatria também oferecem uma melhor compreensão dos grandes obstáculos para o rápido progresso nas relações humanas..."
  • "As instituições sociais, como a família e a escola, impõem suas marcas desde cedo... São os homens e mulheres em quem esses padrões de atitude e comportamento foram incorporados que apresentam resistência imediata para as transformações sociais, econômicas e políticas. Assim, o preconceito, a hostilidade ou o excessivo nacionalismo podem se tornar profundamente incorporados na personalidade em desenvolvimento... frequentemente a um grande custo humano..."
  • "... a transformação encontrará forte resistência, a não ser que uma atitude de aceitação tenha sido engendrada primeiro." [22].
Hoje, mais de cinquenta anos mais tarde, essa "atitude de aceitação" foi construída. As nações de todo o mundo estão rapidamente se conformando com o padrão definido nos anos 1940s. A rede global de parceiros em "saúde mental" está trabalhando para evitar tudo o que possa atrapalhar o pensamento coletivo "positivo" na crescente aldeia global. Poucos são aqueles que observam os tentáculos dessa rede alcançando os programas de saúde comunitários e a sociedade civil nos mais de 130 países do mundo." [23].
Pressionadas por esse sistema maciço, nossas comunidades estão mudando rapidamente. Ismail Serageldin, vice-presidente do Banco Mundial, explica que as cidades são "os vetores da mudança social e da transformação" [24]. É aqui que as escolas, agências de saúde, instituições privadas, a mídia, os ativistas sociais e outros membros da "sociedade civil" se unem para promover o "progresso" e produzir "cidadãos mundiais" para a planejada comunidade do século 21. A imigração em massa e os conflitos multiculturais fazem crescer a urgência e a crise intencional está ajudando a promover as soluções pré-planejadas.
Hoje, as estratégias para a transformação social, como o pensamento de grupo, a solução de conflitos, a construção do consenso e a contemporização contínua estão se tornando a norma. Todos eles estão baseados no Processo Dialético do Consenso usado na antiga União Soviética para conformar as mentes à ideologia soviética. [25].
Não é de se admirar que o Dr. Satcher, ex-Secretário da Saúde dos EUA, tenha mostrado interesse especial no campo da saúde mental. "Nenhuma prioridade gerou tanto interesse e entusiasmo quanto esta sobre saúde mental", ele anunciou em 1998, "... nossos esforços estarão focados em manter um sistema de vigilância global da saúde." [26].
O Dr. Richard Carmona, o novo Secretário da Saúde dos EUA, indicado pelo presidente George W. Bush, parece estar seguindo o mesmo plano. Em um discurso na convenção anual da Associação Americana de Psicologia, em 2003, ele pediu ajuda para elevar "a instrução do público sobre a saúde mental":
"Até que possamos dizer as palavras 'saúde pública' e todos pensarem que isso inclui a saúde mental, não teremos um sistema de assistência à saúde completo", o Dr. Carmona disse à plateia de psicólogos.
"Não estarei satisfeito até que alcancemos a paridade." [27].
"Minha agenda é a prevenção", Carmona informou ao Instituto Nacional de Saúde.
"Precisamos nos tornar uma sociedade orientada para a prevenção — uma sociedade que aceite a responsabilidade social e que tome boas decisões. Coisas como não fumar, maior atividade física e a eliminação dos comportamentos de risco são medidas muito simples e eficazes em termos de custos e que podem ter um imenso impacto em nossa sociedade. Afinal, os estilos de vida que estamos criando hoje são aqueles que nossos filhos e netos herdarão." [28].
O argumento dele parece ser verdadeiro. Os bons médicos naturalmente incentivam a prevenção; eles querem que seus pacientes mantenham sua saúde e vitalidade.
Mas, quando "agentes de transformação" globalistas entram no quadro com suas estratégias psicossociais, chamando sua agenda de "prevenção" para obterem a aprovação do público, eles trazem a opressão em lugar da paz. Carmona mencionou mudanças positivas no estilo de vida, como praticar exercícios físicos e não fumar, Essas são boas sugestões. Entretanto, quando autoridades do governo assumem o direito de guiar nossas vidas pessoais, para aonde mais eles poderão nos levar? Poderão elas exigir a participação no Processo do Consenso por meio do "aprendizado para o trabalho" e outros programas manipuladores "de educação contínua" financiados pelo governo? Na verdade, isto já está acontecendo, exatamente como ocorria na União Soviética no passado. [29].

Mais Citações Notáveis Sobre Controle, Transformação Social e Estruturas Mentais:

"A ciência futura da civilização pode ser resumida em uma frase. Ela será a ciência do Poder... Dêem-nos os jovens. Dêem-nos os jovens e criaremos uma nova mente e um novo mundo em apenas uma geração..."
"O poder em sua expressão mais elevada é a ciência de organizar a mente do indivíduo no serviço do universal." – Benjamin Kidd (sociólogo britânico), The Science of Power (Methuen & Company, 1918), págs. 258, 298.
"O Estado-nação que criamos é um conceito imperfeito. Na melhor das hipóteses, é um etapa para onde precisamos chegar: a mordomia planetária. Somente conseguiremos chegar ali se transformarmos 5,5 bilhões de mentes de uma infinidade de ignorâncias culturais para uma estrutura mental unificada." — Desmond E. Berghofer (ex-deputado e assistente do Ministro de Educação Avançada do governo da província de Alberta, no Canadá), The Visioneers: A Courage Story About Belief in the Future (Creative Learning International Press, 1992), pág. 37.
"A solução para os problemas globais contemporâneos requer solidariedade global. Precisamos nos identificar em níveis mais inclusivos como membros de uma Humanidade Única. Precisamos mudar nossas atitudes, valores e comportamentos para nos adaptarmos a essa nova identidade." — Nancy B. Roof (Centro de Psicologia e Mudança Social), declaração feita no Encontro de Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social, da ONU, em 1995, Social Priorities of Civil Society (Serviço de Ligação Não-Governamental da ONU, 1996), pág.120.
Dentro do novo sistema, os indivíduos que não se sujeitarem serão pegos e disciplinados, pois a rede de vigilância e correção está se tornando virtualmente inescapável. Na Parte 1, vimos como a "Comissão da Liberdade Sobre Saúde Mental", criada pelo presidente Bush, envolverá avaliações contínuas e a monitoração dos recursos humanos. As crianças classificadas como isoladas, de pensamento independente, membros ruins e que não cooperam com a equipe (isto é, as crianças indispostas a se conformarem com o grupo) estarão sob o risco de receberem um tratamento corretivo compulsório.
No fim, todas as pessoas e instituições ficarão sujeitas à avaliação segundo os intrusivos padrões nacionais e internacionais para a saúde mental positiva.
Promovidos como prevenção, esses controles poderão até mesmo parecer corretos. Afinal, é para o "bem comum". Em um mundo idiotizado pelas emoções do entretenimento e pelas seduções sensuais da mídia, que fazem as pessoas se sentirem bem consigo mesmas, as massas dificilmente observarão a perda de suas liberdades.
"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério." [2 Timóteo 4:3-5].
Berit Kjos e autora de Brave New Schools e de A Twist of Faith. O website dela, http://www.crossroad.to, contém inúmeros artigos e ensaios interessantes.

Notas Finais

1. "Saúde Mental e Cidadania Mundial", apresentada no Congresso Internacional Sobre Saúde Mental, em Londres, em 1948. Nesta conferência, o nome do congresso foi modificado para Federação Mundial para a Saúde Mental (WFMH). Desde então, a WFMH cresceu e se transformou em uma rede global gigantesca. Trabalhando de perto com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ela está implementando sua agenda em todos os países e regiões do mundo.
2. Bertrand Russell, The Impact of Science on Society (New York: Simon & Schuster, 1953), pág. 30. Citado por Lewis Albert Alesen, Mental Robots (Caldwell, ID: Caxton Printers, 1960), pág. 26.
3. Veja, "Brainwashing in America", em http://www.crossroad.to/articles2/brainwashing.html.
4. G. Brock Chisholm, "The Re-Establishment of Peacetime Society", Psychiatry, fevereiro de 1946.
5. Veja "Ban Truth, Reap Tyranny", em http://www.crossroad.to/articles2/2003/ban-truth.htm.
6. Encontrado no site da "Nations for Mental Health", em http://www.who.int/msa/nam/nam6.htm (o link está agora obsoleto). Temos uma cópia da página e forneceremos maiores detalhes sobre este programa na Parte 3 desta série.
7. Lewis Albert Alesen, Mental Robots (Caldwell, ID: Caxton Printers, 1960), pág. 29.
8. David Satcher, Encontro do Consórcio Nacional da População Saudável, 12 de novembro de 1998, http://odphp.osophs.dhhs.gov/pubs/ HP2000/satchconsor.htm.
9. Ordem Executiva de 29 de abril de 2002, em http://www.whitehouse.gov/news/releases/2002/04/print/20020429-2.html. Esta declaração também incluía "Assuntos dos Ex-Combatentes Veteranos".
10. Lewis Albert Alesen, Mental Robots (Caldwell, ID: Caxton Printers, 1960), pág. 23.
11. Veja "Federalism" e "Homeland Security and the Transformation of America" na seção Articles em http://www.crossroad.to. Quando o governo federal considera cada estado responsável por cumprir as "conclusões" definidas de cima para baixo e determinadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ele viola a Décima Emenda da Constituição. Retendo o repasse de verbas e definindo normas, o governo assume o poder de governar os estados. Mostrando "respeito", em vez de submissão à Constituição, ele manipula tanto a intenção quanto o poder da lei. A Ordem Executiva revisada de Clinton sobre o Federalismo armou o cenário. Ela redesenhou e redefiniu o relacionamento entre os estados e a Casa Branca e o poder executivo está se aproveitando de seus novos poderes.
12. Para compreender como esta "Parceria Enfermeiro-Família" ameaça a família tradicional e desafia os valores tradicionais, leia o capítulo 7 do livro Brave New Schools, disponível em http://www.crossroad.to/Books/BraveNewSchools/7-Silencing_Opposition.htm.
13. A Comissão Presidencial Nova Liberdade Sobre Saúde Mental, "Alcançando a Promessa: Transformando a Saúde Mental na América", Objetivo 4, em http://www.mentalhealthcommission.gov/reports/FinalReport/FullReport-05.htm.
14. Lewis Albert Alesen, Mental Robots (Caldwell, ID, Caxton Printers, 1960), pág. 11.
15. Estudo de Viabilidade, Behavioral Science Teacher Education Program (B-STEP), Department of Health, Education and Welfare, Bureau of Research, 1969.
16. Marc Tucker, "How We Plan to Do It". Proposta para o New American School Development Corporation, National Center for Education and the Economy, 9 de julho de 1992.
17. Dr. G. Brock Chisholm, "The Re-Establishment of Peacetime Society", Psychiatry, fevereiro de 1946.
18. Charlotte Iserbyt, The Deliberate Dumbing Down of America (Ravenna OH, Conscience Press, 1999), pág. 42.
19. Veja "Brainwashing in America", em http://www.crossroad.to/articles2/brainwashing.html.
20. Veja "Steps Toward Global Mind Control", em http://www.crossroad.to/Excerpts/chronologies/mind-control.htm.
21. Veja "Origins of the World Federation for Mental Health", em http://www.psych.org/pnews/98-01-19/hx.html.
22. "Mental Health and World Citizenship", documento de fundação da Federação Mundial para a Saúde Mental, págs. 7 e 8. Distribuído pela Associação Nacional para a Saúde Mental, 1790 Broadway, New York, NY.
24. Gravação minha em um Seminário Sobre Solidariedade, na Conferência da ONU Sobre Habitações Humanas (Habitat II) em Istambul. Veja o artigo "A Marcha em Direção à Solidariedade Global", em http://www.espada.eti.br/db073.asp.
26. David Satcher, "Building the Next Generation of Healthy People", Encontro do Consórcio Nacional de População Saudável, 12/11/1998, em http://odphp.osophs.dhhs.gov/pubs/HP2000/satchconsor.htm.
27. "U.S. Surgeon General Vows Support for Mental Health Parity", em http://www.apa.org/monitor/oct03/parity.html.
28. "Prevention, Preparedness Are Top Priorities", em http://www.nih.gov/news/NIH-Record/01_21_2003/story01.htm.
29. Veja "Serving a Greater Whole", em http://www.crossroad.to/Books/BraveNewSchools/6-Service.html e "Brainwashing and Education Reform", em http://www.crossroad.to/Quotes/brainwashing.html.



A Conexão com o Instituto Tavistock

Autor: Dennis Cuddy
Nota do Editor da Forcing Change: Como o artigo de Berit Kjos sobre o controle mental menciona rapidamente o Instituto Tavistock, estou incluindo aqui dois excertos de um artigo escrito pelo Dr. Dennis Cuddy, intitulado "Tavistock". Eu o incentivo a ler o artigo completo, que pode ser encontrado em http://www.newswithviews.com/Cuddy/dennis122.htm.
Ao longo dos anos, o Dr. Cuddy e eu discutimos diversas agendas geopolíticas e suas conexões. Frequentemente, passamos tempo analisando as descobertas um do outro. A reputação do Dr. Cuddy como um pesquisador sério é reconhecida em toda a comunidade dos analistas cristãos. Ele trabalhou como um associado-sênior no Departamento de Educação, em Washington, e escreveu diversos livros, incluindo Secret Records Revealed. Frequentemente, ele é convidado para apresentar suas análises em diversos programas de rádio em toda a América do Norte.


O Instituto Tavistock de Psicologia Clínica foi fundado em 1920. Ele esteve envolvido em psicoterapia e os psiquiatras da Clínica Tavistock queriam aplicar suas descobertas no público geral na forma de certos programas de serviço social.
John Rawlings Rees (que mais tarde seria um dos co-fundadores da Federação Mundial para a Saúde Mental, em 1948) era um vice-diretor do Instituto Tavistock neste tempo (ele se tornaria diretor em 1932). Rees desenvolveu o "Método Tavistock", que induz e controla o estresse por meio daquilo que ele chamava de "ambientes psicologicamente controlados", de modo a fazer as pessoas abrirem mão de suas crenças mais firmes sob a "pressão dos pares".
O Método Tavistock estava baseado no trabalho feito pelo psicanalista britânico Wilfrid Bion com relação aos papéis dos indivíduos dentro dos grupos. Esse modelo foi mais tarde substituído em uma série de conferências (1957-1965) lideradas por A. Kenneth Rice, presidente do Centro para Pesquisa Social Aplicada, do Instituto Tavistock. O transição foi para as dinâmicas das relações de liderança e autoridade nos grupos. De acordo com o Instituto A. K. Rice:
"Em 1965, Rice dirigiu uma conferência nos Estados Unidos, quando o Método Tavistock começou a ser desenvolvido no país por Margareth Rioch e outros. O Instituto A. K. Rice é agora o equivalente americano do Instituto Tavistock. Em 1930, o Instituto Tavistock de Psicologia Clínica esteve envolvido com a segunda Conferência Bienal Sobre Saúde Mental, onde o psiquiatra J. R. Lord advogou o desafio aos antigos valores, dizendo que 'o objetivo deve ser controlar não somente a natureza, mas a natureza humana'. Ele também falou sobre a 'necessidade de desarmar a mente'."
Rees foi até mais longe do que isto em 18 de junho de 1940, no encontro anual do Conselho Nacional para Higiene Mental do Reino Unido. Em seu discurso sobre "Planejamento Estratégico para a Saúde Mental", ele proclamou:
"Portanto, podemos justificadamente enfatizar nosso ponto de vista particular com relação ao desenvolvimento apropriado da psiquê humana, embora nosso conhecimento ainda seja incompleto. Precisamos ter como alvo fazê-lo permear cada atividade educacional na nossa vida nacional... Fizemos um bom ataque contra diversas profissões. As duas mais fáceis, naturalmente, são a profissão de professor e a igreja; as duas mais difíceis são o direito e a medicina... A vida pública, a política e a indústria devem todas ficar dentro de nossa esfera de influência... Se queremos infiltrar as atividades profissionais e sociais das outras pessoas, acho que precisamos imitar os totalitários e organizar algum tipo de atividade de quinta-coluna! Para que melhores ideias sobre saúde mental progridam e se disseminem, nós, como vendedores, precisamos perder nossa identidade... Portanto, sejamos todos nós, de forma muito secreta, 'quintas-colunas'." (Veja Mental Health, Vol. 1, No. 4, outubro de 1940).
[...]
Nos anos 1990s, o Instituto Tavistock não somente iniciou uma nova revista intitulada Evaluation (Avaliação), em 1995, mas junto com a Comissão Europeia também trabalhou em um estudo de viabilidade para pesquisar o efeito de usar cartões inteligentes na certificação da competência. O estudo foi realizado nos EUA e em partes da Europa. O projeto envolvia avaliar e validar o conhecimento e as habilidades dos estudantes e colocar as informações no cartão inteligente, que "se tornava um verdadeiro passaporte para a empregabilidade". A implicação, obviamente, é que sem esse "verdadeiro passaporte" ninguém conseguiria um emprego.
Seja bem-vindo ao Estado fascista e feudal do futuro, condicionado psicologicamente pelo Instituto Tavistock, sob o governo mundial socialista das elites do poder! Isto levará ao que Daniel 8:23-25 prediz:
"Mas, no fim do seu reinado, quando acabarem os prevaricadores, se levantará um rei, feroz de semblante, e será entendido em adivinhações. E se fortalecerá o seu poder, mas não pela sua própria força; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os poderosos e o povo santo. E pelo seu entendimento também fará prosperar o engano na sua mão; e no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem em segurança; e se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas sem mão será quebrado."
Como é possível que o "povo santo" seja destruído? É porque muitos dos que se dizem cristãos estão sentados e inertes enquanto a "religião" do humanismo secularizado (laico) está sendo ensinado nas escolas públicas há mais de quarenta anos. Os valores estão sendo ensinados nas escolas públicas baseados na ética situacional, sem referência a Deus como uma autoridade moral. Este é um dogma fundamental do humanismo secularizado (veja o Primeiro e o Segundo Manifestos Humanistas), que foi declarado uma "religião" pela Suprema Corte dos EUA no julgamento Torcaso x Watkins, em 1961. Os alunos das escolas públicas aprendem (sem referência à autoridade moral de Deus) a decidir por si mesmos o que é certo ou errado com base na situação. E os cristãos estão permitindo que essa "religião" seja ensinada nas escolas públicas ao mesmo tempo que a Suprema Corte baniu o Deus da Bíblia como autoridade moral nas mesmas escolas. Os quarenta anos disso produziram mais humanistas secularizados que o "povo santo" de Deus, cujas fileiras cada vez menores estarão em vasta inferioridade numérica em relação aos humanistas secularizados que os "destruirão" como resultado de sua "situação". Que Deus nos ajude!


Autores: Berit Kjos e Dennis Cuddy, artigo original em http://www.forcingchange.org, Volume 2, Edição 2.
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/mental.asp

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