domingo, 2 de maio de 2010

Computação orwelliana onipresente pode construir a mais perfeita sociedade de vigilância

Image representing Hewlett-Packard as depicted...Image via CrunchBase

Computação orwelliana onipresente pode construir a mais perfeita sociedade de vigilância.

Por Daniel Taylor / oldthinkernews.com

Extraído de: rinf.com

“... apenas andando pela rua você poderá estar sujeito a um sistema biométrico pessoal, você poderá ser escaneado pelo acesso do sistema de trânsito, poderá haver alguma coisa embutida nas ruas ou no pavimento em baixo de você... você poderá estar tocando outras interfaces tangíveis no ambiente ao seu redor... os postes de iluminação e outros objetos da paisagem poderão ter serviços de informação... e por último, mas não menos importante, há os elementos de vigilância, há um UAV, um helicóptero robótico que está também inspecionando a cidade e se comunicando com todos esses dispositivos... Isso é realmente o que eu quero dizer por uma transformação do relacionamento entre o usuário e o dispositivo. Essas pessoas não são mais usuárias no sentido real da palavra, elas são subalternas."

Isso pode parecer com uma visão de um mundo distante de ficção científica, mas esse cenário estabelecido por Adam Greenfield, autor de "Everyware: The Drawning Age of Ubiquitous Computing", poderia estar logo ali a frente. De fato, neste exato momento na Coréia do Sul uma cidade inteira, a "U-city", que está sendo construída utiliza tecnologia ubíqua. Ela teve seu primeiro teste realizado em março do ano passado. Diversos outros países estão atualmente planejando, ou estão atualmente construindo cidades modeladas como a U-city da Coréia do Sul.

O que exatamente é a computação onipresente (ubíqua)?

Um mundo "Everyware", como Adam Greenfield o chama, é um mundo no qual computadores são embutidos e misturados discretamente em toda parte no ambiente. Etiquetas de identificação de rádio frequência (RFID) comunicam suas posições e outras informações constantemente em uma vasta rede. Todo dia objetos se tornam "procuráveis" como se eles fossem parte de uma world wide web interconectada. A vigilância em um mundo "Everyware" é aperfeiçoada a um grau que é inimaginável. A administração científica de pessoas e do ambiente em que habitamos se torna possível, e os sonhos supremos dos comerciantes se tornam realidade.

Como os chips se tornam menores e seu poder de processamento aumenta exponencialmente, a computação ubíqua tem se tornado uma realidade prática. Como relata a Wired News, os sistemas ubíquos estão para ser estabelecidos na cidade de Nova York no próximo ano,

"A Associação de Arquitetura de Nova York convida arquitetos, artistas, designers, técnicos, engenheiros, urbanistas, ou equipes disso, para submeter qualificações para uma exposição que explorará criticamente a evolução do relacionamento entre computação ubíqua/universal e a arquitetura urbana.

A Associação encarregará de cinco a sete equipes para desenvolver intervenções urbanas - para serem instaladas dentro e ao redor da cidade de Nova York na primavera de 2009 - que imaginará trajetórias alternativas para como vários sistemas de informação e comunicação e formas de mídia móveis, embutidas, entrelaçadas poderiam se comunicar com a arquitetura do espaço urbano e/ou influenciar nosso comportamento dentro dele."

A conveniência do consumidor é um ponto de venda central para tecnologia de computação ubíqua. A bem estabelecida base consumidora de dispositivos móveis foi discutida em março de 2008 na Conferência Internacional sobre a Internet das Coisas em Zurique, Suíça (patrocinada pelo Google, IBM e outros) como servindo como um meio de aclimatar indivíduos a presença e uso da tecnologia ubíqua. Possíveis planos de marketing foram discutidos para apresentar "self scanning" através do uso de dispositivos móveis para "escanear" produtos físicos e navegar nos itens nas telas de celulares de uma maneira semelhante as compras na internet. Andreas Schaller, um engenheiro sênior da Motorola, exibiu a informação para a conferência de Zurique. A apresentação de Schaller está esboçada nos procedimentos da conferência,

"O próximo passo são os objetos físicos interconectáveis - conectando as pessoas com as coisas e até coisas com coisas. A internet das coisas capacitará conectividade não apenas entre pessoas e seus dispositivos de computação, mas entre coisas reais do dia a dia. Pela habilitação da conectividade para virtualmente qualquer objeto físico que possa potencialmente oferecer uma mensagem, a internet das coisas afetará cada aspecto da vida e dos negócios de maneiras que costumavam pertencer ao reino da fantasia - ou até mesmo além da fantasia.

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Para assegurar uma rápida taxa de adoção é necessário começar com tecnologias já disponíveis, como escaneamento de códigos de barra por câmeras, que se tornará uma vantagem "grátis" para dispositivos móveis se transformarem em telefones de câmeras de alta qualidade.

Vigilância Ubíqua

No topo da cadeia de consumidores da computação ubíqua - que provavelmente será seu aspecto mais visível e enfatizado - senta-se a incrível capacidade de vigilância desta tecnologia. Com câmeras de vídeo de vigilância projetando-se de cada edifício não é muito difícil de entender que você está sendo vigiado, mas com a internet das coisas a rede estará submergida discretamente e invisivelmente em todo o ambiente. Em uma internet das coisas, cada objeto, bem como as pessoas que estão usando roupas com etiquetas RFID ou estão usando dispositivos eletrônicos, seriam "legíveis" por um computador ou rede sem fio. Os detalhes dos objetos (ou pessoas), a localização exata e outras informações poderão ser obtidas eletronicamente por sensores invisíveis nas calçadas, ruas ou portas de entrada.

Em um documento datado de fevereiro de 2000, o Laboratório de Sistemas Móveis de Internet da Hewlett Packard anunciou que, "Nós queremos fazer pessoas, lugares e coisas presentes na Web". O documento detalha a infraestrutura da "internet das coisas",

"A convergência da tecnologia da Web, redes sem fio e dispositivos portáteis clientes da web proporcionam novas oportunidades para projetos de sistemas de comunicação para computadores. Nos laboratórios da HP nós estivemos explorando estas oportunidades através de uma infraestrutura para apoiar a "presença na web" para pessoas, lugares e coisas. Nosso objetivo é uma ponte entre a World Wide Web e o mundo físico que habitamos. Essa ponte inclui a habilidade para interagir com dispositivos tais como impressoras de um navegador usando uma comunicação HTTP padrão. Também inclui a capacidade de proporcionar as pessoas, lugares e coisas - eletrônicos ou de outra maneira - com um recurso web que é usado para estocar informações sobre eles e que são automaticamente combinadas com suas presenças físicas. Nós almejamos proporcionar aos usuários, particularmente usuários de celulares, suporte para suas atividades diárias, que essencialmente dizem respeito a objetos físicos, além dos PC's.

Comerciantes também veem o aumento da computação ubíqua como abrindo a entrada para propaganda cientificamente elaborada. A história da web já é usada para mirar usuários de computadores com anúncios baseados em seu comportamento de navegação, e é bastante fácil ver como esse modelo poderá ser aplicado para a "internet das coisas". O Google está atualmente desenvolvendo tecnologia de anúncio que usa o microfone de seu computador para ouvir as palavras chaves sendo faladas por você ou a televisão perto de você que dispara anúncios relevantes na tela de seu computador. Dispositivos móveis já estão sendo rastreados e monitorados através de lojas e outros lugares públicos no Reino Unido para propósitos de marketing. De acordo com o relatório,

"A firma de monitoramento de trânsito de pedestres Path Inteligence, baseada na cidade, está testando uma tecnologia de vigilância com a patente ainda pendente, que rastreia continuamente os sinais de celulares para entender o movimento dos clientes enquanto eles fluem pelos centros de varejo ou serviços públicos.

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Através dessa técnica é possível recolher dados de quantas pessoas estão em uma loja em um horário específico, quantos consumidores visitam lojas específicas, e como os clientes agrupam as lojas. Além disso, a firma diz que o sistema também pode ajudar organizações a otimizar o layout de seus espaços e melhorar seu mix de locação de varejo."

A U-City da Coreia do Sul: Um Modelo de Futuro?

A Coreia do Sul está na dianteira da implantação da tecnologia ubíqua. Uma cidade inteira, a Nova Coreia do Sul, que está sendo construída, utiliza plenamente a tecnologia. Os proponentes da computação ubíqua nos Estados Unidos admitem que enquanto uma larga porção da tecnologia que está sendo desenvolvida nos Estados Unidos está sendo testada na Coreia do Sul onde há menos bloqueio tradicional, ético e social para impedir sua aceitação e uso. Como relata o New York Times,

"Imagine lixeiras públicas que usam tecnologia de identificação de rádio frequência para dar créditos aos recicladores toda vez que eles arremessam uma garrafa dentro; assoalhos sensíveis a pressão nas casas das pessoas idosas que podem detectar o impacto de uma queda e imediatamente chamar ajuda; celulares que guardam os registros de saúde e podem ser usados para pagar pelos medicamentos.

Estes estão entre os serviços sonhados pelos estudantes de desenho industrial da Universidade Estadual da Califórnia, Long Beach, para possível uso na cidade de Nova Songdo, uma grande "cidade ubíqua" que está sendo construída na Coreia do Sul.

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Muito dessa tecnologia foi desenvolvida nos laboratórios de pesquisa dos Estados Unidos, mas há menos obstáculos sociais e regulatórios para implementá-los na Coreia," disse Sr. Townsend [um diretor de pesquisa do Institute for the Future em Palo Alto, Califórnia], que foi consultado sobre o plano da própria U-city. "Há uma expectativa histórica de menos privacidade. “A Coreia está desejosa de adiar as difíceis questões para assumir a liderança antecipada e estabelecer padrões.”

Uma U-city menor na Coreia do Sul, Hwaseong Dongtan, já foi parcialmente completada e testada. Um vídeo promocional para a U-city de Hwaseong Dongtan já pode ser visto em http://www.udongtan.or.kr/english/cyber/cyb_03.aspx. O pesado investimento no modelo da U-city da Coreia do Sul está sendo atualmente exportado para o mundo todo.

Interessantemente, mas talvez não surpreendente, a Corporação Microsoft de Bill Gates está envolvida com o desenvolvimento tecnológico das U-cities da Coreia do Sul. Um boletim de imprensa da Microsoft de maio de 2008 relatava que,

"A Microsoft Corp. desempenhará um papel chave na criação de um ambiente de computação ubíqua para futuros cidadãos e empresas do Distrito de Negócios Internacionais de Songdo (IBD). A cidade do futuro está atualmente em construção em Incheon, apenas 40 milhas a Sudoeste de Seul, Coreia do Sul. Songdo será a primeira "nova" cidade desenhada e planejada como um distrito internacional de negócios."

O que acontecerá as noções tradicionais de privacidade em um mundo "Everyware"? Poderão indivíduos e dissidentes potencialmente ser eletronicamente postos em uma lista negra e terem negado acesso ao sistema de pagamentos sem dinheiro e sistemas de trânsito como se eles fossem uma web page proibida na "internet das coisas? Permanece para ser visto se a infraestrutura da computação ubíqua pode ser completamente realizada, mas isso é uma tendência tecnológica com implicações muito importantes que vale a pena mantermos em contínua observação.

Fonte: http://www.oldthinkernews.com/Articles/oldthinker%20news/orwellian_ubiquitous_computing.htm

Nota: Isso é o sonho de todo ditador.

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